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#28A

Preparar uma greve geral até derrubar Temer e as reformas! Por uma Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta

O dia 28 promete ser histórico, uma das maiores paralisações em todas últimas décadas. Vencendo os limites das direções das centrais podemos e precisamos lutar pela construção de uma greve geral até derrubar Temer e todas as reformas e com essa força impor uma Constituinte para que os capitalistas paguem pela crise.

terça-feira 25 de abril de 2017| Edição do dia

Em cada local de trabalho e estudo a insatisfação com o governo golpista do Temer só aumenta. Esse processo culminou no dia 28 de abril, um dia histórico em que a classe trabalhadora paralisa o país como não se via há anos ou até décadas. A reforma da previdência fez explodir o descontentamento que vinha se acumulando com a limitação dos gastos em saúde e educação (PEC 55/241), a reforma do ensino e outros ataques.

Isso obrigou as direções das centrais sindicais a convocarem uma paralisação no dia 15/3, que foi forte, ganhou apoio massivo da população e entre os trabalhadores que já queriam parar há tempos. São Paulo foi central, com os metroviários, rodoviários e professores na linha de frente. Em estados como Minas Gerais começava uma forte greve da educação. Em todo o país a classe trabalhadora entrou em cena, parando amplos setores do funcionalismo, das universidades e escolas, mas também dos serviços estratégicos e da indústria. Centenas de milhares saíram às ruas.

Mas o governo não deu trégua nos ataques e aprovou a ampliação da terceirização, que afeta toda a classe trabalhadora, principalmente as mulheres e negros mais pobres. E agora estão votando a reforma trabalhista, que acaba com as poucas garantias das leis trabalhistas, deixando esses direitos sujeitos a uma "negociação" com cada patrão. E com isso se preparam para votar a reforma previdenciária que, mesmo com as tímidas modificações com que o governo acena, “reconhecendo” a força da mobilização dos trabalhadores, impõe uma idade e tempo de contribuição mínimos para aposentadoria que para a grande maioria dos trabalhadores significará trabalhar até morrer.

O mais absurdo é que isso ocorre em meio ao maior escândalo de corrupção, das delações da Odebrecht. Mais uma mostra de que os políticos corruptos estão dispostos a tudo para beneficiar a si próprios e aos capitalistas a quem servem. Temer já tem menos de 10% de popularidade, a população rechaça massivamente as reformas, mas ele segue tentando atacar para fazer o serviço para o qual foi chamado com o golpe institucional: atacar os trabalhadores ainda mais forte e rápido do que o PT já vinha fazendo, já que este também foi agente de ataques nos governos Lula e Dilma e em vários estados e cidades onde governa.

Os ataques seguiram depois do 15/3 porque do lado do movimento houve trégua, imposta pelas direções sindicais burocráticas, em especial a CUT, CTB e Força Sindical. Elas enrolaram um mês e meio até o dia 28/4, quando novamente a classe trabalhadora, aliada com a juventude e os setores populares mostra grande disposição de luta com um dia histórico, apesar de que as direções não organizaram efetivamente pela base, o que faria esse dia ainda muito mais forte.

Não podemos permitir uma nova trégua. Exigimos das direções sindicais que convoquem a continuidade de um plano de luta logo após o dia 28, que seja combativo e efetivo, que coordene novas e mais fortes paralisações, jornadas nacionais, cortes de rua, piquetes e que preparem uma verdadeira greve geral, que vá muito além da paralisação de um dia, que seja mantida até derrubar Temer e cada um dos seus ataques. Todos os que defendem o Fora Temer deveriam se unificar nessa perspectiva, sem deixar que essa se transforme numa consigna que desgasta o governo, mas com o objetivo de fundo de preparar a eleição do Lula em 2018, como querem a CUT, CTB e outros setores.

Na mão das cúpulas, ficaremos reféns das tréguas e traições. Batalhemos para que todos os setores em luta contra os ataques convoquem um Encontro Nacional de delegados eleitos em cada local de trabalho, estudo e nos movimentos populares. O PSOL, a CSP-Conlutas e outras organizações sindicais e políticas da esquerda que se colocam no campo da independência do PT têm uma responsabilidade especial nessa tarefa.

Não podemos pensar que eleger Lula em 2018 é a saída para nossos problemas e nem acreditar naqueles que nos vendem isso como perspectiva. O PT já mostrou a que veio, se metendo na corrupção e nos atacando. Também não podemos confiar que da Lava Jato vai vir uma saída a favor dos trabalhadores. Essa operação ganhou legitimidade por denunciar os esquemas de corrupção, mas tem por trás objetivos muito maiores e opostos aos nossos. Querem trocar um esquema de corrupção por outro, que atenda ainda mais os interesses do grande capital imperialista, e fortalecendo o autoritarismo do judiciário que também está sendo agente de ataques contra os trabalhadores. Não nos iludamos de que novas eleições, sejam elas em 2018 com Lula, ou mesmo antecipadas, vão resolver o problema. Não adianta mudar os jogadores se não mudamos as regras do jogo.

Somente com a força dos trabalhadores, aliados ao movimento estudantil e popular é que podemos superar as direções burocráticas que controlam as mobilizações e dar uma resposta à crise do país. Retomando o espírito de junho das lutas massivas, mas dessa vez com a classe trabalhadora no centro, podemos nos colocar grandes objetivos. Nossa perspectiva tem que ser a de fazer com que sejam os capitalistas que paguem pela crise e de avançar da paralisação nacional histórica desse dia 28 para uma grande greve geral efetiva que não termine enquanto não derrubarmos Temer e todos os ataques, e que nos permita impor através da luta uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, que reorganize todo o país e faça com que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Por isso também não podemos cair na armadilha de falsas propostas de “Constituinte” organizada pelos políticos que estão aí, que setores da direita colocam para tentar tirar ainda mais direitos nossos, nem a chamada “reforma política” que eles discutem para manter o atual sistema político, com alguns remendos ainda mais antidemocráticos.

Com nossa mobilização independente e uma verdadeira greve geral podemos questionar as bases desse sistema que está a serviço dos patrões e seus políticos e justiça, a serviço dos ricos e poderosos. Impondo uma verdadeira Constituinte Livre e Soberana para lutar pelo fim dos privilégios, para que políticos e juízes sejam eleitos e revogáveis, e recebam o mesmo salário de um professor. Para não pagar a dívida pública, que é uma “bolsa banqueiro” enquanto vivemos na miséria. Para impor impostos progressivos sob as grandes fortunas dos capitalistas. A Reestatização de todas as empresas privatizadas e colocar sob controle operário toda empresa que demita em massa. Para colocar fim ao desemprego e aos salários de miséria batalhando pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário e com salário mínimo do DIEESE, reduzindo a jornada de trabalho até garantir que todos tenham salário e emprego digno, com as horas de trabalho divididas entre todos.

Essa é uma perspectiva anticapitalista que é a única saída contra as perspectivas enganosas de conciliar interesses com os patrões e os políticos da burguesia. Venha batalhar por essa perspectiva junto com o Movimento Nossa Classe, o Pão e Rosas, a Faísca – Juventude anticapitalista e revolucionária - e o Esquerda Diário, impulsionados pelo Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) junto a independentes.

Foto: Paulo Iannone




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