PRETA FERREIRA

Preta Ferreira: 90 dias de prisão. Liberdade imediata para todos os lutadores por moradia

Basta de racismo e repressão aos ativistas sociais. Liberdade imediata para Preta Ferreira e todos os lutadores por moradia.

quarta-feira 25 de setembro| Edição do dia

Nesta quarta-feira, 25 de setembro, completaram 90 dias da prisão absurda e arbitrária de Preta Ferreira, ativista do movimento de moradia da cidade de São Paulo. Preta Ferreira recebeu no dia 24 de junho uma intimação por suspeita de extorsão. O inquérito que se baseou em denúncia de treze testemunhas anônimas levou à sua prisão “temporária”. Na mesma época foram expedidos outros nove mandados de prisão com a mesma acusação por Cassio Conserino, promotor do Ministério Público de São Paulo. Conserino alega que moradores de prédios ocupados na cidade de São Paulo, tais como, o Edifício Wilton Paes e o Hotel Cambridge estão sendo extorquidos e que haveria uma ligação desses ativistas com o Primeiro Comando da Capital.

O promotor Cassio Conserino, conhecido por suas posições abertamente reacionárias e um dos acusadores do processo de Lula pelo Triplex do Guarujá, apoia-se no autoritarismo do poder judiciário e na situação reacionária da conjuntura política e econômica para promover o encarceramento dos lutadores por moradia. Uma tentativa explicita de criminalizar e desarticular os movimentos sociais. Assim como, uma expressão do racismo encarniçado no poder judiciário. Expressão essa que se escancara com o asqueroso pacote anticrime do ministro da justiça Sergio Moro.

Em entrevista a revista Marie Claire, já detida na Penitenciaria Feminina de Santana (SP), Preta Ferreira “estou na cadeia injustamente porque mulher preta e pobre neste país ou é alvo de 14 tiros como Marielle Franco ou acaba em um lugar assim. Estou presa, pois a Justiça no Brasil é seletiva, racista e tem lado”.

De acordo com os dados do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), 68% das mulheres encarceradas são negras, 57% são solteiras, 50% têm apenas o ensino fundamental e 50% têm entre 18 e 29 anos. A maior parte delas é mãe e cumpre pena em regime fechado, não possui antecedentes criminais, estava envolvida com atividades relacionadas ao tráfico e ao transporte nacional e internacional de drogas e possui dificuldade de acesso a empregos formais.

A prisão arbitrária de Preta Ferreira, a perseguição política de ativistas dos movimentos sociais e a criminalização do movimento de moradia em SP é parte de uma política consciente de João Dória (PSDB), prefeito da cidade de São Paulo, na disputa com Bolsonaro de uma base da extrema direita na cidade e estado de São Paulo. Dória, desta maneira visa ampliar seu eleitorado e assegura os lucros e interesses dos empresários e banqueiros ligados à especulação imobiliária. Um punhado de parasitas que lucram centenas de milhares de reais em detrimento da desgraça alheia. O drama da falta de moradia é uma realidade latente nas cidades do nosso país. Mas, atinge de forma cabal as capitais e principais cidades do Brasil.

Repudiamos o autoritarismo de Bolsonaro e Dória, a criminalização do movimento de moradia e a perseguição aos lutadores e exigimos a imediata liberdade de Preta Ferreira, de todos os ativistas do movimento de moradias. Basta de especulação imobiliária e de lucrarem às custas do drama e da miséria do povo, é necessário lutar por um plano de obras públicas que assegure moradia, saneamento básico e uma condição de vida digna para os trabalhadores e o povo pobre. Basta de racismo e repressão aos lutadores sociais! Fazemos um chamado às organizações de esquerda, as entidades sindicais, e do movimento estudantil, parlamentares e intelectuais a impulsionar a mais ampla campanha pela liberdade de Preta Ferreira e pelo fim da criminalização dos lutadores.

Veja declaração do Quilombo Vermelho e do grupo internacional de mulheres Pão e Rosas:“Liberdade Imediata para Preta Ferreira e todos os lutadores por moradia!”




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