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Prefeitura de SP irá multar quem fumar maconha e crack nas ruas, Covas dá continuidade ao higienismo de Doria

Novo projeto da prefeitura de SP quer tratar consumo de drogas ilícitas como atitudes que geram multas, como fazer xixi em vias públicas, o projeto prevê a cobrança de R$ 500 de multa.

sexta-feira 1º de março| Edição do dia

O Estado segue insistindo na via da repressão e punição para o combate às drogas. Se já não estivesse mais do que comprovado a ineficácia da política de guerra às drogas, a Prefeitura de SP quer inovar na inutilidade de seus métodos, com um projeto de política municipal de álcool e drogas que inclui a cobrança de multa para o consumo de drogas ilícitas, como se já não houvesse a criminalização e penalização do usuário.

Ainda na gestão Doria, o prefeito tucano prometeu acabar com a concentração de usuários de droga na chamada Cracolândia, organizando uma série de truculentas operações policiais junto ao governador de então, Geraldo Alckmin, inclusive com a demolição de casas com pessoas ainda dentro, e que tiveram como único efeito a dispersão momentâneo dos usuários por outras áreas.

O atual prefeito Bruno Covas, sucessor de Doria, deu continuidade às ações dando aval para a atuação cotidiana e truculenta da GCM na área, que controla até a entrada de pessoas na região da Cracolândia com abordagens arbitrárias e autoritárias.

Em entrevista publicada no El País dia 27/02, de forma inconsciente o prefeito Bruno Covas expressou todo o higienismo presente nas gestões Doria-Covas. Quando perguntado sobre o que menos o agradava na atuação enquanto prefeito, respondeu: “A que menos me agrada é a dificuldade de lidar com contradições da vontade da população. A população quer mais serviços públicos, mas menos impostos. Quer que tire o morador de rua da frente dela, mas quer respeito aos direitos humanos. Então você tem alguns conflitos que você tem que administrar e é o mais difícil porque são insolúveis. Isso é o mais difícil de lidar”.

Diferente do pensamento demonstrado pelo prefeito, ninguém deseja que os moradores de rua sejam tirados da vista das pessoas, o que se deseja é uma solução para essas pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social- sem acesso à moradia, à alimentação, à emprego, à dignidade humana-, produzida pelo capitalismo. Solução essa que passa por acolhimento, pela oferta dessas condições de dignidade, o que em nada se contrapõe à defesa dos direitos humanos, pelo contrário, é a exigência do cumprimento dos direitos humanos nos quais os moradores de rua estão inclusos, apesar de na fala do prefeito estarem excluídos até da categoria “população de São Paulo”.

Esse é o higienismo incrustado no DNA tucano ,e principalmente, nas gestões Doria-Covas, que quer “eliminar” da vista das pessoas, dos cidadãos de bem, o morador de rua e o usuário de droga. Tanto a questão dos moradores de rua, quanto dos usuários de drogas, são complexas questões sociais que tem de ser tratadas dentro da esfera da assistência social e da saúde pública. Bem diferente do higienismo, repressão e penalização que Covas oferece como resposta.




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