Política

28A SÃO PAULO

Por uma greve geral efetiva: lutar pela base para não trabalhar até morrer

Num momento que o governo manobrou no congresso para aprovar o caráter de urgência para aprovação da reforma trabalhista, após os escândalos que envolvem as recentes delações da Odebrecht apresentadas na lista Janot-Fachin, entrevistamos militantes do MRT que relatam como está a construção das paralisações e ações nas assembleias e comitês de mobilização os quais estão construindo em SP, frente a expectativa da greve geral no país dia 28/04.

quinta-feira 20 de abril| Edição do dia

Junto com ativistas independentes no Movimento Nossa Classe, no Grupo de Mulheres Pão e Rosas e na Juventude Faísca, essas companheiras e companheiros mostram que não se deve alimentar nenhum tipo de ilusão na operação Lava Jato em apresentar uma saída diante a crise política do país. Ao mesmo tempo que a partir da forte paralisação do 15M abriu uma grande possibilidade não somente para os trabalhadores derrotar as reformas de Temer, mas para se apresentar uma alternativa anticapitalista, que não deixe que a nossa luta seja traída pelos interesses da burocracia sindical, e levante a necessidade de uma Assembleia Constituinte livre e Soberana onde os trabalhadores possam ser protagonistas na construção de um programa que os patrões e capitalistas paguem pela crise.

Marcello Pablito- Diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP e membro da Secretaria de negras e negros.

“Os trabalhadores da USP em assembleia, aprovaram junto com a ADUSP (Associação dos docentes da Universidade) e do DCE (Diretório Central dos Estudantes), um chamado para a construção de um comitê na região da Zona Oeste para aderir as paralisações e coordenar as ações na região no 28A. Esse chamado busca responder à necessidade fundamental de construir pela base a paralisação nacional do dia 28, para que essa luta não fique nas mãos da cúpula das grandes centrais sindicais, sejam as que querem usar os trabalhadores para eleger Lula em 2018, como a CUT e a CTB, que agora inclusive admitem negociar mudanças na previdência, seja aquelas que apoiaram o golpe e sustentam o atual governo, como a Força Sindical, que apresentou sua própria proposta de reforma da previdência. Não a toa suas lideranças, como Paulinho da Força e figuras da CUT, aparecem nas delações por terem recebido dinheiro em troca de entregar e trair greves e lutas dos trabalhadores. Essa figuras merecem todo o ódio dos trabalhadores. E as correntes e partidos da esquerda ao organizar os comitês e assembleias e sindicatos onde dirigem deveriam aderir ao dia 28/04 fazendo esse combate a burocracia sindical, e não se adaptar como fazem. Ao mesmo tempo, precisamos saber que a imprensa e os patrões estão se aproveitando disso e apoiando-se na operação Lava Jato pra fazer uma campanha contra os sindicatos e a resistência aos ataques. Ao contrário, frente a essas traições, mais do que nunca é fundamental que os trabalhadores assumam a linha de frente da luta, pois não será a Lava Jato que vencerá as reformas, e possam a partir daí inclusive recuperar os sindicatos, que devem ser instrumentos de luta da nossa classe. Pois se depender desses traidores os ataques vão passar, como ficou claro com esse um mês e meio de trégua desde o dia 15 de Março, em que já foi aprovada a lei da terceirização e está pra ser votada a reforma trabalhista, antes mesmo de um novo dia de paralisação nacional. Por isso estamos chamando, junto às entidades de estudantes e professores, todos os lutadores da região pra nos unificarmos e coordenarmos ações contundentes que ultrapassem o marco controlado que as centrais querem dar pra esse dia.”

Felipe Guarnieri- Operador de Trem da Linha 1 azul do Metrô de SP

“No dia 15M os metroviários depois de 10 anos voltaram a aderir uma paralisação nacional dando um caráter ainda mais combativo para o dia. Foi emocionante ver os aplausos que a população dava a nossa greve nas redes sociais e nos nossos piquetes. Vendo a nossa força o Alckmin novamente provoca a categoria, aproveitando-se da aprovação da lei da terceirização no Congresso e divulgou no diário oficial a licitação para que a empresa Liderança terceirize o serviço de bilheterias nas estações (a começar pela linha 5 já ameaçada pela privatização). Uma medida que é parte de um plano para avançar ainda mais na terceirização no Metrô, retirando direito dos trabalhadores, acabando com postos de trabalho e contratando uma mão de obra ainda mais precarizada que ira realizar a mesma função com um salário 3 vezes menor. Assim como em relação a reforma trabalhista, que prevê o aumento da jornada de trabalho e o negociado sobre o legislado, as principais centrais não estão fazendo nada para impedir que esses ataques aconteçam, totalmente secundarizado na pauta do dia 15 pra cá. Por isso, aprovamos na assembleia a adesão no dia 28, participamos desde o Movimento Nossa Classe do comitê na Zona Sul, e na comissão sindical de base do Pátio Jabaquara discutimos a realização de um ato no próximo dia 26 com carro de som na região para avisar e discutir com a população os justos motivos da nossa luta. Vale destacar também a importante resistência dos operadores de trem da linha 1 que impediram o treinamento de contingência (plano do Metro com a chefia para operar o metro nos dias de greve) dos supervisores da segurança, apesar de toda a truculência da empresa que chegou chamar a PM na base dos operadores para que o treinamento fosse realizado. Agora estamos realizando setoriais em todas as áreas da operação, trens e manutenção, para convocar a assembleia do próximo dia 27 e organizar os piquetes e ações que faremos no 28A.”

