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Precarização do prédio da Letras e a luta por uma educação pública de qualidade

O que será que acontece na melhor Universidade da América latina? Provavelmente, nos institutos como POLI, FEA, SanFran, etc está tudo muito tranquilo, tirando o fechamento do semestre, mas na FFLCH a realidade é outra, aqui faz dias que a chuva derruba o teto e invade salas como pró aluno e LAPEL, que tem computadores e não poderiam molhar.

sexta-feira 9 de junho| Edição do dia

O curso de Letras da USP tem mais de 5 mil alunos, portanto é o maior curso da América latina. Também aqui é o curso da USP no qual mais tem pessoas pobre e negras, que bem ou mal “furaram” o filtro social do vestibular. Aí é que o curioso começa a parecer lógico: assistimos aulas aqui muitas vezes sentados no chão porque não temos professores o suficiente para cobrir a alta demanda do curso, andamos pelo prédio nos dias de chuva correndo risco do teto literalmente cair sobre nossas cabeças, ficamos muitas vezes sem ler nossos textos porque a impressora da pró aluno quase não funciona e a diretoria não tem certeza se vai arrumar porque ela tem muita convicção de que a gente imprime livros para venda diariamente, enfim, passamos uma série de dificuldade, para além das coisas mais gerais da universidade que simplesmente não deixa a conta fechar na hora que se diz que esta é a melhor universidade da América latina.

É um absurdo que essa seja a realidade de qualquer instituição de ensino, no entanto, infelizmente tudo isso acontece numa das universidades mais elitizadas e privilegiadas do país, isso por si só dá uma boa margem quando se pensa a realidade do dia dia da maior parte da população, que não tem acesso a esse espaço. Enquanto ocorrem reformas e construções com finalidades bem obscuras para a maior parte da comunidade uspiana, não há verba para reformar o teto do maior curso da universidade porque o conhecimento produzido na FFLCH não é o que diretamente engorda o bolso das fundações que se instalam aqui, os assuntos são secundários do ponto de vista da reitoria e da diretoria.

Por muitas vezes, nos fóruns do Movimento Estudantil da Letras, se ouve como as demandas dos alunos são prioritárias e como é necessário que pensemos na nossa formação e bem estar, de fato, precisamos pensar nisso e impor que as melhorias que queremos ocorram no nosso curso, mas os motivos pelos quais sofremos estes ataques não estão dissociados dos problemas do resto da USP e do resto do país. 500 bolsas auxílio foram cortadas sem nenhuma justificativa este ano, o que significa que pelo menos uma parte destas 500 pessoas não conseguirá mais estudar, temos um nível de evasão absurda, as creches estão sendo atacadas, cada vez é mais difícil se manter dentro da USP, enquanto em âmbito nacional estamos sendo atacados de todos os lados, com reforma da previdência e do ensino para que "o país não quebre" por isso, quando pensamos nas nossas demandas devemos pensar que não é um ou outro caso isolado, não se trata de falta de verba, de crise, de engano, se trata de escolha de prioridade.

É verdade que passamos por uma crise, é verdade que falta verba, mas não é verdade que é por isso que nos atacam pois não há crise na hora de pagar o super salário do Reitor, maior até que do Governador do estado. Todas as demandas sentidas no curso são parte dos sintomas de um projeto de privatização desta Universidade que está sendo implementado pelo Reitor, e este projeto não está descolado do que o governo Temer pretende em âmbito nacional, enquanto um precariza o ensino superior, o outro implementa um projeto brutal de precarização do ensino básico, rebaixando a qualidade e congelando os gastos por 20 anos combinado com uma reforma da previdência que traçam a solução do governo para a crise: colocar classe trabalhadora para trabalhar desde os 16 até os 65 anos sem acesso ao ensino e sem direito às demandas mais básicas da população.

Por isso a luta que temos que travar no nosso curso precisa acontecer de forma conjunta com a luta nacional para barrar os ataques do governo golpista de Temer, não é possível enfrentar o projeto privatista do Reitor sem contrapor a ele um projeto que seja dos estudantes e trabalhadores da universidade e não é possível se defender desse ataque sem compreender que ele está a serviço dos interesses dos mesmos que nos atacam em escala nacional. É inaceitável que paguemos por uma crise de um sistema que está a serviço da burguesia, é inaceitável que seja jogado nas nossas costas o peso das mazelas do capitalismo, lutemos para que as consequências desta crise recaia sobre quem se beneficia desse sistema e tomemos as rédeas das nossas vidas nas nossas próprias mãos.

Nesse sentido o que nós devemos fazer a partir da Letras é somar forças na Greve Geral que está sendo chamada no dia 30 reivindicando uma educação publica e de qualidade que seja acessível a todos. Só somando nossas forças é que conseguiremos barrar todos os ataques e avançar na luta por uma vida livre das amarras do capitalismo.




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