Juventude

Posicionamento do Coletivo de Juventude FAÍSCA-USP sobre as aulas à distância

A Faísca, juventude Anticapitalista e Revolucionária, posiciona-se contrária à imposição das aulas EAD (Educação a Distância) nas unidades de ensino, como forma de seguir o cronograma pensado pelos professores antes da entrada da crise do COVID-19.

quinta-feira 26 de março| Edição do dia

Desde cada universidade que atuamos, estando, em muitas delas, nos centros acadêmicos, vemos o caráter de classe presente em tal proposta de ensino. A realidade de inúmeros estudantes impossibilita totalmente o acesso a esse molde de educação, uma vez que muitos não possuem computadores nem internet. Além disso, em um âmbito mais sensível, percebemos que a precarização, na qual estão sujeitos inúmeros estudantes, inviabiliza ainda mais essa medida: vemos, por exemplo, que a realidade atual de moradores do CRUSP (Complexo Residencial da USP) é a de falta de água e de alimentação.

Os estudantes enquadram-se em um conjunto de pessoas com vidas muito diversas. Há jovens de alta renda que possuem uma vida confortável o suficiente para habitar em casas com pelo menos três dormitórios, acesso à água, alimentação, aparelhos eletrônicos e internet. Entretanto, na mesma sala de aula desses, há também jovens sem condições nem de lavarem as suas mãos diante de uma crise sanitária, quem dirá ter condições físicas e psicológicas para estudar em suas casas. Muitos estudantes não têm acesso fácil à internet e muitos outros são pais ou cuidam de familiares em grupos de risco como idosos, o que os impede de concentrar-se numa continuidade das aulas neste momento. Não podemos excluir ninguém do processo de ensino!

Aliado a isso, há o fato de termos nos matriculado em aulas presenciais, de modo que não podem nos obrigar a mudarmos esse fato, que não é apenas um detalhe formal, no meio do curso. Considerando também que só servirá para cumprir formalmente o calendário escolar, sem levar em conta que tal mudança produzirá - ainda mais - desigualdades entre os estudantes, reforçando o caráter discriminatório dessa medida e da própria Universidade da forma que hoje está estruturada.

Enquanto um coletivo revolucionário, não podíamos deixar de lado, que frente a essa situação, acreditamos ser vital constatarmos a falência desse sistema, que nos relega à miséria. É urgente que exijamos do Governo testes para todos (#testesparatodos), uma vez que não devem poupar esforços nem subsídios para impedir as mortes da população. Acreditamos que os trabalhadores que deveriam tomar o controle da economia e das fábricas em suas mãos para redirecionar toda a produção para fazerem máscaras, álcool em gel, macacões para os profissionais da saúde, assim como respiradores e tudo aquilo que for necessário para a prevenção e para o tratamento, para salvar vidas e garantir os empregos, um verdadeiro plano de guerra.

Nas universidades, toda a pesquisa e a extensão deveriam estar a serviço de procurar saídas para essa crise sanitária, indo desde a busca pela vacina, garantindo TODAS as condições de permanência do estudante na universidade, intensificando planos emergenciais como auxílio alimentação para todo mundo que necessite, liberando os trabalhadores que estão no setor de risco sem comprometer seus salários, até o melhoramento dos aparelhos da área da saúde, como o Hospital Universitário, que deveria estar atendendo à toda a comunidade da ZO. Os trabalhadores da Farmácia, por exemplo, estão produzindo álcool em gel para o HU, assim como diversas universidades estão fazendo, e nessa situação deveríamos ainda mais fazer com que o conhecimento adquirido na USP esteja a serviço de enfrentar essa crise. Além disso, achamos central denunciar o estado do Hospital Universitário, o HU, que está sem máscaras suficientes para todos os funcionários, colocando em risco os trabalhadores. Frente a isso, defendemos que todas as reservas da reitoria sejam direcionadas para o Hospital, com o objetivo de concretizar a contenção dessa crise.

Estamos no meio de uma crise sanitária que tem consequências econômicas degradantes. Reiteramos nosso posicionamento contrário às aulas EAD e frisamos que somente aliados aos trabalhadores, as pessoas que estão arriscando as suas vidas pelo bem das nossas, é que poderemos trilhar uma saída digna. Por emprego, renda e testes para todos!"




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