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CRISE POLÍTICA

Preocupado com Impeachment, Bolsonaro entrega cargos ao centrão e contraria Weintraub

Em meio a profunda crise sanitária que atravessa o Brasil e o mundo, o governo Bolsonaro está buscando aliados na ala mais corrupta do Congresso para ganhar votos e - se não impedir - estar bem posicionado caso haja algum processo de impeachment. Com essa meta é que foram distribuídas diretorias do bilionário Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação à políticos do chamado centrão, a despeito da vontade do ministro Weintraub que, por sua vez, sofre enorme pressão e um desgaste na disputa pelo adiamento do ENEM.

terça-feira 19 de maio| Edição do dia

Nesta segunda, 18, o governo Bolsonaro nomeou um indicado do chamado centrão para uma diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A nomeação é parte dos acordos que selam a aproximação do Planalto com parte dos políticos mais fisiológicos do Congresso, que usurpam o voto popular para atuar em seus próprios interesses. Com essa medida, Bolsonaro busca assegurar a tradicional troca de favores no caso de ser mais ameaçado pelas tendências destituintes e pedidos de impeachment.

A Diretoria de Ações Educacionais do FNDE foi entregue a um indicado do Partido Liberal (PL), o advogado Garigham Amarante Pinto. Além desse, outros cargos estão em negociação, com a expectativa da presidência do Fundo ser entregue a um indicado do Partido Progressista (PP) e uma promessa de chefia aos Republicanos. Esses são cargos cobiçados no clássico “toma lá, dá cá” da política brasileira, que Jair Bolsonaro conhece bem por suas décadas como político e que atendeu de prontidão a mando dos militares.

Esse leilão de cargos pode ser visto como uma retaliação a Rodrigo Maia e seu partido que veio liderando as casas do Congresso, o DEM. Mas essa decisão de Bolsonaro desagrada, sobremaneira, o ministro da Educação Abraham Weintraub, mais um dos pilares do governo Bolsonaro que sofre um impacto importante. Assim como Paulo Guedes teve que engolir a gestão de Braga Neto na economia de crise, Weintraub terá que engolir a distribuição de cargos do FNDE, que tem orçamento previsto de R$54 bilhões.

Weintraub, que é conhecido por ser um dos expoentes da chamada “ala ideológica” do governo e um querido dos igualmente reacionários filhos do presidente, está com sua imagem desgastada devido ao seu pronunciamento na reunião dos ministros, de que os ministros do STF deveriam ir para a cadeia e também pela sua disputa para manutenção do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), ignorando as condições adversas da pandemia. Há ainda denúncias de que ele fez uso de nomeados do seu ministério para atuarem como advogados em causas particulares, fatos que o fazem balançar no cargo.

A crise sanitária internacional já retirou a vida de centenas de milhares de pessoas em todo o mundo e no Brasil está passando pela marca dos dezessete mil mortos. É neste cenário assombroso, que Bolsonaro segue desdenhando e atacando com retirada de direitos os maiores atingidos pela pandemia, enquanto se apoia na inteligência corrupta e saudosa da Ditadura dos militares que estão em seu governo para seguir adiante nas turbulências da crise política nacional.

Além de negar a milhões e atrasar o pagamento do insuficiente auxílio emergencial, o governo de Bolsonaro e dos militares estão retirando salários e direitos dos trabalhadores e também impondo a manutenção do ENEM, como se a maioria dos estudantes, a quem essa prova é destinada, não estivesse completamente afetada pela crise, sofrendo com a doença, com o desemprego ainda maior e muitos tendo jornadas extenuadas nos trabalhos ultra precários de aplicativo.

A manutenção dessa prova, que já é excludente em tempos de normalidade, mostra a cara nefasta do vestibular e busca agradar os monopólios da educação, que lucram com os cursinhos pré vestibulares e são donos da maioria das redes privadas de Ensino Superior que recebem estudantes nas vagas pagas pelos programas do governo. Esses são os mesmos capitalistas que buscam ser versáteis para transformar a crise em lucro.

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O mesmo programa para a educação sustentado pela União Nacional dos Estudantes nos últimos anos foi que fortaleceu esse setor de sangue-sugas, que querem agora se aproveitar da crise e avançar ainda mais contra o direito à educação pública de milhões de brasileiros. É preciso que os estudantes e suas ferramentas de organização defendam um programa que corresponda às necessidades da juventude e não dos monopólios.

Que o ENEM e todos os vestibulares sejam adiados, assim como as dívidas do ProUni e FIES sejam perdoadas sem indenização. Esses monopólios lucram e são financiados pelo dinheiro público, por isso suas vagas devem ser estatizadas e controladas pelos trabalhadores e estudantes, assim como os vestibulares devem ser extintos para que toda a juventude tenha acesso ao Ensino Superior gratuitamente.

Para levar adiante esse programa, a juventude precisa conformar um polo de defesa da educação que se enfrente com os monopólios tubarões do ensino. Isso passa pelo combate ao governo de Bolsonaro e dos militares, sem ter nenhuma confiança no STF, Moro, Maia ou nos governadores, pois estes também possuem um projeto de país onde a vida está abaixo dos lucros.




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