Marcella Campos- Professora da Zona Norte e candidata a conselheira estadual da Apeoesp pela Oposição Unificada.

“Aqui na Zona Norte por meio dos Comitê Jaçana de luta contra a reforma da previdência composto por professores do estado e do município, e alunos e pais da região, estamos impulsionando junto com a chapa da oposição para concorrer a eleição da Apeoesp, principalmente a partir das escolas João Batista e Pedro Alexandrino, panfletagens e reuniões nas comunidades e nos bairros para discutir um plano de ação contra a reforma da previdência e trabalhista. Além disso, também estamos realizando panfletagens nas industrias e locais de trabalho da região. Vamos fazer um festival de Arte “Não vamos trabalhar até morrer” no dia 20/04 as 18hs no Metro Tucuruvi com a presença de artistas e microfone aberto a todos os trabalhadores que estiverem passando expressar suas denúncias contra os ataques do governo. É importante destacar que desde o comitê estamos organizando ações coordenadas para aderir a paralisação no dia 28/04, através da construção de um Ato logo pela manhã na Avenida Tiradentes, ao qual exigimos através de abaixo assinados nas escolas que a direção da Apeoesp da CUT forneça ônibus e transporte para que toda a comunidade escolar possa participar. Na minha escola o João Batista para o dia 27/04 vamos realizar uma aula pública com a comunidade escolar, e com os professoras marcamos uma reunião do Grupo de Mulheres Pão e Rosas fazendo um chamado para todas as professoras se organizarem para aderir as manifestações do 28A. Apesar da direção do nosso sindicato ser da CUT, que mostrou no último dia 15M não estar disposta a levar a frente essa luta, iniciando a trégua em SP ao interromper a greve em curso dos professores, estamos mostrando que é possível a partir da base construir um forte dia de paralisação para vencermos os ataques do governo."

Thais Oyola- Bancária e candidata a diretora presidente pela chapa da oposição para a ACPCEF/SP.

“Estamos atravessando duas eleições, uma para a associação de funcionários da Caixa (APCEF/SP) e outra para a diretoria do Sindicato dos Bancários, Osasco e região que acontecerá entre os dias 25 e 28 de abril. As duas entidades são dirigidas pela CUT que foi contra adiar as eleições para organizar na categoria a adesão ao 28A. Para esses dirigentes sindicais é mais importante defender seus privilégios do que colocar seus cargos a serviço da luta dos bancários. Por isso, estamos na chapa de oposição nessas eleições, e colocando na campanha que estamos fazendo nas agencias a exigência para que a direção do Sindicato convoque uma assembleia na categoria com o objetivo de tirar ações organizadas na base que possibilitem os bancários aderirem a paralisação do 28A não apenas individualmente. Num momento que o governo golpista do Temer quer avançar sobre os direitos de todos os trabalhadores, descarregando sobre a população a crise que eles mesmo criaram, a direção da CUT está mais preocupada em se reeleger no sindicato. Os bancários tem condições de cumprir um grande papel pois são capazes de denunciar com propriedade como os banqueiros lucram em cima do suor do trabalho de todo o povo. Essa força anticapitalista que a CUT está impedindo que se expresse no próximo 28A.”

Willian Garcia- Diretor do CAPPF (Centro Acadêmico da Faculdade de Educação da USP)

“Desde o início do ano estamos impulsionando um comitê de estudantes, funcionários e estudantes contra a reforma da previdência, trabalhista e todos os ataques do Temer, assim como contra os ataques que estamos sofrendo na Universidade através do Reitor Zago. A gente sabe que a luta da universidade tem uma ligação enorme com as lutas que estão acontecendo no país, principalmente em torno da resistência a política de privatização levada a frente pela Reitoria e pelo governo Alckmin. Para fortalecer a defesa da universidade pública a serviço dos trabalhadores é fundamental aderir a essa paralisação nacional, a juventude é um dos setores que será mais atingidos com a aprovação da reforma trabalhista, pois irão ocupar postos de trabalho com jornadas ainda mais longas, com menos direitos e sem nenhuma perspectiva de futuro com o imenso ataque que representa a aprovação da reforma da previdência. Por isso, desde a Juventude Faísca estamos organizando na base nossa adesão ao 28A para construir uma forte paralisação nos cursos. Desde a juventude temos a convicção de que é possível derrotar os ataques de Temer, além do que se abre um grande espaço para as ideias anticapitalistas, e por isso batalhamos também para a convocação de uma assembleia constituinte aonde os trabalhadores e toda a juventude possa ter o protagonismo na mobilização e fazer com que de fato os capitalistas paguem pela crise. Exigindo o não pagamento da dívida pública, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, o fim da terceirização e a efetivação de todos os trabalhadores sem concurso público, assim como a reestatização das universidades, serviços públicos e empresas sob controle dos trabalhadores e da população."

Veja as categorias em SP que já votaram adesão ao dia 28/04:

Metroviários SP
Metalúrgicos SP
Rodoviários SP
Sintusp – Trabalhadores da USP
Professores Estaduais
Educadores Municipais
Sintaema – Trabalhadores da Sabesp, Cetesb e Fundaçao Florestal, Eletricitários
Bancários
Portuários de Santos
Rodoviários de Santos
Correios SP
Portuários ES
Sindsef – Servidores Federais
Sinsprev
Sintrajud – Judiciário Federal
Judiciário Estadual
Siemaco Baixada Santista
Químicos SP




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