Sociedade

SAÚDE MENTAL

Porquê o objetivo de Crivella é acabar com os atendimentos do CAPSad?

terça-feira 12 de dezembro de 2017| Edição do dia

No final do ano de 2016, ainda na gestão de Eduardo Paes, os trabalhadores contratados por OS (organizações sociais) de alguns Capsad do município do Rio foram surpreendidos com um aviso prévio coletivo. Essa medida que chegou da noite pro dia com ordem de assinatura na sede da O.S para cada trabalhador preocupou as equipes desses serviços pela possibilidade de encerramento do trabalho territorial na lógica da redução de danos no cuidado das pessoas com uso prejudicial de drogas. Naquela época os trabalhadores já enfrentavam atrasos salariais e péssimas condições de trabalho. Mas a situação que já estava péssima, ficou ainda pior este ano.

Para além da permanência do cenário de atraso de salários, houve o atraso na assinatura do Convênio AD, vencido em 30/10/2017, em mais um ano. Esse convênio garante o funcionamento de 3 grandes serviços de saúde mental e assistência da política de drogas e só foi assinado após muita pressão dos trabalhadores e usuários e do movimento #NenhumServiçoaMenos que estão em greve.

Quando questionado o Prefeito se defende falando sobre a corrupção das Os, e a má administração do último prefeito. Contudo, o que está por trás do discurso do atual prefeito do Rio?

Há a disputa aí de qual política de álcool e outras Drogas será levada adiante para o tratamento dos usuários com uso prejudicial de álcool e outras drogas. Atualmente o tratamento desses usuários é disponibilizado gratuitamente por equipe multiprofissional nos CAPSad (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas). Os Caps foram os serviços criados para substituir os manicômios a partir da reforma psiquiátrica e da lei 10.216/11 que vai estabelecer o direito das pessoas com transtornos mentais a serem tratadas da maneira menos invasiva possível.

Os caps’s tem a lógica do cuidado territorial e intersetorial pois entendem que o adoecimento dos indivíduos também estão associados ás relações sociais que ele está inserido. Os CAPSad tem como mandato o cuidado às pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas com a lógica da redução de danos. Ou seja para você se tratar no CAPSad não precisa necessariamente estar “limpo”. E aí é que encontramos a grande questão, a perspectiva de um Bispo da Universal estar como prefeito do Rio, e gastar mais dinheiro com incentivo às Igrejas do que com os serviços de atendimento a população e ainda mais perigoso para a política AD (Álcool e outras Drogas) do Rio, pois ataca o sua própria existência.

Os ataques que estão colocados aos Capsad são direcionados principalmente à essa lógica de cuidado que se opera nesses equipamentos, já que Crivella, está ao lado dos setores mais reacionários da política, da bancada religiosa que quer impor que a droga continue sendo tratada como caso de polícia e não como caso de saúde pública.

Para eles a única forma de tratamento é a abstinência e defendem, e incentivam financeiramente, as comunidades terapêuticas, espaços que “internam” os usuários para tratá-los á partir da religião. As igrejas evangélicas e católicas são grandes detentoras dessas Comunidades Terapêuticas, espécie de casas de reabilitação baseadas na abstinência, internação e cura pela fé.

O que Eduardo Paes e Marcelo Crivella tem em comum ?

Ambos representam as diversas faces da direita que defendem seus interesses. Paes era mais ligado ao grande empresariado, aprofundou a parceria público-privada através das OSs e seguiu na lógica racista de limpeza social, com as remoções, internações e prisões crescentes. Apesar de ter ganhado as eleições com o slogan “Cuidar das Pessoas”, Crivella tem seguido os passos de Paes, acrescentando ainda mais repressão e ataques a sua gestão.

Demonstrando a cada dia o seu lado mais reacionário a serviço da Igreja Universal, atacando a cultura negra e o povo negro de conjunto, desde os atrasos salariais na saúde e saúde mental, a proposta de armamento da guarda municipal que sabemos será para reprimir camelôs.

Paes e Crivella não defendem a RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) onde estão inseridos os Caps Ad, UAs (Unidade de Acolhimento), abrigos e na atual gestão vemos o perigo de encerramento da política de drogas, como responsabilidade do Estado. É urgente a discussão da política de drogas de 2006, esse debate precisa sair do campo religioso e moral. Nunca se encarcerou ( e matou) tantas mulheres e homens negros por conta da política de Guerra às Drogas, mesmo com a distinção (presente nesta lei) de usuários e traficantes, que sabemos que é utilizada dependendo do CEP do usuário. Os dispositivos da saúde pública e assistência para atendimento à está população, já não eram suficientes antes da gestão de Crivella e isso tende a piorar.

Por isso precisamos lutar não somente pela permanência da Política de Saúde mental e Álcool e outras drogas tal como consta na lei e na sua ampliação mas também pela legalização das drogas e o fim da Guerra às drogas.

Atualmente, os trabalhadores do CAPSad, unificados com os outros trabalhadores da saúde estão em greve de ocupação contra os ataques e precarização dos serviços, das péssimas condições de trabalho e dos atrasos dos salários. Todo apoio à luta dos trabalhadores da saúde!

Pelo pagamento imediatos dos salários e condições de trabalho dignas!

Pela legalização das drogas e fim do genocídio da juventude negra!




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