×

Juventude | Precisamos de sua ajuda: Encontro Nacional da Faísca

Em dezembro (2021), realizaremos um Encontro Nacional da Faísca no Rio de Janeiro. Nesse espaço relatamos alguns dos propósitos do encontro, debates que serão feitos, e por final fazemos um pedido pela sua ajuda.

quinta-feira 25 de novembro | Edição do dia

Quem é a Faísca?

Somos uma juventude de secundaristas, universitários e jovens trabalhadores, nos organizamos contra todo o reacionarismo que assola nosso país. Lutamos por uma alternativa e resposta da juventude e da classe trabalhadora para a miséria capitalista, porque acreditamos que para construir um futuro é preciso destruir esse sistema de exploração e opressão, (#sim_somos_comunistas). A Faísca é impulsionada pelo MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores), que faz parte da FT-QI (Fração Trotskista pela Quarta Internacional), uma organização internacional que impulsiona uma rede de diários, presente em 15 países e 7 idiomas. No Brasil, existimos como Esquerda Diário, veículo que leva a luta de classe nas mãos de milhares de trabalhadores e jovens todos os dias. Como partido, diário e agrupação somos, por princípio, completamente independentes de entidades burguesas e empresariais, o que nos possibilita garantir nossa independência política e de classe. Em cada foco de luta de classe que estoura, a juventude Faísca está entrincheirada nos piquetes, comitês de greve, construindo a verdadeira aliança operário-estudantil.

Neste último ano estivemos junto a vários focos de luta e resistência que aconteceram em meio à situação de crise e pandemia que vivemos, como, por exemplo, contra a privatização da empresa pública de transportes Carris, em Porto Alegre; em defesa de condições dignas de trabalho com os trabalhadores da empresa de construção MRV em Campinas; com os operários da Sae Towers que batalhavam por seus benefícios trabalhistas em Minas Gerais; junto aos trabalhadores da Proguaru em Guarulhos, contra a extinção da empresa que realiza os serviços públicos da cidade; nas batalhas travadas por operários da GM no ABC paulista; além de lutar contra cada reforma e projeto de lei contra os servidores públicos e professores que os governos querem passar, como o recente Sampaprev 2 em São Paulo, entre outras. Em cada expressão de luta dos trabalhadores, lá estávamos nós, lado a lado com a nossa classe, batalhando para que essas lutas não existissem isoladamente, e em vez disso pudessem se expandir para outros setores, categorias e locais de trabalho. Nós acreditamos e defendemos que somente com a auto-organização independente dos patrões, dos partidos burgueses e da direita poderemos derrotar cada um dos ataques e governos, por isso colocamos a importância das centrais sindicais e direções dos sindicatos organizarem os trabalhadores em cada local de trabalho, para que tomemos em nossas mãos essa força imparável que move o mundo.

E por que realizar um Encontro Nacional? Por que refundar a juventude?

A Faísca surge em 2016 num contexto da conjuntura brasileira do golpe institucional, com o governo reacionário e golpista de Temer, em que se aprofundaram os ataques, privatizações e reformas que já vinham acontecendo nos anos de governo do PT. Acompanhando e acumulando experiências em momentos anteriores importantes como as marchas de junho de 2013 e todos os ares de luta internacional contra às saídas burguesas para a crise econômica aberta em 2008, a juventude Faísca nasceu defendendo a mais ampla mobilização dos estudantes aliados aos trabalhadores para lutar contra o golpe institucional em cada universidade, escola, fábrica e local de trabalho, pois sabíamos que a escalada autoritária do judiciário e do discurso golpista da direita vinha para arrancar direitos e o futuro da juventude, das mulheres, negros, LGBTs, indígenas e trabalhadores.

De lá para cá, nossa juventude cresceu, se espalhou pelo país, aprendeu com diversas experiências junto aos trabalhadores e tiramos lições de cada escola de guerra vivida. Mas MEUUUU, por que refundar uma juventude tão iradaaaaa? Entendemos que vivemos em um momento bem distinto de 2016, quando a Faísca foi fundada, o Brasil passa por um aprofundamento agudo de ininterruptas crises. Nos últimos anos, olhamos para os nossos amigos e até para nós mesmos, e só o que enxergamos é precarização, fome, desemprego, angústia e repressão. Quantos milhares de jovens tiveram que abandonar seus estudos para ajudar sua família na luta contra a fome? Quantos jovens em cima das bikes de aplicativos sem o direito a parar para comer? Quantos jovens foram assassinados brutalmente pela violência policial? São quase dois anos de pandemia, mas tudo isso representa os séculos e séculos de existência capitalista que atua o tempo todo contra nós. Durante a pandemia sofremos, e sofremos muito. Os que puderam se isolaram em seus quartos apertados e lutaram para não sucumbirem em suas próprias angústias; e os que não tiveram esse privilégio, lutaram contra o vírus, arriscando-se diariamente para garantir a sobrevivência física. A pandemia veio para escancarar e aprofundar ainda mais as contradições do capitalismo: com sua sede de lucro cada vez mais sedenta, colocando os lucros acima das vidas, o vírus foi a brecha que o sistema capitalista queria para avançar mais e mais com os ataques. Tudo isso só se aprofundou nestes últimos anos de governo Bolsonaro e Mourão.

