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CADEIAS E COVID-19

Presídios Mexicanos: Superlotação e insalubridade em tempos de COVID

A CNDH declarou que a falta de manutenção e cuidado com os presídios mexicanos permitiu a avanço do coronavírus.

segunda-feira 6 de julho| Edição do dia

Os presídios mexicanos têm condições horríveis, superpopulação, péssima higiene, entre outras coisas. Agora com a pandemia piora a situação, já que não tem equipe médica nem a infraestrutura para enfrentar a pandemia.

Segundo informes da CNDH (Comissão Nacional dos Direitos Humanos), até 1 de julho as cadeias do país somam 660 casos confirmados, assim como 140 mortos. Dos 296 complexos penitenciários existentes no México, 115 registram superlotação, não há maneira de seguir com as medidas de salubridade como o "distanciamento social".

Não só se vivem condições de superlotação, mas também não tem medicamentos nem equipes médicas, instalações salubres, um sistema de água potável que funcione corretamente, não há ambulâncias, não se realizam provas de detecção de COVID, e as pessoas em situação de vulnerabilidade, como a população com enfermidades crônicas ou com deficiência, são invisibilizadas.

Um caso preocupante é o Centro Estatal de Reinserção Social de Puebla, já que nem sequer havia medidas gerais de limpeza e higiene entre os presos. O pessoal médico disse que só não contam com insumos para enfrentar a crise sanitária, mas sim que tampouco tem conhecimento dos protocolos estabelecidos pelo Centro.

Há uma má organização no resguardo e cuidado dos casos positivos; a superlotação não é só entre a população carcerária, é também entre as pessoas que esperam para fazer visitas.

Além disso, não há um registro oficial a nível federal sobre a população carcerária afetada pela COVID-19, nem sobre as liberações que os sistemas penitenciários outorgaram para evitar contágios dentro das prisões do país, e ainda que López-Gatell disse que falaria sobre os dados de contágios no interior das prisões, ao final divulgaram esta informação, porém assegurou que "conseguiu-se segmentar a população para evitar mais riscos de contágios".

Em 1 de julho, a CNDH publicou um informe do monitoramento nacional da COVID no México:

Apesar de que alguns centros penitenciários do país, como Sonora ou Cidade do México, estão realizando ações para conter a propagação do vírus e a ansiedade que possa acometer a população carcerária, ou que alguns centros penitenciários contem com protocolos de salubridade, a maioria das cadeias estão sofrendo pela grande probabilidade de contágio que há.

Porém não é culpa do vírus, as prisões do México são lugares onde é comum a corrupção, a falta de serviços de saúde e violações soa direitos humanos, como o tratamento desumano e degradante.

É impressionante a falta de humanidade com a qual este sistema social trata as pessoas, onde se priorizam interesses econômicos e políticos sobre a vida humana. As cadeias, cheias de pobres, mulheres, indígenas e jovens criminalizados pela polícia sem os recursos para poder defender-se, ou em quem foram "plantadas" drogas para colocá-los na cadeia sem saber o tempo de condenação, são um reflexo da descomposição social, assim como de suas desigualdades e contradições.

Essa crua realidade se reproduz nas cadeias por todo o mundo. Em distintos países da Europa, os protestos de presos e presas, chamados "rebeliões" pelos governos e seus meios de imprensa, assim como a repressão de familiares, são uma mostra da função das cadeias criadas pelo capitalismo como parte do emaranhado de exploração de uma classe sobre a outra.

O desemprego, a crise de violência, a precarização da vida, enfim, as consequências de políticas econômicas e de "segurança", não serão resolvidas com mais militarização como a implementada pelo atual governo através da Guarda Nacional, muito menos com o resgate a empresários ou a construção de megaobras alheias aos interesses das comunidades onde se impõem. Estas, pelo contrário, são um caldo de cultivo para mais pobreza, mais desespero e mais repressão.




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