RACISMO

Presidente da Fundação Palmares defende publicação racista de Bia Kicis: “Ótimo meme”

A deputada federal Bia Kicis publicou no domingo (27) uma montagem com os rostos dos ex-ministros Moro e Mandetta pintados de negro, sugerindo que dessa maneira eles poderiam buscar vagas de emprego na rede Magazine Luiza, referindo-se ao programa trainee que a empresa anunciou para pessoas negras. Sérgio Camargo a defendeu dizendo ser um “ótimo meme”.

segunda-feira 28 de setembro| Edição do dia

Não é a primeira vez que Sérgio Camargo, se envolve em polêmicas, como foi o caso ao chamar o movimento negro de “escória maldita” e afirmar que a escravidão foi “benéfica”. Dessa vez, defendeu um post abertamente racista se referindo ao programa trainee da empresa capitalista Magazine Luiza, que também não escapa das críticas, pois se utiliza do discurso antirracista, fazendo marketing próprio, enquanto mantém a superexploração do trabalho precário que paga salários 60% menores à mulheres negras em relação aos homens brancos.

Bia Kicis, a autora do post racista, é uma das investigadas no inquérito dos atos antidemocráticos aberto em abril, depois que manifestações defendendo a volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e atacando instituições democráticas marcaram as comemorações pelo Dia do Exército. Kicis, bolsonarista e apoiadora dos discursos reacionários de Bolsonaro, também causou confusão ao sair com uma máscara escrito “e dai?”, desrespeitando as famílias que perderam seus parentes pelo Covid-19 ao exaltar a fala de Bolsonaro dizendo “E daí? Lamento. Quer que eu faça o que? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

Não contente em de referir à uma ofensa racista como piada, Sérgio Camargo argumentou em base ao fantasioso racismo reverso, a mesma lógica absurda que Fernando Holiday usa pra defender o fim das cotas raciais: "A extrema-imprensa reagiu a essa postagem de Bia Kicis, um ótimo meme, tachando-a de racista. Mas aplaude o racismo escancarado do programa da Magazine Luiza, exclusivo para pretos. É hipocrisia! Não se importa com o racismo mas o usa como arma política para difamar adversários".

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Mesmo sendo negro e jovem, Sérgio não cansa de atacar a memória daqueles que morreram contra a escravidão, daqueles que sofrem e morrem até hoje fruto do caráter racista inerente de um país escravocrata, e para além disso, do próprio capitalismo. É um verdadeiro representante do governo Bolsonaro que odeia os negros, as mulheres e LGBTs e do capitalismo que usa o racismo para dividir a classe trabalhadora.

O povo negro deve ser linha de frente do combate à todos esses ataques ideológicos sem separá-los dos ataques econômicos, que estarão a serviço de aprofundar ainda mais as miseráveis condições de vida e a taxa de exploração, pois é a juventude negra hoje que ocupa os piores postos de trabalho e que morrerá trabalhando, ou trabalhará até morrer.

A luta contra o racismo é inseparável da luta contra o capitalismo, pois este foi responsável por fundar e até hoje se apoia nessa monstruosidade para garantir seus lucros, para dividir a classe trabalhadora e para que possa atacar ainda mais a nossa classe de conjunto. Os negros serão linha de frente no enfrentamento à Bolsonaro, Mourão e todo o regime apodrecido do golpe.




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