Mundo Operário

CONTROLE OPERÁRIO

Por um plano de guerra organizado por operários para combater o coronavírus

Em tempos de guerra, os capitalistas reorganizaram a produção para que atendessem a seus interesses bélicos e financeiros. Hoje, diante da guerra do coronavírus, é possível que os trabalhadores se organizem para controlar a essa produção para salvar vidas e construir uma sociedade que aponte para o fim da exploração e da opressão?

sábado 21 de março| Edição do dia

O coronavírus se prolifera e governos e empresas não respondem à crise

No Estado Espanhol, por exemplo, os números de contágio e de mortes cresce exponencialmente, o sistema de saúde está colapsando com 10 mil casos de contágio e 342 falecidos. Na Alemanha, há mais de 7,3 mil contágios. Na Itália, se superam 2,2 mil mortes pelo coronavírus, com uma taxa de mortalidade de 7,7%. A situação no Brasil é aprofundada com as condições absurdas da saúde, os dados são de 2,2 leitos a cada 10.000 habitantes e na rede pública (SUS) são somente 1,04. O número de leitos com respiradores é ainda menor. Mais de 80% das regiões de saúde no país não atingem esse parâmetro da OMS e muitos sequer possuem um só leito de UTI.

As estratégias dos governos na Europa centram-se exclusivamente em evitar o colapso do sistema de saúde precário, sem vontade real de resolver o contágio e as mortes. No Estado Espanhol, não há pessoal e nem material suficientes. O trabalhadores da saúde têm jornadas de trabalho extenuantes. O governo priorizou então que se faça o teste do coronavírus apenas nas pessoas com sintomas graves. A Alemanha fez apenas 35 mil testes semanais, considerando que há uma população de 80 milhões. Aqui no Brasil, o governo Bolsonaro não irá realizar testes em massa para a população. O plano do Ministério da Saúde é de contingência para o COVID-19, e os testes serão feitos somente nos casos mais graves de pacientes que já estão internados na UTI.

Do ponto de vista das empresas capitalistas predadoras que só querem garantir seus lucros nessa crise, algumas foram aprovadas pela Anvisa para produzir testes do coronavírus e planejam VENDA inicial de 640 mil kits, e não FORNECIMENTO GRATUITO.

Por um plano de guerra operário para responder à crise

Em tempos de guerra, é necessário que o que os trabalhadores produzem seja voltado para esse cenário. E se a produção fosse voltada para fabricar leitos, testes, máscaras, nessa proporção no Brasil e em todo o globo, no que tem o mais avançado da tecnologia mundial?

A Primeira Guerra Mundial se utilizou da chamada revolução industrial, e vice versa, só que do ponto de vista dos capitalistas. A produção de aço e ferro esteve voltada para a produção de munições inéditas, como aviões e armas químicas, que arrasaram vidas humanas. Na Segunda Guerra Mundial, fábricas voltadas para a produção das bombas nucleares, aviões mais tecnológicos, como os kamikazes. Vale ressaltar também a utilização do trabalho forçado dos campos de concentração. E também a introdução das mulheres no mundo fabril. Em nenhuma dessas situações catastróficas para a humanidade os trabalhadores tiveram o controle da produção.

E se, diante da crise e clima de guerra que a pandemia do coronavírus instaurou hoje, em plena tecnologia do século XXI, os operários armassem um plano de guerra para usar as capacidades das fábricas para produzir a nosso serviço e de acordo com as necessidades da classe trabalhadora e do povo pobre? E se, na urgência que temos de leitos, sabão, álcool em gel, as fábricas que produzem material de higiene, colchões, estivessem voltadas para essas necessidades? O controle operário pode proporcionar isso.

A exemplo disso, podemos nos valer do relato de um operário da indústria química, sobre como seria se as fábricas de sabão e álcool-gel não estivessem voltadas ao lucro dos patrões e produzissem estes itens para todos os hospitais e toda a população gratuitamente. Ou de um operário da indústria gráficaem meio à crise do coronavírus. Existem fábricas no Brasil, gráficas por exemplo, que imprimem 60 mil cadernos de 16 páginas por horas, em que 3 dessas máquinas seriam 180 mil cadernos por hora, poderiam ser impressos folhetos de como se prevenir e quais cuidados na crise do coronavírus em apenas 1 página. Essas 3 máquinas poderiam imprimir 2 milhões 880 mil folhetos contra a pandemia de coronavírus em um hora. Em pouco mais de 3 dias de trabalho só com essas 3 máquinas poderiam ser impressos folhetos que poderiam salvar vidas para o país inteiro.

Para responder de fato a pandemia, é necessário que em nosso plano de guerra esteja a centralização de todo o sistema de saúde e laboratórios químicos para produção de reagente e testes massivos, sejam eles públicos ou privados, não pagamento da dívida pública e nacionalização dos bancos, por uma economia em que os trabalhadores coloquem nossos recursos e não paguemos mais com nossas próprias vidas, enquanto os grandes bancos lucram. Por uma política independente das respostas insuficientes que os Estados capitalistas podem pensar em dar.

Essas iniciativas têm que ser controladas por comitês de trabalhadores, para definir, rever e aprimorar as formas de combate e prevenção ao vírus, pois Bolsonaro seguirá sem tocar no lucro dos capitalistas, colocando em risco a vida da população. Nos serviços que forem essenciais manter, quais as medidas necessárias de prevenção? Nestes serviços, por que não reduzir as jornadas de trabalho sem reduzir o salário para que haja menos tempo de exposição? E porque não liberar todos aqueles que são de grupos de risco? Porque para isso seria necessário que funcionários terceirizados sejam efetivados e desempregados contratados, e isso é tudo o que os empresários querem evitar. Para pensar medidas como essa, é preciso colocar a vida dos trabalhadores acima dos lucros, e isso só será efetivado com a força da organização dos trabalhadores.

Os sindicatos, que estão em sua maioria nas mãos de centrais sindicais dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, como CUT e CTB, têm que impulsionar esse tipo de iniciativa em cada local de trabalho, para conseguirmos reestruturar o conjunto da produção sob controle dos trabalhadores para garantir itens vitais hoje de alimentação, prevenção e de tratamento.

O momento é de guerra, e não é aceitável que os capitalistas sigam lucrando enquanto a população corre risco de vida. Exemplo disso são os professores de Rosário, na Argentina, que se organizaram para produção de álcool em gel, ou operários de fábricas de sapato em Antacal, na Espanha, que transformaram a produção da fábrica para a produção de máscaras. Mostram que é possível, com os trabalhadores se organizando para trabalhar tomando todas as medidas sanitárias e de segurança junto à especialistas da saúde, que os trabalhadores dirijam o combate à pandemia.

É urgente que os trabalhadores tomem a frente de responder a essa crise e os sindicatos podem servir como ferramenta para impulsionar a organização em cada local de trabalho para reorganizar a produção, garantindo emprego, a serviço da produção de equipamentos, alimentos e itens que hoje são essenciais para a nossa sobrevivência.




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