Sociedade

MILITARIZAÇÃO NO RIO

Prefeitura suspende aula em 15 escolas cercadas pelos militares

terça-feira 22 de agosto| Edição do dia

Após reunião com diretores e diretoras das 26 escolas situadas na região de Manguinhos e Jacarézinho, o Secretário Municipal de Educação do Rio de Janeiro comunicou que ficou estabelecido a suspensão das aulas em 15 escolas da região.

Em uma nota que circulou nas redes sociais, Benjamin disse que definiram "um polígono em que as aulas devem ser provisoriamente suspensas", e além disso as outras escolas onze escolas entrarão em contado com a 3ª e 4ª CREs para estabelecer horários de funcionamento excepcionais tendo em vista a operação vingança de policiais na região, que há 11 dias aterroriza moradores, matando inocentes, impedindo aulas, inclusive suspendendo a coleta de lixo.

Os moradores chegaram ao limite de estocar alimentos e se esconder em suas casas.

Crivella, porém, usou de sua posição ontem nas redes sociais para parabenizar a militarização do Rio de Janeiro, mentindo descaradamente de que a operação em toda a cidade, com Força Nacional, Polícias Rodoviária, Federal, Militar e Civil não teriam disparado um tiro, ao contrário do que está ocorrendo com invasão de casas, revista de bolsas e revista em crianças nas ruas como na foto de capa deste artigo.

Esta é mais uma medida da própria prefeitura que, apesar de negar, reconhece que há uma guerra ocorrendo no Rio de Janeiro. Esta guerra no entanto é contra os negros e pobres, já que os que ganham muito dinheiro com o tráfico de armas e drogas nem bota os pés na favela, está em Brasília, no alto escalão de políticos generais e juízes.

Leia mais Não à militarização do RJ! O Plano de Segurança Nacional está destinado a reprimir trabalhadores, pobres e negros

Leia a mensagem completa do secretário, circulada nas redes:

"Ao pessoal da SME que me segue por aqui

* * *

Jacarezinho e Manguinhos

Terminamos há pouco uma longa reunião com diretores e diretoras das 26 escolas situadas no Jacarezinho e em Manguinhos, áreas que vivem uma crise aguda, com enfrentamentos diários entre forças de segurança e facções criminosas. O prefeito Marcelo Crivella esteve conosco.

Analisamos a situação, caso a caso. Reiteramos a nossa solidariedade ao pessoal de campo.

As principais decisões foram as seguintes:

1. Definimos um polígono em que as aulas devem ser provisoriamente suspensas, de modo a retirar dos diretores e diretoras a responsabilidade por essa decisão, que tem se mostrado estressante e arriscada. Nesse polígono encontram-se 15 escolas.

2. Aprovamos que a 3ª e 4ª CREs dialoguem com as outras onze escolas para estabelecer horários de funcionamento mais seguros.

3. Constituímos um grupo de diretores, coordenado pelo Gabinete, para avaliar diariamente a evolução da situação nessas áreas.

4. Oferecemos apoio imediato das assistentes sociais e psicólogas do NIAP a todas as escolas.

5. Formamos uma força-tarefa, no âmbito da Subsecretaria de Ensino, para planejar o necessário reforço pedagógico a essas escolas, até o final do ano letivo.

* * *

As 15 escolas que permanecerão fechadas até o arrefecimento dos conflitos são:

* Creches Municipais Tia Andreza, Marcília Catarina (Tia Mana), Comunidade do Jacarezinho e Geralda de Jesus;
* Cieps Willy Brandt e Vinícius de Moraes;
* Escolas Municipais José Lins do Rego, Pernambuco, George Sumner, Estado da Guanabara, Oswaldo Cruz, Pace e Rio de Janeiro;
* Espaços de Desenvolvimento Infantil Padre Nelson e Brício Filho.

As 11 escolas que poderão reduzir seus horários de funcionamento, em decisões a serem referendadas pelas respectivas CREs, são:

* Escolas Municipais Delfim Moreira, Marechal Bittencourt, Ema Negrão de Lima, Albino Souza Cruz e Professora Maria de Cerqueira;
* Ciep Juscelino Kubitschek;
*Creches Municipais Manguinhos e Chico Bento;
* Espaços de Desenvolvimento Infantil Doutor Domingos Arthur Machado Filho, Antônio Fernandes Figueira e Joaquim Venâncio.

A SME reafirma seu compromisso com a educação e reitera que a segurança da comunidade escolar continua a ser uma prioridade absoluta.

Atenciosamente,
Cesar Benjamin
Secretário"




Tópicos relacionados

Sociedade   /    Racismo   /    Educação   /    Rio de Janeiro   /    Política

Comentários

Comentar