Esse governo representa o que existe de mais atrasado e perverso do sistema capitalista. Além de todo seu discurso ideológico negacionista e reacionário de ódio aos setores oprimidos, odeia também a classe trabalhadora, implementando duros ataques que cortaram nossos direitos, aprovaram reformas, aprofundaram a precarização, terceirização e flexibilização laboral. E tudo isso em meio à pandemia! A pandemia veio para escancarar e aprofundar ainda mais as contradições do capitalismo: com sua sede de lucro cada vez mais sedenta, colocando os lucros acima das vidas, o vírus foi a brecha que o sistema capitalista queria para avançar mais e mais com os ataques. Defendendo abertamente os interesses e privilégios dos capitalistas, Bolsonaro é responsável pela situação que nos encontramos hoje após quase 2 anos de pandemia, é responsável pelas mais de 600 mil mortes de Covid no país, pela situação da educação e saúde públicas, pela carestia de vida que empurra milhões de brasileiros para a fila do desemprego, do lixo e do osso.

Mas Bolsonaro não governou sozinho durante todos esses anos. Todas as medidas de ataques e reformas contra os trabalhadores e a juventude, principalmente nesses últimos três anos, tiveram aprovação do Congresso e do STF, além dos governadores que buscaram implementar a nível estadual e municipal várias das reformas. Apesar de nos últimos tempos essas instituições e setores políticos declararem um discurso demagógico crítico a Bolsonaro, no momento de aprovar os ataques, estão todos de mãos dadas para descarregar a crise sobre nossas costas.

É por isso que precisamos confiar nas nossas próprias forças. Somente com a unidade da juventude e trabalhadores, retomando a história da nossa classe e dos revolucionários, nos organizando independentemente dos partidos burgueses e de direita, em cada local de trabalho e estudo, poderemos combater essa situação deplorável que o Brasil está vivendo. Para isso, é fundamental que tomemos em nossas mãos nossas entidades, nossos sindicatos, centros acadêmicos, grêmios, etc., pois elas nos representam e devem estar a serviço de nos organizar, de unir cada categoria de trabalhadores. E não cumprir o papel que vemos hoje, em que as centrais sindicais como a CUT e a CTB, dirigidas pelas burocracias do PT e PCdoB, apostam nas saídas institucionais, confiam em partidos que outrora apoiaram o golpe institucional de 2016, que no Congresso votam a favor de reformas que nos sugam a vida, apostando em esperar até as eleições de 2022 para eleger Lula, quando ele mesmo já indicou alianças perigosas com a direita, já declarou perdoar quem nos atacou e quem é responsável pela podridão que estamos imersos.

Não estamos satisfeitos com simplesmente adiar o fim do mundo, sabemos que outro mundo é possível e estamos dispostos a lutar com unhas e dentes para realizá-lo! Diferente do que o reformismo tenta colocar para nós como limite do que é possível lutar no momento de agora, nós não estamos e não podemos estar satisfeitos com simplesmente adiar o fim do mundo, pois sabemos que outro mundo é possível e estamos dispostos a lutar com unhas e dentes para realizá-lo. Estamos cansados de ter os nossos sonhos destruídos e nossas vontades ignoradas. Está na hora de “reunir as forças necessárias para a passada a ofensiva”. É a classe trabalhadora que tudo produz, por isso façamos que ela tenha direito a tudo!

Nossas vidas, nossos sonhos, nossos questionamentos e ambições não cabem há muito tempo no que o capitalismo impõe para a gente. Queremos mais que resistir contra ataques! Mais do que batalhar constantemente por migalhas cada vez menores. Queremos construir outro mundo nas ruínas deste.

Mas e agora? 2022 não vai trazer uma melhora para nós?

