Política

ENTREGUISMO

Pré-sal: Temer entrega ilegalmente e a preço de banana um campo gigante

A venda do megacampo de Carcará à preço de banana é ilegal. A Petrobrás não podia se desfazer do pré-sal enquanto o PLS 122 de Serra, acordado com Dilma e Renan não for sancionado. Um entreguismo golpista que não respeita nem a lei.

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

sexta-feira 29 de julho de 2016| Edição do dia

Cumprindo as promessas entreguistas, entre outras feitas antes do golpe, e fartamente documentadas no Wikileaks como denunciamos aqui sobre Temer e aqui sobre Serra, o governo Temer iniciou hoje a entrega do pré-sal.

Uma entrega que é duplamente criminosa: pelo preço de banana que passaram o promissor campo de Carcará à norueguesa Statoil e porque a lei vigente não permite que a Petrobras se desfaça plenamente do pré-sal.

A Petrobras se desfez de sua participação de 65% do campo de Carcará no Pré-Sal pelo irrisório valor de US$ 2,5 bilhões. Este megacampo, com reservas estimadas entre 700 milhões a 1,2bihão de barris tem um valor, no mínimo de 28,6 bilhões de dólares se considerarmos a menor estimativa de reserva e os deprimidos preços de hoje (US$ 41,24 o barril de Brent em Nova Iorque).

Ou seja, levando em consideração a participação da Petrobras, o baixo preço (com tendência de alta no médio prazo), o ativo valia de 18,7 bilhões a 32,2 bilhões de dólares, com viés de alta para estes valores. O valor pago varia de 9 a 11 vezes menor que o valor estimado a preços correntes. Um entreguismo de corar quem bateu o martelo da criminosa venda da Vale do Rio Doce.

Esta venda por parte da Petrobras, planejada durante o governo Dilma no plano de desinvestimento iniciado por Graça Foster e continuado por Bendine, é também ilegal. Segundo a Lei Vigente (12.352 de 22/12/2010), alvo de crítica de todos golpistas, a Petrobras é a operadora exclusiva da região e é obrigada a ter ao menos 30% de participação em qualquer campo. A venda da participação da Petrobras não poderia ocorrer!

Serra, conseguiu emplacar com o acordo de Dilma e Renan uma lei que “desobriga” a Petrobras a ter 30%. Esta posição escandalosa de Dilma em fevereiro, entregando os anéis para tentar manter os dedos (sem sucesso), argumentamos aqui como um chamado para tirar lições sobre a lógica do “mal menor”. Esta lei não foi promulgada ainda. Foi aprovada por comissão da Câmara mas não foi a plenário nem foi sancionada por Temer. Porém este entreguismo não conhece os limites da lei.

De quebra, esta entrega permitirá que a Statoil tenha prioridade para “unitizar” esse campo com campos adjacentes (Tartaruga Verde, Sapinhoá). Ou seja, a venda ilegal, a preço de banana permitirá uma “compra casada” a preço de banana.

A entrega ilegal desta área do pré-sal acontece dias depois do anúncio de venda de 51% do controle da BR Distribuidora e toda uma pressão da mídia e outros setores golpistas para acelerar suas conquistas com o golpe enquanto Temer goza de uma relativa estabilidade.

Para resistir à privatização da Petrobras, à entrega do pré-sal, ameaça de entrega do FGTS ao Bradesco ou Santander, ataques à CLT e restrição da esquerda no regime político (a mal chamada “reforma política”) é preciso passar das palavras à ação.
Os dias de mobilização que centrais e sindicatos anunciam precisam ser construídos com verdadeiras assembleias de base e paralisações ativas, o que até o momento, apesar de constar nas resoluções divulgadas, não tem sido a postura dos principais sindicatos do país, como os dirigidos pela CUT. Sem mover as forças da classe trabalhadora junto à juventude que ocupou escolas, o vivo movimento de mulheres que tomou às ruas diversas vezes nos últimos anos e os movimentos sociais, não enfrentaremos os golpistas nem colocaremos um entrave aos planos entreguistas e de ataques aos direitos trabalhistas e sociais que Dilma iniciou e Temer aprofunda, e muito.




Tópicos relacionados

Privatização da Petrobras   /    Política

Comentários

Comentar