Mundo Operário

GREVE

Presente de Natal para os metroviários de BH é a retirada de direitos: todo apoio à greve

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

domingo 23 de dezembro de 2018| Edição do dia

Desde o dia 19 de dezembro os metroviários de Belo Horizonte estão em greve, após a empresa tentar retirar direitos para impor uma maior precarização do trabalho. Os trabalhadores exigem a retirada de 12 cláusulas do acordo coletivo que favorece os interesses da empresa. Denunciam também a proposta de reajuste apresentada pela CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), que seria pouco além da metade do aumento da inflação considerando os anos de 2018 e 2019.

Enquanto os trabalhadores e a população se endividam, os empresários e capitalistas seguem lucrando. Uma mostra de como a crise que toma Minas Gerais vem sendo descarregada nas costas dos trabalhadores e da população. Situação que já acontecia no governo petista de Fernando Pimentel e que tende a se aprofundar ainda mais com os governos de Jair Bolsonaro e de Romeu Zema em Minas Gerais, com ameaças de privatizações mais profundas.

No mês de novembro a população de BH e região metropolitana teve que arcar com alguns dias de aumento de 89% da tarifa do metrô imposta pela CBTU, que recuou após denúncias de irregularidades no aumento estrondoso. Agora no mês de dezembro, é a população e os trabalhadores quem mais uma vez podem ser alvo de mais um roubo.

Isso porque, junto à tentativa de retirada de direitos dos metroviários, os empresários dos transportes estão mais uma vez fazendo seu lobby para tentar impor que as passagens de ônibus de BH e região metropolitana sigam como uma das mais caras entre as grandes capitais. E a prefeitura de Alexandre Kalil já cedeu aos empresários prometendo um aumento para R$4,50 da tarifa para janeiro de 2019.

Vemos, portanto, que enquanto os transportes estiverem nas mãos dos grandes empresários e dos interesses privatistas dentro da CBTU, administrando uma fortuna com o aval das prefeituras e dos governos, a população e os trabalhadores seguirão sendo os principais prejudicados.

Por isso, junto ao completo apoio à greve dos trabalhadores metroviários por seus direitos em uma greve legítima, precisamos lutar pelos direitos de toda a população contra os interesses dos empresários e da conivência dos políticos com estes. Contra tamanho roubo de nossos salários, a retirada de direitos dos trabalhadores e contra o aumento das tarifas, defendemos a estatização completa de todo o sistema de transporte, que passe a ser gerido pelos trabalhadores com controle da população.




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