Sociedade

Presidenta do Supremo Tribunal Militar inocenta Generais em entrevista, eles não estão buscando impunidade

A ministra do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, em entrevista à BBC Brasil, falou sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro, decretada por Temer, que coloca os militares no comando total da segurança do estado, e afirma crer que o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, não está buscando impunidade ao pedir garantia de que não ocorra nova comissão da verdade, além de dizer que os militares não devem ser culpados caso a operação “dê errado”.

sexta-feira 23 de fevereiro| Edição do dia

A ministra, que é a primeira mulher juíza do STM e também a presidi-lo, alega que foi colocada ali para atuar contra o machismo e para fazer um “diálogo” com os militares, uma vez que é uma civil. Rocha acredita que seu “olhar de mulher” vem fazendo a diferença em tornar as forças armadas menos conservadoras. Sobre a intervenção no Rio, criticou a falta de planejamento e disse que ela já deveria ter acontecido antes, e por não haver um plano, os militares não devem ser responsabilizados caso a operação não dê resultado.

Rocha disse que os militares “não são capitães do mato” e citou o massacre do Carandiru para comparar o Tribunal civil ao militar, demonstrando como a lei é mais rigorosa no segundo, como forma de “tranquilizar” a população para possíveis necessidades dos militares serem julgados por crimes que cometam durante a operação, porém se contradisse quando afirmou que o general não estava buscando impunidade, uma vez que ele explicitamente pediu garantia de não haver Comissão da verdade.

A Comissão Nacional da verdade foi instaurada em 2011 como forma de julgar os crimes e violações aos direitos humanos ocorridos durante a época da ditadura militar, e ela concluiu que houve uma política estatal de crimes diretos contra a população civil, caracterizando em crimes contra a humanidade, uma vez que o general menciona algo do tipo, deixa transparecer que tipo de conduta o exército está se preparando para ter durante a intervenção, portanto, não só não é verdade que ele não está procurando impunidade, como está procurando no que diz respeito a atentados contra a humanidade, espécie de crime apurado em tal Comissão.

Ao comentar esta afirmação a ministra deixou claro sua opinião de que o atual presidente, Michel Temer foi “democraticamente eleito”, uma vez que fazia parte da chapa de Dilma Rousseff, e que portanto não há o que se preocupar em relação à democracia, já que tal medida foi aprovada pelo Congresso Nacional, o que ela define como ‘caixa de ressonância da sociedade”. A ministra parece ignorar todo o processo do Golpe Institucional que levou Temer à presidência, sendo que uma presidenta democraticamente eleita foi retirada de forma arbitrária para que se pudesse aprofundar todos os ataques que o PT vinha não conseguindo aplicar tão bem nos seus últimos anos de governo, além do mais, pesquisas apontam que Temer é o presidente com maior reprovação da história, escancarando mais ainda o caráter ilegítimo de seu governo.

De forma geral, a ministra segue na entrevista tentando tranquilizar a população de possíveis problemas como impunidade nos crimes, não efetividade da operação e falta de preparo das forças armadas, na clara posição de tirar delas quaisquer responsabilidades pelos erros cometidos, além de mencionar que, por serem formadas por homens, as forças armadas “podem cometer erros” naturalizando aspectos de opressão de gênero e mal preparo.

É um absurdo que os militares deixem claro sua intenção, pedindo essa garantia que é quase uma carta branca para fazer o que queiram nas favelas do Rio de Janeiro, e é um absurdo que a juíza presidente do Supremo Tribunal Militar esteja dando desde já indicativos de como o judiciário, mesmo no que compete questões militares, cumpre um papel arbitrário de proteger os de cima em suas empreitadas contra a população. estas declarações deixam ainda mais claro como é urgente a necessidade de retirada das tropas do estado e que se pare de tentar “resolver” o problema do Rio de Janeiro atacando as consequências e não o problema em si, que é o racismo institucionalizado que mata a juventude numa falsa guerra às drogas, quando os verdadeiros traficantes muitas vezes são amigos íntimos dos policiais.

Confira aqui a entrevista com a Ministra.




Tópicos relacionados

Intervenção Federal   /    Sociedade   /    Rio de Janeiro   /    Política

Comentários

Comentar