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Precarização via APPs e leis: um projeto que une Bolsonaro, Mourão e todo golpismo

Hoje acontece mais uma paralisação nacional dos entregadores de aplicativo, que demonstraram sua força em diversos lugares do país no dia 01/07. Estes se mobilizam por melhores condições de trabalho e vida em meio a pandemia. O que isso tem a ver com a luta contra Bolsonaro, Mourão e todo um regime que ataca os trabalhadores?

Mariana Duarte

Diretoria do centro acadêmico da faculdade de educação da USP

sábado 25 de julho| Edição do dia

Imagem: Isac Nóbrega/PR

Sabemos como a mobilização dos entregadores de aplicativo não se posiciona contra o governo, nem coloca como uma de suas pautas a luta contra Bolsonaro, Mourão e nem o golpismo de todas cores no STF e no Legislativo. Apesar disso, para nós do Esquerda Diário, a luta por melhores condições de trabalho de um setor tão precário como o de entregadores, deve ser também contra os ataques deste governo reacionário e de todo um regime que odeia a classe trabalhadora e os negros e trabalha sistematicamente para aumentar os lucros dos patrões em detrimento dos trabalhaodres.

O processo de uberização de serviços, que tem se intensificado qualitativamente nos últimos anos, é parte da reestruturação produtiva que retira todos os direitos dos trabalhadores sob o lema do “empreendedorismo”, “você como seu próprio patrão”, onde não existe vínculo empregatício entre o trabalhador e a empresa. Ou seja, no caso dos entregadores de aplicativo, a empresa não precisa disponibilizar sequer EPIs para garantir a segurança no trabalho, mas pode bloquear indevidamente os trabalhadores, e pegar para si parte do dinheiro ganho nas corridas, lucrando em cima de jovens negros que ficam 12h em cima de uma moto ou bicicleta, mal conseguindo sobreviver para trabalhar no dia seguinte.

Tal processo não caiu do céu, mas é fruto de anos de uma ofensiva neoliberal, de retirada de direitos trabalhistas e que, no Brasil, tem a cara desse regime político podre, herdeiro do golpe institucional de 2016, que após 4 anos deixou claro a que veio: aprofundar os ataques nas costas dos trabalhadores que o PT já vinha aplicando - basta ver o aumento gigantesco da terceirização do trabalho durante os anos do governo do PT, como uma das faces cruéis da precarização do trabalho.

Desde então, o que vimos foi um show de ataques, aumento do desemprego, da miséria e da fome e a ascensão de um governo de extrema direita reacionário, cuja eleição se deu em base ao “o trabalhador tem que escolher entre mais direitos e menos emprego, ou mais emprego e menos direitos”, já colocando que, se quiser emprego, o trabalhador deve optar por não ter nenhum direito garantido. Esse argumento escravocrata é ainda mentiroso, não surgem mais empregos, pelo contrário. A reforma trabalhista, a PEC do teto de gastos, a reforma da previdência, e mais diversos outros ataques, aprovados inclusive em meio a pandemia, vieram para assegurar que a crise internacional gerada pelos capitalistas, seria paga com as vidas trabalhadoras.

Bolsonaro é fruto do golpe institucional, eleito por eleições manipuladas pelo judiciário golpista, que prendeu arbitrariamente o principal candidato de oposição e, ao lado de Mourão e dos militares, busca aprofundar a degeneração deste regime político, destilando todo seu racismo, machismo e LGBTfobia, e degradar ainda mais as condições de vida dos trabalhadores e da juventude, enquanto os bancos e grandes empresas seguem lucrando às nossas custas. Durante toda a pandemia, atuou com sua política negacionista, ceifando a vida de milhares de trabalhadores que poderiam ter suas vidas salvas, enquanto buscava aplicar ataques econômicos, aprofundando ainda mais o desemprego e a miséria.

Não à toda durante a pandemia o número de entregadores cresceu de maneira impressionante. Muitos perderam seus empregos e, na tentativa de sustentar suas famílias não viram outra alternativa sem ser deixar suas vidas nos aplicativos de entrega.

É por isso que para nós, a única forma de lutar contra a precarização do trabalho, é lutar contra Bolsonaro e Mourão e todo esse regime golpista. Para isso, é necessário batalhar por uma saída independente, uma saída dos trabalhadores, das mulheres, negros, indígenas e da juventude, sem nenhuma ilusão que alianças com setores da burguesia, que assim como Bolsonaro querem descarregar a crise nas nossas costas, poderemos derrotar o governo e os ataques. Já vimos durante os anos de governo do PT - que hoje apesar de aparentar possuir um discurso radical contra o governo, nos estados em que governam são parte de aplicar ataques aos trabalhadores - que alianças com setores da burguesia só podem enfraquecer a nossa luta e fortalecer esses setores. Não vamos conseguir derrotar Bolsonaro e Mourão a partir de uma frente ampla com todos os setores que se colocam contra Bolsonaro, incluindo partidos burgueses, como colocam inclusive setores partidos de esquerda como o PSOL, tais como Freixo ou Melchionna. Somente confiando em nossas próprias forças poderemos apresentar uma saída. Por isso nós do Esquerda Diário e do MRT temos defendido que é necessário batalhar pelo Fora Bolsonaro e Mourão, na luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que seja capaz de enfrentar não só o governo, mas o regime golpista como um todo, varrer os militares do governo e impor uma nova constituinte com a força da nossa mobilização que possa atender a todas as demandas dos setores mais precários da classe trabalhadora e do conjunto da população.




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