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Presidência Trump: mescla explosiva de cautela geopolítica e agressividade econômica

Trump e a política exterior norte-americana: entre maior unilateralismo e equilíbrio de poderes no plano geopolítico; lançamento de uma ofensiva econômica contra a China, os países semicoloniais e Alemanha como competidor imperialista.

Juan Chingo

Paris | @JuanChingoFT

terça-feira 15 de novembro| Edição do dia

Como responder ao peso da decadência hegemônica norte-americana

A hegemonia norte-americana, diferentemente da britânica no século XIX e começo do século XX, tende à supremacia. Ou seja, diferente da Grã Bretanha, cujo domínio imperial implicava fundamentalmente na subordinação do mundo menos desenvolvido, os Estados Unidos impôs, depois da Segunda Guerra Mundial (e que é a razão última da sua participação na guerra, depois dos limites de seu modelo de acumulação demonstrado na Grande Depressão) uma mudança qualitativa na modalidade das formas da hegemonia, estendendo a subordinação de outros Estados industrializados, fossem inimigos ou aliados, às prioridades da acumulação de uma potência hegemônica.

Estas modalidades de domínio geraram enormes lucros para a classe dominante norte-americana e das principais potencias imperialistas enquanto esta hegemonia ocorreu de forma benévola, como foi o caso durante a Guerra Fria [1]. Mas depois da queda da ex-URSS e com a falta de um inimigo de igual tamanho que pudesse manter sob controle as pretensões dos outros centros de poder ocidentais aos desígnios de Washington, as divergências no interior deste bloco, desde as potencias europeias até o Japão, aumentam. Estes últimos, em especial países como França e Alemanha que se opuseram à guerra do Iraque em 2003 ou mais recentemente, sobretudo o segundo, em relação à política de escudo mísseis no Leste europeu ou o conflito ucraniano, começam a ver os Estados Unidos não como garantidor da ordem mundial, mas sim como ameaça contra si mesmo. Em relação à América do Norte, as crescentes tensões no interior da aliança Transatlântica, em especial na Europa, gera uma mudança na percepção e na utilidade do velho quadro político/geopolítico desenhado no pós-guerra e sua relação entre custos e benefícios para o atual hegemon. São estas as razões, em última instância, que explicam a hostilidade de Trump com os aliados e as reações e temores que gera este personagem nas elites ocidentais.

Entre maior unilateralismo e equilíbrio de poderes no plano geopolítico...

Frente a estas contradições, nos apressamos em dizer que a propaganda do retorno ao isolacionismo de Trump é uma mera ilusão: os Estados Unidos não vão e não podem se retirar do mundo. Pelo contrário, no plano geopolítico, sua política exterior podemos conjecturar que se baseará em duas linhas. Por um lado, poderíamos dizer que em relação à desgastada ordem mundial do pós-guerra, Trump quer dar um novo toque para a aproximação de George W. Bush e os neocons ao mundo depois de 11S, profundamente unilateralista e hostil às instituições internacionais. Este é o aspecto que assusta os europeus, que veem que as garantias de segurança norte-americanas não seriam tão sólidas como antes. Mas, ainda que tenha semeado dúvidas sobre seus compromissos internacionais na campanha, Trump não busca provocar um giro geopolítico maior, como poderia ser perder o interesse na OTAN, mas sim uma inflexão no financiamento do instrumento militar norte-americano [2].

Contudo, é provável que esta demanda vá de encontro com os mesmos freios que as anteriores: os Estados Unidos tem a intenção de manter o controle da Aliança Atlântica, de forma que deixa muito pouco espaço para a autonomia estratégica de seus aliados. É compreensível que nestas circunstâncias poucos estados se inclinem a aumentar significativamente seus esforços de defesa.

Por outro lado, e depois do fracasso da ofensiva de Bush e dos neocons em redefinir a hegemonia norte-americana, como foi a tentativa com a invasão do Afeganistão e em especial do Iraque, as operações militares terrestres massivas na Eurásia estão acabadas. Os Estados Unidos não está preparado para tirar um proveito estratégico deste tipo de conflito (quer dizer não só eliminar os ditadores, coisa que tem feito com relativa facilidade, senão impor uma nova ordem política e social nos países invadidos) que implicaria uma volta do recrutamento, que na situação atual de despertar político da juventude e da minoria negra poderia ser uma dinamite social.