Estamos chegando ao fim do governo de extrema direita de Bolsonaro e Mourão que nesses três anos de governo representou o que existe de mais atrasado e perverso do sistema capitalista. Porém, vale um destaque que Bolsonaro não governou sozinho durante todos esses anos, todas as medidas de ataques e reformas contra os trabalhadores e a juventude, principalmente nesses últimos três anos, tiveram aprovação do congresso e do STF, ambas são instituições políticas governamentais que só existem para instituir e garantir os interesses da classe dominante de nossa época. Sendo assim, já que essas instituições não representam os nossos interesses e muito menos estão à serviço de nossa classe, depositar as energias e forças da classe trabalhadora e juventude nas eleições de 2022 é um grande desperdício das nossas potencialidades. Seria um erro falar sobre juventude e não entrar no terreno das eleições do ano que vem, porque 2022 está cada vez mais em debate entre os jovens, que ao contrário do que a burguesia tenta nos fazer acreditar, estão sim muito dispostos a discutir política e se posicionar. De fato compartilhamos do mesmo sentimento de tirar e derrubar Bolsonaro, porém, isso não pode ser canalizado pela via das urnas, mas sim pela unidade estudantil- operária com trabalhadores e jovens nas ruas construindo greves, paralisações e lutas pelos seus direitos, vidas e sonhos. As eleições do ano que vem seguem sendo o tema mais importante na política brasileira, inclusive, a política do PT atualmente é cada vez mais se concentrar nas eleições e canalizar todas as nossas forças na figura do Lula, mesmo que isso custe escolher conscientemente não organizar os trabalhadores para enfrentar os ataques e lutar por mais! Os treze anos do PT administrando o capitalismo tem que servir de lição para o conjunto da juventude e todos trabalhadores: as migalhas que caíram dos altos escalões da burguesia não foram suficientes para matar nossa fome de tudo. Por isso, não podemos confiar nas conciliações de classe e uma saída por dentro do capitalismo para garantir uma vida digna a todos nós. É a classe trabalhadora que tudo produz, por isso façamos que ela tenha direito a tudo!

Chegamos a um ponto de nossas vidas onde somos praticamente obrigados a lidar com o aumento da fome, misérias e mais e mais injustiças não é uma vida feita para nós, merecemos uma vida plena de sentido. Pra isso, queremos debater a situação que vivemos hoje, discutir o mais profundo da tradição e história da nossa classe e da teoria revolucionária para nos preparar para tudo o que está acontecendo e está por vir. Precisamos nos apropriar e tomar para si os desafios e tarefas que tão colocados no século XXI e querer com toda força, vontade e paixão ser os fios de continuidade do marxismo revolucionário do século XX. A burguesia quer fazer a gente acreditar que nossa vida só pode ser essa vida que nós vivemos, uma vida que é impossível acreditar no fim das opressões, da exploração diária no trabalho e outras tantas injustiças que existem e sentimos na pele. E o motivo de tudo isso é que a burguesia tem certeza que nossa classe é seu coveiro.

É por tudo isso que fazemos um chamado a vocês:

Precisamos da ajuda de todes para realizar nosso Encontro e discutir profundamente tudo que foi colocado nesse texto, e várias outras grandes ideias! Como comentamos no início, somos uma organização completamente independente, o que financeiramente é um desafio que encaramos a fim de garantir nossa independência de classe. Pedimos seu apoio financeiro para realizar nossa atividade! Queremos garantir que as centenas de jovens engajados de todo o Brasil que querem se juntar para discutir política e estrategicamente, possam estar compondo esse encontro. E para isso, cada apoio significa muito: para nós é um voto de confiança nos jovens que não se conformam com o papel passivo que tentam impor para nós, e frente a isso querem tomar a luta pelas próprias mãos. O Encontro acontecerá nos dias 10, 11 e 12 de dezembro, no Rio de Janeiro, tendo várias mesas e atividades, buscaremos debater qual juventude e organização no movimento estudantil precisamos hoje para enfrentar a miséria capitalista aprofundada pela crise e o governo reacionário de Bolsonaro e Mourão. O Encontro Nacional será organizado em função de todos os cuidados e medidas de segurança sanitária. Entendemos que esses debates são urgentes e há uma necessidade profunda de tirar lições estratégicas do marxismo revolucionário de nosso tempo, que acreditamos ser o trotskismo. Pensar a continuidade do programa e estratégia do marxismo revolucionário no século XXI, pensar “ideias trotskistas para revolucionar o mundo”, é mais do que necessário, assim como o papel que a juventude pode cumprir ao lado da classe trabalhadora.

Criamos uma vakinha online para facilitar as contribuições financeiras, que são recurso vital para a construção de nosso encontro. Deixamos aqui o link para vocês acessarem e deixarem suas contribuições. https://abacashi.com/p/ajude-no-enc...

Pra quem não sabia que ia acontecer essa atividade nacional e ficou interessado em além de apoiar e quer saber mais e talvez participar, pode fazer isso pelo link: https://docs.google.com/forms/d/e/1...

FORA BOLSONARO, MOURÃO E MILITARES!
QUE OS CAPITALISTAS PAGUEM PELA CRISE!




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias