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ESQUERDA DIÁRIO IMPRESSO

Por que os trabalhadores revolucionários devem participar das eleições parlamentares?

Iuri Tonelo

São Paulo

terça-feira 5 de julho de 2016| Edição do dia

As jornadas de junho de 2013 elevaram o rechaço à podridão da habitual política parlamentar. A crise de representatividade que afeta todo o regime político e seus partidos tradicionais (PT, PSDB e PMDB) coloca em evidência contradições fundamentais do sistema capitalista. Os sujos acordos de bastidores, a velha compra de votos e de cargos e a corrupção estrutural que se escancaram aos olhos dos brasileiros vêm à tona junto com a crise econômica, que já afeta a vida de milhões de trabalhadores com o desemprego e a inflação.

A compreensão de que o sufrágio eleitoral a cada par de anos é uma farsa, na qual os patrões e capitalistas buscam legitimar a democracia burguesa como a máxima expressão da “vontade popular” se escancarou com o golpe institucional aplicado pela direita mais alinhados com o capital imperialista contra o governo Dilma.

Diante desse cenário, muitos trabalhadores corretamente começam a olhar desconfiados para a tribuna parlamentar, mas alguns tiram daí a conclusão incorreta de deixar de “fazer política”, pois enxergam que participar do Parlamento seria “vender-se à política habitual”. Por outro lado, um número ainda mais significativo de trabalhadores, por falta de alternativa, mesmo desconfiados e odiando o Parlamento, não deixam de votar nas eleições em nossos inimigos de classe, os candidatos dos capitalistas e patrões.

Em boa medida, este sentimento do mal menor representou importante base de votos ao PT nas eleições de 2014, aglutinando os votos de pessoas que desconfiam corretamente do PT, de seus métodos corruptos e de conciliação com a direita e os empresários, mas que na ausência de uma esquerda anticapitalista, escolheram Dilma.

Por isso, é necessário derrotar ao mesmo tempo tanto as ilusões “parlamentaristas” quanto os preconceitos “anti-parlamentares” que setores de trabalhadores desenvolvem em relação ao Parlamento. Um dos dirigentes da Revolução Russa, Lênin, dizia que “a participação num parlamento (...) permite demonstrar com maior facilidade às massas atrasadas a razão por que semelhantes parlamentos devem ser dissolvidos, facilita o êxito de sua dissolução, facilita a ‘supressão política’ do parlamentarismo burguês”.

Além de transformar esse preconceito generalizado contra “toda a política” em força política consciente contra o parlamentarismo burguês e a farsa da democracia burguesa, serve para fortalecer a convicção dos trabalhadores de que para derrotar o capitalismo e suas instituições é preciso construir um partido operário revolucionário internacionalista.

Combatendo a ilusão parlamentar e o preconceito anti-parlamentar

Os métodos da democracia burguesa e seu parlamentarismo não são nada mais do que instrumentos da violência organizada da classe dominante contra os oprimidos para preservar a propriedade privada dos meios de produção e da vida. Ou seja, instrumentos de repressão dos patrões e capitalistas contra os trabalhadores e oprimidos. Não é possível ter qualquer ilusão de que é possível modificar essa relação acumulando pacificamente deputados até conquistar uma maioria dentro do Congresso. Essa foi a aposta que o PT fez, contendo a luta dos trabalhadores para conciliar com a direita.

Isso, porém, não significa virar as costas ao parlamento burguês e deixar pacificamente milhões de trabalhadores que refletem e participam das eleições à mercê das mentiras e da demagogia dos políticos dos patrões. Acreditamos que a tarefa dos revolucionários é batalhar neste momento especial de politização das eleições para conquistar a consciência de amplos setores de massas para as idéias da revolução socialista.

Portanto, participamos das eleições não porque “concordamos com os métodos parlamentares”, mas porque queremos usar este momento especial de politização para batalhar e arrancar estes milhões de trabalhadores da influência reacionária dos políticos da patronal, influenciando-os com as ideias anticapitalistas e revolucionárias. Sempre combinado com as lutas extraparlamentares, com o objetivo de fortalecer, coordenar e organizar estas lutas como alavanca destinada estrategicamente à derrubada do capitalismo. Servindo-nos dos instrumentos do inimigo como plataforma para que “se ouça mais alto” nossos princípios antiburgueses e anticapitalistas.

Os trabalhadores podem e devem fazer política com sua própria estratégia independente e seu partido. Aproveitar a grande crise brasileira para agitar as idéias da revolução: é a serviço desta batalha nós do MRT lançamos nossas pré-candidaturas eleitorais




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