Frente a esta realidade, os Estados Unidos estão avançando para uma estratégia de equilíbrio de poder no mundo, onde evita a intervenção direta em favor de uma política intervencionista que se baseie mais nos aliados e nas estruturas globais de poder, em especial para lidar com a massa continental eurosiática que se tornará cada vez mais caótica nas próximas décadas. Por exemplo, o "heartland" (coração, núcleo) do Oriente Médio está no caos e não é possível se estabilizar no curto-prazo. Mas os Estados Unidos não pode se permitir continuar utilizando todos seus recursos na região. Trump buscará cooperar com os poderes regionais e as diversas frações no terreno para atacar o Estado Islâmico, inclusive não pode se descartar uma maior cooperação com a Rússia na Síria.

Contudo, inclusive se ocorre esta cooperação complexa - que não está assegurada, mas não se pode descartar- e inclusive com uma melhora da química entre Trump e Putin, não é fácil aventurar um giro estratégico nas relações entre Estados Unidos e Rússia que provoque uma mudança estratégica no tabuleiro mundial, como propõe certos thinktanks. É que enquanto Obama conseguiu importantes avanços diplomáticos na relação com Cuba, assim como com o Irã, durante sua presidência ocorreu um retrocesso geopolítico maior: a aproximação da China com a Rússia, empurradas pela política neocon na Ucrânia. Como diz o principal representante da escola geopolítica do realismo ofensivo, John Mearsheimer, devido a fustigar Moscou, "os estadunidenses tem empurrado estupidamente a Rússia para os braços dos chineses". Afirmou que a Rússia pode optar por se unir "a coalizão de equilíbrio contra China" e expressou sua esperança de que "os Estados Unidos se darão conta de que as más reações com Rússia são uma má ideia".

Em um artigo em National Interest de 2014, Mearsheimer disse que a maioria dos vizinhos de Pequim como Índia, Japão, Rússia e Vietnã se uniriam aos Estados Unidos para conter o poder chinês. Mas é difícil que Trump se arrisque a isso (fazendo inversamente o que Nixon conseguiu na relação com Moscou com a abertura das relações com a China de Mao). Por exemplo, os escudos antimísseis na România, a República Tcheca e Polônia foram reivindicados pelo candidato Trump como instrumentos de defesa dos Estados Unidos. Ele próprio apresentou este elemento estrutural irritante para Moscou como um elemento indispensável da relação de poder com Teerã. Longe de se diferenciar dos presidentes estadounidenses anteriores, Trump assume a mesma posição - inaceitável para Moscou.

Além disso, mas igualmente importante, se ele deseja se comprometer num novo programa de rearme (como parte de sua política de reindustrialização, ver abaixo), necessitará promover a exportação de material de guerra. Neste marco, o melhor argumento de venda da indústria dos Estados Unidos na Europa sempre tem sido a solidariedade estratégica dos Estados Unidos através da OTAN. Uma nova evidência recente desta realidade: as autoridades polacas tem preferido abandonar o contrato já firmado de venda de helicópteros militares da Airbus (Caracal) para se abastecer nos Estados Unidos, gerando uma crise diplomática com a França.

... que prepara uma ofensiva econômica contra China, os países semicoloniais e Alemanha como competidor imperialista

Contudo se a sua promessa de "América primeiro" parece cautelosa no plano geopolítico frente ao intervencionismo desenfreado que propunham os neocon que haviam se alinhado com Hillary Clinton, é no plano econômico -que adquire prioridade em seu futuro mandato- onde o trumpismo mostra sua verdadeira cara agressiva. Poderíamos dizer que é inverso ao golpe de força geopolítico do Bush filho cujo "caráter revolucionário" se baseava em sua tentativa de invadir um país de peso de uma área estratégica para a produção e o transporte do petróleo mundial como o Oriente Médio, não só sem a votação do Conselho de Segurança da ONU senão que sem o aval dos aliados centrais da OTAN como França e Alemanha. Trump com suas decisões de política econômica interna e seu forte protecionismo é fundamentalmente "revolucionário" no terreno econômico, mas com uma diferença de contexto qualitativa: diferentemente de 2003, estamos no meio de uma crise histórica e estrutural da economia mundial e no marco do estreitamento do mercado mundial, razão pela qual as chantagens que Trump faz aos rivais dos Estados Unidos pode dar lugar a maiores confrontos políticos, geopolíticos e até militares entre as grandes potências.

