COPA DO MUNDO FEMININA

Premiações da Copa do Mundo feminina são quase 10 vezes menores do que Copa masculina

Com premiações quase 10 vezes menores do que Copa do Mundo de futebol masculino, futebol feminino ainda encara níveis abissais de desigualdade nas condições e premiações esportivas.

segunda-feira 17 de junho| Edição do dia

Desigualdade salarial entre homens e mulheres também é refletido nas premiações e salários entre o futebol masculino e feminino. No Brasil, o “país do futebol”, a situação não é nada distinta.

O tão famoso país do futebol trata com desrespeito a categoria feminina quando paga salários menores, não dispõe da mesma infraestrutura, do mesmo incentivo e do mesmo reconhecimento.

A nível internacional, é importante reconhecer essa defasagem como intrínseca à sociedade capitalista de produção que divide historicamente a classe trabalhadora; pagando salários menores às mulheres em todas as categorias de trabalho. Na França, as seleções femininas vão receber até 13 vezes menos do que as seleções masculinas ganharam na Rússia, e absurdamente menor do que será no Qatar. Na Rússia foram destinados para os jogadores RS400 milhões, no Qatar estão destinados RS440 milhões, enquanto que na França onde estão as mulheres, apenas RS30 milhões.

Este ano a seleção feminina campeã vai receber um prêmio de US$4 milhões; a Copa da Rússia de 2018 o prêmio foi de US$38 milhões (9,5 vezes o valor destinado à copa feminina). É totalmente absurdo considerar que para os desclassificados na primeira fase em 2018 foi destinado US$8 milhões.

Dentro do Brasil os times femininos próprios contam com R$4 milhões por ano, enquanto os masculinos com R$360 milhões; e os times femininos parceiros com apenas R$1,5 milhões enquanto os masculinos com R$400 milhões. O número de contratos também expressa nitidamente quão machista é o futebol no país, em 2017 foram contratadas apenas 2.263 jogadoras, sendo que no mesmo ano foram 77.361 jogadores homens. Só em São Paulo em 2019, para cada uma jogadora mulher existem sete jogadores homens; somando o total de 634 mulheres e 4.661 homens. Na arbitragem contamos com apenas 14 mulheres atuando como principais e 60 como assistentes, e com 210 homens atuando como principais e 258 como assistentes.

Com mais olhos internacionalmente dando atenção à Copa do Mundo feminina neste ano (é a Copa com maior rede de transmissão televisiva, e por consequência promete ser a mais lucrativa na categoria para a FIFA), as diferenças entre futebol masculino e futebol feminino ficam mais em evidencia. E salta aos olhos quando vemos casos como o de Marta, por exemplo, que pode se tornar a maior artilheira da história das Copas do Mundo (feminina e masculina) se anotar apenas dois gols no torneio, ultrapassando Miroslav Klose, atacante alemão, que tem 17 gols em Copas.

Essas diferenças absurdas e grotescas são resultado de uma sociedade que coloca as mulheres sempre em situações de vida e de trabalho mais precárias que as dos homens com o intuito não só de nivelar por baixo os salários, mas também de dividir e colocar uns contra os outros. A grande razão das federações e confederações esportivas para as diferenças salariais e premiações é, é claro, a diferença de lucro gerada entra as duas categorias do futebol. É extremamente necessário reconhecer que as diferenças entre os sexos serve para a manutenção do lucro dos grandes empresários e que só conseguiremos por abaixo o machismo quando colocarmos abaixo também esse sistema econômico podre.




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