Sociedade

CRIME EM BRUMADINHO

Presidente da Vale falou em estado “impecável” das barragens

Em artigo publicado pelo jornal Valor econômico em abril do ano passado, Fabio Schvartsman afirmou em entrevista que o estado das barragens era “impecável” e “impressionante”

quarta-feira 30 de janeiro| Edição do dia

Na matéria publicada em abril do ano passado Fabio Schvartsman afirmava, em um evento em São Paulo, que o negócio principal da Vale era a sustentabilidade e que esta estaria interligada entre as áreas ambiental, social e econômica da empresa essenciais para a sobrevivência da empresa.

Ainda sobre o desastre em Mariana, o executivo afirmou: "Logo que comecei na presidência, pensei como era o estado das barragens. Se houvesse outro acidente como o de Mariana [em Minas Gerais, quando uma barragem da Samarco cedeu e atingiu a região e o rio Doce], minha gestão seria curta" “Não sei se esse trabalho foi feito depois de Mariana ou se já era assim, mas hoje as barragens são impecáveis.

Logo a realidade veio à tona e vemos como Fabio Schvartsman não poderia estar mais errado.

O que sim é impressionante no crime ambiental em Brumadinho é a irresponsabilidade e hipocrisia com que os altos executivos e o presidente da Vale levaram a frente a política da empresa em se preocupar apenas com o lucro de seus acionistas, mantendo métodos mais baratos de armazenamento de rejeitos de mineração e que consequentemente ofereceram maiores riscos.

O crime ambiental de Brumadinho pode se tornar o maior acidente de trabalho do país e é um dos maiores desastres com rompimento de barragem de minério de ferro do mundo. Até o momento já foram confirmados 84 mortos e 276 pessoas continuam desaparecidas. Esta era uma tragédia anunciada e mesmo com as mortes e danos ambientais em Mariana três anos atrás a sede de lucro dos capitalistas foi implacável sendo responsável novamente pela morte de dezenas (número que tende a aumentar já que centenas ainda estão desaparecidos) de trabalhadores e moradores da região.

O desastre em Brumadinho reflete os impactos trazidos pela privatização da Vale, política esta que o governo Bolsonaro quer estender para outras empresas estatais. Lutar pela reestatização da Vale e barrar a privatização das estatais, que os trabalhadores controlem e administrem, em aliança com a população, os serviços públicos e estratégicos do país é a única forma de acabar com a ganância capitalista responsável pelas mortes e saques das riquezas que deveriam estar à disposição da maioria da população.




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