No plano interno, seu manifesto eleitoral - já tomado seriamente pelos mercados um dia após a eleição- equivale a um estímulo fiscal massivo, com cortes de impostos de grande amplitude (às pessoas e às empresas), uma explosão de 1 bilhão em infraestrutura e a construção de uma armada imperial de 350 barcos de combate.

É uma repetição da Reaganomics a princípio dos anos oitenta, uma reflação ou neokeynesianismo infraestrutural/militar, que vai aumentar o déficit fiscal. Igualmente, poderíamos dizer que se parece mais ao New Deal de Roosevelt, ainda que financiado parcialmente pelo dinheiro privado. O gasto em infraestrutura deste tipo é o que economistas como Larry Summers e Paul Krugman vem pedindo desde o princípio da crise de 2007/2008, ainda que o primeiro, ainda que deu as bens vindas a este impulso, disse que o mesmo estava mal desenhado e poderia não conseguir os resultados esperados [3]. A expansão fiscal permite ao Federal Reserve aumentar as taxas de juros mais rápido. Seu vice-presidente Stanley Fischer inclusive tem posto uma cifra, sugerindo que cada ponto percentual do PIB no relaxamento fiscal implique num aumento de taxas de 50 pontos básicos.

Desta forma, a "Trumpnomics" muda a estrutura de crédito estadounidense e mundial e as taxas de câmbio: uma volta à combinação de "política fiscal expansiva/política monetária restritiva"que deu lugar ao dólar alto na década de 1980, com dramáticas consequências mundiais. Esta política pode acelerar a fuga de capitais dos países emergentes e da China. O calcanhar de Aquiles naqueles países é a dívida corporativa, que tem quintuplicado para 25 bilhões de dólares, e pode estar indiretamente vinculada às taxas dos Estados Unidos, inclusive se está denominada em moedas locais. Na Europa, este giro pode finalizar a recuperação econômica dos últimos meses, facilitada pela queda do euro e a baixa dos preços das matérias primas, em especial o petróleo.

Este giro potencialmente devastador para o mundo das políticas monetárias e cambiais da principal potência econômica mundial vem acompanhado por sua vez de um aumento da ameaça protecionista. Ainda que o TLC e México em particular, tem sido objeto de numerosos ataques de Trump durante sua campanha, é em relação à China que suas posições tem sido as mais agressivas. Suas ameaças são provavelmente pronunciadas com a intenção de colocar seus parceiros comerciais sob pressão, ao invés de se aplicar. Assim, por exemplo, a aplicação de uma tarifa de 45% contra os produtos chineses é acompanhada de um "se não se comportarem bem" ("if they don’t behave").

O passado tem mostrado o custo das guerras comerciais, e este seria muito maior no contexto atual, onde quase 40% das exportações dos Estados Unidos são parte das cadeias de valor internacionais, seja porque estão compostas de partes e componentes importados, seja porque são partes e componentes que depois são integrados nas exportações de outros países. Seu custo potencialmente proibitivo pode ser o obstáculo maior numa disputa comercial de grandes proporções.

Mas dito isso, o importante para levar em conta é que se bem os Estados Unidos sofreriam danos pelas guerras comerciais, mais grave seria o dano daqueles estados ultra dependentes do comércio exterior (os chamados mercantilistas, no jargão econômico) que aproveitam do caráter aberto do mercado dos Estados Unidos sem a mesma reciprocidade. Ao nível das potências imperialista, a equipe de Trump nomeia especificamente a Alemanha, alegando que utiliza os dispositivos do euro para manter baixas as taxas de câmbio e se agarrar a um superávit comercial de 8,5% do PIB.

Em relação à China, os impostos punitivos seriam traumáticos, dado o tipo simbiótico das relações empresariais entre Estados Unidos e China, em especial em ramos com alta tecnologia. Contudo, uma guerra comercial entre Estados Unidos e China não seria simétrica. A debilidade da posição econômica da China -disfarçada sob a áurea do avanço imparável das últimas décadas- se tornaria dolorosamente óbvia e poderia adiantar a hora da verdade para os bancos da China e seus devedores corporativos.

