Juventude

ENSINO REMOTO NA UFF

Por uma comissão de acompanhamento dos próprios estudantes para o ensino remoto na UFF

O ensino remoto, aprovado de maneira autoritária na UFF, precisa ser acompanhado de perto pelos estudantes para que não sejam cometidos abusos e para evitar que se torne ainda mais excludente.

domingo 6 de setembro| Edição do dia

Imagem: Arquivo Pessoal/ G1

Foi confirmada a veracidade da minuta enviada pela pró-reitoria de graduação da Universidade Federal Fluminense às coordenações de curso, alterando o calendário aprovado no ano 2019 para o ano letivo de 2020, suscitando no retorno às aulas no dia 14 de setembro com as chamadas Atividades Acadêmicas Emergenciais, mesmo diante de um cenário de crise sanitária em que mesmo com a enorme sub-notificação, resultado da falta de testes massivos, o país já chega às 105 mil mortes pelo novo coronavírus graças a política negacionista de Bolsonaro e a reabertura da economia. Sabemos da potencialidade que uma universidade como a UFF pode contribuir no combate ao vírus, através do reforço da produção científica, de EPIs e álcool em gel, em movimento desde o início da pandemia, para garantir que a população conseguisse manter a sua saúde intacta e assim, a universidade esteja à serviço da classe trabalhadora.

O DCE, dirigido por (PT e PCdoB), vem cumprindo um papel legitimador em apoiar as políticas da reitoria de aprovar à todo custo o absurdo ensino remoto na UFF. Aprovada em reunião do CEPEX (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão), órgão com caráter mais deliberativo da universidade, tal decisão não contou com aprovação sequer daqueles que são a maioria na universidade, os estudantes, que detém um peso menor de voto para reitor do que os outros setores universitários. Isso sem falar nos trabalhadores terceirizados que sequer tem direito à voto. Sendo sua maior parte composto por pró-reitores, com uma minoria de trabalhadores e professores.

No entanto, os estudantes foram deixados de fora do processo decisório da universidade e agora terão que enfrentar o ensino remoto. Justamente por que fomos escanteados dessa decisão, que devemos estar ainda mais alertas quanto a sua implementação.

A medida autoritária visa o retorno às aulas no excludente ensino remoto, que não leva em consideração a situação de vida dos estudantes, suas condições socioeconômicas, suas condições de acesso à internet e computadores, além de questões de saúde mental que tem afetado a comunidade acadêmica durante a pandemia. A reitoria tem lançado editais de Auxílio de Inclusão digital, porém o empréstimo de computadores e a concessão de bolsas auxílio e 100 ou 250 reais são insuficientes tanto pelo valor pequeno para que um estudante de baixa renda possa ter condições plenas de acesso à internet e meios digitais, quanto pelo número insuficiente de vagas para o acesso à esses benefícios, a UFF em 2015 tinha em torno de 50 mil alunos.

Com aprovação do ensino remoto, é preciso que os estudantes elejam representantes em cada curso para uma comissão de acompanhamento e denúncia que possa fiscalizar a tomada de decisão da reitoria, tendo acesso aos mais amplos dados do semestre, como o nível de adesão, trancamentos, reprovações, etc. Dessa forma, estudantes que devem ser excluídos pela medida, podem contar com essa instância para garantir seus interesses. Não podemos confiar e nem estimular confiança, dos que estão do lado dos empresários e de setores reacionários da sociedade.

Nós da Faísca Anticapitalista e Revolucionária da UFF, defendemos a necessidade da realização de um plebiscito para que os estudantes possam participar ativamente das decisões que ditarão a universidade no período de pandemia. A aplicação do ensino remoto apenas favorece setores empresariais como o Google e com intuitos privatizantes interessados em lucrar com a pandemia e desfavorece os cotistas e alunos proletários, que devem ser excluídos por essa decisão. Defendemos uma universidade que esteja a serviço da ciência e da classe trabalhadora, onde todos os cursos possam voltar seu conhecimento e atenção para o combate à pandemia.




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