GOVERNO BOLSONARO

Porta-voz do governo confirma corte de financiamento para filmes que “atentem contra os valores éticos e morais”

Em entrevista coletiva, o porta-voz da Presidência da República, confirmou planos do governo de passar o crivo ideológico contra filmes nacionais que recebem fundos do Fundo Audiovisual. A afirmação vem na semana seguinte de Bolsonaro anunciar que extinguiria a Ancine se não fosse instituído um “filtro” nos filmes patrocinados pela agência.

quarta-feira 24 de julho| Edição do dia

Em uma coletiva de imprensa, dada no Palácio do Planálto, Otávio do Rêgo Barros, porta-voz da Presidência, fez a descarada declaração de que, embora a Ancine não planeje interferir em filmes que foram patrocinados pela agência, o acesso ao Fundo Audiovisual agora será restringido pelo filtro de viés ideológico “moral” do governo Bolsonaro.

Na semana seguinte à declaração do presidente de que “não admitiria” o uso de dinheiro público para financiar projetos cinematográficos que ele considera “pornográficos”, e que ele gostaria que a Ancine financiasse filmes sobre “heróis nacionais” (exemplos de “heróis” para Bolsonaro incluem, por entre outros, o General Brilhante Ustra, torturador e pedófilo que trabalhou para a ditadura militar, e Duque de Caxias, o escravocrata responsável pelo genocídio de uma esmagadora porção da população do Paraguai), adicionando que se não pudesse impor seu “filtro” aos filmes nacionais, extinguiria a agência, o governo anuncia que será o julgamento sobre “valores éticos e morais” de seus censores que determinará o direito de uma produção nacional a receber patrocínio do governo ou captar fundos por isenção fiscal.

Além disso, Barros anunciou que o governo estuda transferir o Fundo Audiovisual da Ancine para o Ministério da Cidadania, atualmente nas mão de Osmar Terra, ex-ministro do governo Michel Temer.

O absurdo das declarações escancara o projeto do governo Bolsonaro de desmontar os poucos mecanismos de promoção da cultura nacional, em favor da doutrinação ideológica de seus valores ultra conservadores, bem alinhado aos devaneios da ministra pastora Damares Alves sobre seus “valores cristãos” de submissão da mulher, bem como declarações do vice presidente, General Hamilton Mourão, de que avaliava retomar a chamada “educação moral e cívica” nas escolas.

Essa foi, até agora, uma das demonstrações mais evidentes da censura promovida pelo governo Bolsonaro, que se volta contra a livre expressão e a diversidade, em sua cruzada conservadora de doutrinação dos “valores éticos e morais” que submetem a sociedade, especialmente as mulheres e os LGBTs à opressão das mais atrasadas, tudo em vista de preservar uma estrutura de sociedade em que o poder e o privilégio nunca são questionados, e a exploração capitalista é pano de fundo. Tudo feito por obra do exército ultradireitista de terraplanistas anti vacina, que esbravejam em defesa dos lucros capitalistas e contra os direitos dos trabalhadores, aos assovios do astrólogo metido a professor de filosofia, Olavo de Carvalho.




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