Seguramente o sangue não chegará ao rio no terreno comercial com o dano e deterioração irreparável que isso teria para a já debilitada economia mundial, questão que poderia afetar inclusive os planos de crescimento interno do futuro mandatário norte-americano. Mas a dura realidade é que a chegada de Trump, junto ao crescente giro protecionista de Berlim, anuncia possivelmente o final de uma era em que Pequim poderia contar com um ambiente internacional benigno e propicio para seu desenvolvimento econômico, questão que além das aparências preocupa muito na capital chinesa. "Nos dirigimos para um século obscuro", disse Wu Qiang, professor das ciências políticas da Universidade de Tsinghua. "A era de instabilidade tem chegado. Muitos países estão agora polarizados, transformando a política global" [4].

Em conclusão, uma política protecionista e uma manipulação do dólar e das taxas como instrumentos de uma reindustrialização dos Estados Unidos, descarregando a crise em seus competidores imperialistas (Alemanha) e competidores estratégicos (China) e os países débeis da periferia que caem a boleada na exacerbação da luta entre as principais potências capitalistas.

O futuro está cheio de interrogações e de cenários sombrios. Formulemos alguns: Permitirão os setores mais concentrados do capital que Trump aplique esse programa arriscado para os interesses das transnacionais e sua divisão da cadeia de produção já muito avançada a nível mundial? Serão suficientes as ameaças para que Pequim ceda aos requisitos norte-americanos? Se unirão, depois de umas primeiras escaramuças, Alemanha e Estados Unidos para demandar uma abertura maior dos mercados chineses, questão que permitiria um salto na penetração de seu suculento mercado doméstico em vários ramos por hora reservados a suas grandes empresas estatais? Ou, pelo contrário, a radicalização de Washington em relação mesmo com Europa e Berlim levaria a esta volta para restabelecer relações com Moscou e por via do vértice putinista com China oferecendo uma frente euroasiática que empurre para uma saída do dólar como moeda de reserva mundial, permitindo uma acumulação mais produtiva desligada do controle das finanças de Wall Street? Nem sequer assumiu o Trump para responder a essas perguntas, mas muitas já se pronunciam nos corredores dos distintos círculos de poder dos países afetados.

O crepúsculo da ordem mundial do pós-guerra

Ainda temos que ver se a guerra comercial e financeira entre as principais potências imperialistas dará um salto. Em Bruxelas, a incerteza já tem levado alguns funcionários da União Europeia a recuperar a ideia da criação de um exército europeu e alguns eurodeputados tem começado a flertar com uma ideia de um ambíguo "euronacionalismo", oposto tanto aos Estados Unidos como à Rússia. Nicolas Sarkozy, que sob seu mandato devolveu a França ao comando militar da OTAN, propôs aplicar uma taxa de carbono de 2 a 3% sobre as exportações norte-americanas se Trump não respeitar o acordo Climático de Paris, como adiantou. Mesmo a pró-norte-americana Angela Merkel, que seguiu quase sem dúvidas as sanções de Obama contra a Rússia inclusive contra os interesses de muitas grandes empresas, respondeu firmemente à eleição de Trump: "Alemanha e Estados Unidos", disse, "estão unidos pelos valores da democracia, da liberdade e o respeito à lei e à dignidade humana, independente de sua origem, cor de pele, religião, gênero, orientação sexual ou ideias políticas. Ofereço ao próximo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma estreita cooperação baseada nestes valores". Para os desmoralizados "progres" centro esquerdistas, Angela é a nova "líder do mundo livre", expressão que se costumava ouvir em referência ao presidente dos Estados Unidos.

Os globafílicos deprimidos do Financial Times vão mais longe: "A história pode se desviar do curso. Ocorreu em 1914 quando a primeira era da globalização foi consumida nas chamas da Grande Guerra; e de novo durante a década de 1930, quando as dificuldades econômicas, o protecionismo e o nacionalismo alimentaram o auge do fascismo na Europa. A vitória eleitoral de Donald Trump anuncia outros desses perigosos deslocamentos" [5]. Contudo, ainda que as bases políticas da ordem do pós-guerra estão cambaleando, os novos líderes nacionalistas fortes ou bonapartistas deverão vencer a resistência da classe operária e seus planos para poder ir até o final com seus propósitos.

