Economia

REFORMAS

Presidente do Banco Central: juros baixos só com mais reformas

Ilan Goldjfan de certa forma nos chantageia, com seu discurso manso diz que a economia melhora (só se for para os banqueiros) e diz que os juros só se manterão baixos com mais reformas. O que ele admite, e que é o fundamental é até agora essa baixa de juros só servir ao mercado de capitais.

sexta-feira 13 de abril| Edição do dia

Imagem: EXAME

Illan Goldjfan, presidente do Banco Central e ex-economista-chefe e sócio do Itaú declarou hoje que só conseguirá manter os juros baixos com mais reformas. Em evento do Instituto Coalização Saúde (Icos), ele abriu novamente um debate em defesa da desestruturação do BNDES, do capital rentista, além de querer insinuar que "a sensação de recuperação da economia começou a ser sentida", algo que os grandes jornais martelam mas que a grande massa da população não sentiu e nem os dados comprovam essa hipótese.

Porque é importante falar sobre o discurso de Ilan?

Um presidente do Banco Central que tem um longo histórico de ligações com o Itaú suscita suspeitas imediatas, levando em conta de que um país aonde a dominação do capital rentista foi soberana sobre os governos petistas e que só se aprofundou depois do golpe. Ilan, ele mesmo, assumiu o Banco Central em junho de 2016, um mês após Temer assumir a presidência. Olhar atentamente ao seu discurso em uma certa medida é captar qual projeto nossa classe dominante está visando, se partimos do pressuposto de que a pasta da Fazenda (economia), as receitas financeiras, a pauta econômica e a linguagem econômica são as predominantes para a ação governamental podemos afirmar que esse cargo, em especial nesse momento, é um simbolo e um norte ao hiper-concentrado mercado de uma semi-colônia do capitalismo.

Feita essa introdução, olhemos algumas de suas afirmações: - O Brasil recentemente teve "avanços estruturais significativos no plano econômico" - (...) "O Brasil precisa continuar no caminho de ajustes e reformas". Nas palavras da Agencia Estado sobre as declarações de Ilan: (as reformas) "vão permitir a consolidação do ambiente de inflação baixa, e garantir a queda da taxa de juros estrutural e a recuperação sustentável da economia." O presidente esteve também em palestra no Insper e do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na capital paulista, não muito diferente de sua linha no evento do Icos.

Na palestra do Insper ele ressaltou "se de um lado o crédito bancário (para pessoas fisícas está crescendo devagar, no mercado de capitais há uma robustez" (...) e no fim ressaltou que "a sensação de recuperação da economia começou a ser sentida, de fato, no segundo semestre do ano passado". Ou seja, ele primeiro ressalta que há "robustez" somente para o setor financeiro, e depois atribui globalidade a recuperação econômica.

Sobre a escandalosa diminuição de postos de trabalho e desemprego no país, que consta no último balanço do IBGE, com queda de 858 mil pessoas ocupadas, e redução de 92 mil pessoas com carteira assinada ele pouco comentou e tratou o fenômeno como natural.

Disse que: "O emprego sempre começa a se recuperar com um pouco de defasagem. É comum o emprego começar a melhorar não na área formal, mas em trabalhos por conta própria, temporários e na economia informal." (...) “Nos trabalhos mais formais o impacto mais forte vem à medida que a recuperação vai se consolidando.”

O que fica evidente no discurso de Ilan, de conjunto é a preocupação (própria do mercado financeiro) de acentuar o discurso da recuperação financeira, e do assentamento da economia, num momento convulsivo do país, em que para as pessoas comuns e trabalhadores nada mudou. Evidentemente, ele não está dialogando com a população, o que interessa em seu discurso é garantir a confiança do grande capital num momento especialmente favorável para a acumulação e aumento de seus lucros na politica nacional.




Tópicos relacionados

Bancos   /    Banco Central   /    Reforma da Previdência   /    Reforma Trabalhista   /    Reforma Política   /    Economia

Comentários

Comentar