Economia

PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRÁS

Presidente da Eletrobras diz que está otimista para atacar a estatal com privatização

Mesmo com alterações no calendário, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., disse estar otimista com o processo de privatização da empresa e conta com “entendimentos nas esferas de governo e na Câmara” para isso. Ele ainda prevê o processo de privatização pro mês de junho, mais uma privatização que ataca a população.

Pammella Teixeira

Belo Horizonte

quinta-feira 19 de abril| Edição do dia

Nesta quinta-feira (19), o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., disse em entrevista à rádio CBN, que está otimista com o processo de privatização da empresa, embora tenha havido alterações de calendário. "Sou otimista. Há entendimentos nas esferas de governo e na Câmara para isso. Vamos viabilizar no mês de junho."

O executivo participou de reunião da Apimec-RJ para falar do resultado da companhia em 2017. Nessa reunião ele disse que as seis distribuidoras deficitárias, que tinham leilão previsto para o final de maio, agora deverão ser vendidas em meados de junho, antecipando o ataque para antes das eleições. Mas a confirmação da data depende de um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) e de um acordo com a Petrobras sobre uma dívida da Amazonas Energia, referente ao consumo de combustível por térmicas da distribuidoras de eletricidade.

Sobre os motivos para a privatização, Ferreira Jr. usou argumentos já bem conhecidos. Comentou que há elevados índices de fraude nas contas de luz e que é preciso considerar a qualidade do serviço. Segundo ele, "Haverá uma melhora para o consumidor na questão das tarifas. Entendo que no momento em que essas coisas forem colocadas à mesa com o TCU, haverá entendimento de perspectiva de melhora".

Ele ressaltou ainda que a perspectiva é baixar as tarifas com a privatização e usa a desculpa de que os aumentos de tarifas já ocorreram no ano passado, sem relação com a reestruturação da Eletrobras, mas como um mecanismo comum e anual de reajustes. Tentando justificar a privatização.

O presidente da Eletrobras se mobilizou para garantir a aprovação do governo e se apresentou à Câmara dos Deputados neste semana, levando o projeto e vários deputados da base aliada se manifestaram a favor. Sobre o apoio dos novos ministros, ele disse que conta com três nomes familiarizados com a questão da privatização da Eletrobras Citando o ministro de Minas e Energia anterior, Fernando Bezerra Filho, disse que "num prazo de dois anos conseguimos avançar muito, culminando inclusive na privatização da Eletrobras. Havia muita dúvida com a saída do Fernando Coelho, mas entendo que Moreira Franco está alinhado com perspectiva de privatização desde o início". Ele também citou o novo ministro do Planejamento, Esteves Colnago, "que foi conselheiro da Eletrobras", e o da Fazenda, Eduardo Guardia, que já se manifestou publicamente favorável à operação.

O que Ferreira Jr. não fez questão de dizer em meio a tantas declarações "otimistas" e de apoio à privatização da Eletrobras, foi que o TCU emitiu parecer em que dizia que a venda de seis distribuidoras provocaria enriquecimento sem causa de agentes privados e aumento de tarifas ao consumidor.

Leia também: 7 motivos para lutar contra a privatização da Eletrobras

Além disso, o que está nos planos de privatização da Eletrobras é uma alteração que beneficia enormemente os investidores: alterar o regime de venda de 14 hidrelétricas antigas, para que estas passem a obter uma alta margem de lucro. No regime de “cotas” como é chamado atualmente, o custo é de R$60 a R$70 por megawatt/hora, com a privatização esse custo quase triplica.

Quem pagará por esse aumento da tarifa e o lucro dos capitalistas serão milhões de trabalhadores. Muitos desses mal conseguem pagar suas contas recebendo salários mínimos miseráveis e terão ainda mais dificuldade com a entrega da Eletrobras ao setor privado. O projeto de privatização da Eletrobras só deixa ainda mais evidente o objetivo desse governo e de seus acordos com capitalistas de diferentes setores, de manter o lucro das grandes empresas, nacionais e internacionais, intacto, e garantir o financiamento desse governo e toda uma corja de políticos corruptos.




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