RACISMO

Presidente da Fundação Palmares chama movimento negro de "escória maldita"

quarta-feira 3 de junho| Edição do dia

Não é novidade que o atual presidente da Fundação Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, é um inimigo declarado do movimento negro, que “não tem salvação” e que, assim como o Dia da Consciência Negra, deveria ser extinto, segundo ele, já que a escravidão foi “benéfica” para os descendentes dos escravos. Lamentavelmente, estas declarações asquerosas de Sérgio Camargo, não foram suas últimas.

Ontem, a imprensa divulgou áudios da reunião, ocorrida em 30 de abril, na qual Sérgio Camargo refere-se ao movimento negro como uma “escória maldita”, em meio à explosão de uma nova jornada de lutas antirracista e antifascista no Brasil e nos EUA, após os assassinatos, aqui, do menino João Pedro, baleado dentro de casa, e lá, de George Floyd, sufocado por um policial racista de Minneapolis, Derek Chauvin, que manteve seu joelho pressionado contra o pescoço de Floyd por mais de 10 minutos, enquanto este implorava pela vida, dizendo “I can’t breathe” (não consigo respirar).

Reproduzindo as calunias das classes dominantes contra os oprimidos que provocam sua ira ao ousarem se rebelar, Camargo disse ainda: “Não tenho que admirar Zumbi dos Palmares, que pra mim era um filho da puta que escravizava pretos. Não tenho que apoiar Dia da Consciência Negra. Aqui não vai ter, zero... aqui vai ser zero pra Consciência Negra.” E se referiu a uma mãe de santo que estaria repassando informações da Fundação à imprensa como “uma filha da puta de uma macumbeira.”

Após a divulgação dos áudios, Camargo enviou uma cínica nota ao G1, dizendo que “lamenta a gravação ilegal de uma reunião interna e privada” e que está “em sintonia” com o governo racista e ultra-direitista de Jair Bolsonaro e não com “grupos que, ao se autointitularem representantes de toda a população negra, histórica e deliberadamente se beneficiaram do dinheiro público.”

Mas a resposta a Sérgio Camargo virá das ruas, através da unidade entre negros e brancos, lutando também por fora Bolsonaro e Mourão e por medidas efetivas de combate ao coronavírus, já que, como explicamos aqui, não é por alguma causa genética que a população negra é a que mais morre vítima da covid-19, e sim devido às condições degradantes de trabalho e de vida às quais o racismo e o capitalismo a condena.




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