Combater as soluções demagógicas soberanistas ou neoprotecionistas

Nada disso está assegurado. Muita luta de classes deverá ocorrer e em especial derrotas histórias dos principais proletariados do mundo para a perspectiva ameaçadora que aponta o editorialista do Financial Times se concretize. Por sua vez, a cara mais aberta do imperialismo norte-americano com Trump e o apoio a todos os ditadores e governos conservadores pró-imperialistas no mundo semicolonial, promete um ressurgir do anti-imperialismo como há décadas não se via, começando possivelmente no México.

A perspectiva mais geral que se abre é de golpes reacionários, mas também de crises políticas cada vez mais frequentes que vão abrir oportunidades de divisão dos de cima que permita a emergência do proletariado. Se, e somente se, este souber superar suas divisões de raça, de gênero, de nacionalidade e não escutar os demagogos da esquerda que começam a fazer eco do outro lado do espectro político aos nacionalistas xenófobos, mas esquecendo ambos que o problema central não é a contradição entre Globalização vs Estado/Nação nos países centrais, mas sim o afã insaciável de lucros das transnacionais e o capitalismo.

No marco da exacerbação das tensões sociais, as soluções demagógicas soberanistas e neoprotecionistas poderiam se desenvolver e inclusive contaminar certos setores de esquerda. É fundamental que desde a esquerda denunciemos corretamente este programa reacionário que não oferece nenhuma saída aos males do capitalismo. A visão que levanta que as deslocalizações são a única causa das penúrias dos trabalhadores, tem dois problemas graves. Por um lado, está equivocada empiricamente. Como já tem mostrado vários economistas marxistas, em debate com os argumentos neoprotecionistas, a degradação do salário em relação à produtividade é uma tendência muito regular desde 1982 nos Estados Unidos, para falar da terra que chega a coroar Trump. Mais importante ainda, com relação as deslocalizações como razão exclusiva da regressão social, é fundamental apontar que a chave não são os países mas o tipo de divisão de trabalho instituída pelas multinacionais.

É fundamental combater consequentemente contra estas ideias para não cair na armadilha que tende a converter em adversários entre si as trabalhadoras e trabalhadores dos diferentes países, ou seja sob a forma de um novo protecionismo dos países imperialistas contra China ou outros países dependentes ou semicoloniais. Mais do que nunca frente ao nacionalismo xenófobo, as bandeiras do internacionalismo proletário, se a sabemos explicar bem frente à raiva crescente dos explorados do mundo inteiro, são de uma atualidade premente.

[1] Este período tem sido qualificado como de "hegemonia benigna" ou "benevolente". A chave do dito comportamento, esteve baseada na necessidade dos Estados Unidos de conter o avanço da influência comunista tanto na Europa como no Japão, ambos devastados pela guerra. O estado imperialista norte-americano atuou como garantidor da "livre empresa", promovendo como base para a consolidação política de sua hegemonia o êxito econômico de seus aliados e competidores, ao mesmo tempo que recriava um mercado para a expansão das suas multinacionais no estrangeiro. Assim, ao mesmo tempo que os Estados Unidos assegurava que suas empresas ficassem com a "parte do leão" da acumulação capitalista mundial, permitiu e alentou o extraordinário crescimento que Alemanha e Japão, as duas potências derrotadas na Segunda Guerra, tiveram durante o "boom".

[2] O que o presidente Trump tratará sem dúvida de fazer é exercer uma pressão mais forte sobre os aliados para financiar o esforço de defesa dos Estados Unidos (o "guarda-chuva de segurança"), como tem feito todos os presidentes estadounidenses desde a crise econômica da década de 1970. Por exemplo, os presidentes dos Estados Unidos conseguiram financiar 70% da presença militar estadounidense no Japão pelo governo japonês. Enquanto a Europa, o presidente Trump retomará o tema recorrente dos presidentes dos Estados Unidos: os estados europeus devem levar a 2% do PIB (excluídas as pensões) seus orçamentos nacionais de defesa.

[3] Ver “A badly designed US stimulus will only hurt the working class”, Lawrence Summers, Financial Times 14/11/2016

[4] “Beijing reacts cautiously to Trump triumph”, Financial Times 9/11/2016

[5] “America can survive Trump. Not so the west”, Philip Stephens Financial Times 10/11/2016




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