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8 de Março | Por um 8M organizado em cada local de trabalho e estudo contra Bolsonaro, Mourão e Damares

O 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, se aproxima. Mais uma vez coloca na ordem do dia a necessidade da batalha por um movimento que se coloque na linha de frente ao lado do conjunto da classe trabalhadora, negros, povos originários e LGBTQIA+, contra Bolsonaro, Mourão e Damares, pela revogação integral da reforma trabalhista, e todas as reformas e pelo direito ao aborto. Para isso, é urgente que o movimento de mulheres supere métodos burocráticos impostos pelas direções, e que construa pela base, em cada local de estudo e trabalho para que a força real das mulheres possa se expressar

Pão e Rosas@Pao_e_Rosas

terça-feira 22 de fevereiro | Edição do dia

Foto: Greve das trabalhadoras terceirizadas das escolas de Campinas-SP

O Dia Internacional de Luta das Mulheres de 2022 escancara a realidade vivida pelas mulheres brasileiras. Cenas como agressão a alunas trans, altas taxas de transfeminicídio, milhares de mulheres mortas por abortos clandestinos e atacadas pela violência machista, circulam num contexto que se soma com um início de ano do compartilhamento da dor da mãe de Moïse - vítima fatal do racismo, xenofobia e da reforma trabalhista de Bolsonaro e do regime do golpe institucional de 2016 -, e a dor de amigas e familiares de atingidas e atingidos pelas enchentes na Bahia, em Minas Gerais, em São Paulo e em Petrópolis. As mulheres são parte do grupo dos mais afetados pela inflação, fome e desemprego, pelas filas do osso e do lixo.

Mas é também nesse cenário que se desenvolve a revolta contra as marcas da crise capitalista e o machismo. No Brasil, essa revolta morou recentemente na batalha do movimento de mulheres para garantir que uma garota de apenas 10 anos, estuprada sistematicamente pelo tio no Espírito Santo, conseguisse realizar abortamento no Recife, se colocando firmemente contra mulheres reacionárias, aliadas da corja de Bolsonaro e da extrema-direita, como Clarissa Tércio (PSC-PE), que queria impedir esse direito básico. Mora no repúdio às declarações machistas e homofóbicas de políticos de direita, como Marco Feliciano do projeto da “Cura Gay”. Mora nas manifestações por Justiça por Mari Ferrer em 2020, contra o STF. Mora nas expressões internacionais, como as operárias de Mianmar contra o golpe militar, nas chilenas contra os ataques neoliberais, na Maré Verde e nas trabalhadoras da saúde de Neuquén na Argentina, nas greves internacionais de mulheres do 8 de Março de 2017. E sem dúvida alguma mora em cada uma que é atacada com as reformas e privatizações de Bolsonaro, Mourão, Damares, Congresso e STF reacionários.

Veja também: Fortes atos de rua para derrotar Bolsonaro, Mourão e Damares, pela revogação da reforma trabalhista e pelo direito ao aborto

Nesse sentido, para dar vazão a essas revoltas, se coloca na ordem do dia debater um movimento de mulheres que se construa a partir de cada local de trabalho e estudo, para garantir direito a voz e de decisão para cada trabalhadora, estudante, pela construção de um movimento democrático. Para que a força real das mulheres que estão no interior da classe trabalhadora brasileira, que movem os transportes, os comércios, os hospitais, as escolas, possa se expressar e ser assim uma força imparável contra todos os ataques às mulheres e trabalhadores que produzem Bolsonaro, Mourão e Damares. Colocar em movimento essa força seria capaz de hoje levantar nacionalmente a defesa da revogação integral da reforma trabalhista e demais ataques, colocar o direito ao aborto em pauta e também exigir Justiça por Moise, um símbolo da precarização do trabalho e de como as mulheres negras choram pela perda de seus filhos.

Um movimento de mulheres assim, democrático, construído pela base, com reuniões e assembleias para preparar a participação nos atos do 8M, é o que infelizmente não vêm sendo organizado. Isso porque, quem se postula enquanto direção do 8M nacional é a Marcha Mundial de Mulheres, grupo dirigido pelo PT, que assim como as burocracias sindicais, atua a partir de reuniões de cúpulas, mal organizadas e divulgadas, onde não há um método democrático de debater e votar posições e propostas contrárias, primando sempre a linha do PT, que justamente nesse momento onde Lula se prepara para as eleições ao lado de Geraldo Alckmin para gerir os ataques do regime golpista e que passaram com Bolsonaro, não querem um 8M forte e organizado pela base, querem apenas manifestações protocolares, onde a real força das mulheres, trabalhadoras, negras, imigrantes, jovens, não se expresse e as manifestações se transformem em grandes palanques eleitorais para Lula. E infelizmente, a esquerda como os setores do PSOL, assim como nacionalmente, no movimento de mulheres também se subordina à essa política.
Esse método de de reuniões restritas às direções burocráticas, onde não há construção nos locais de trabalho para que as mulheres trabalhadoras entrem em cena, acabam por dar espaço para também liberais que nos atacam. Exemplo disso foi a busca, especialmente da grande mídia e de empresas, de cooptar o fenômeno de massas do #EleNão, em 2018, abarcando mulheres como Kátia Abreu, representante do agronegócio, Marina Silva, patrocinada pelo Itaú, e Ana Amélia, tucana racista.

Por isso, nós do grupo Pão e Rosas, defendemos que as mulheres estejam na linha de frente da luta da classe trabalhadora, que cada trabalhadora seja parte da vanguarda do movimento de mulheres e que o conjunto dos trabalhadores esteja ombro a ombro na luta contra o machismo. Para isso é preciso que as centrais sindicais, como CUT e CTB, e as direções do movimento de mulheres organizem de fato o 8M e a luta das mulheres onde a força das mulheres está, colocando à frente demandas como a legalização do aborto, a revogação integral da reforma trabalhista e a justiça por Moïse contra Bolsonaro, Mourão e Damares.Esse é o conteúdo que nós do Pão e Rosas queremos expressar nesse 8M de 2022 e como parte do Polo Socialista e Revolucionário, estamos chamando a construção de blocos classistas, como foi aprovado em São Paulo, que se coloquem também com essa perspectiva para que possamos avançar no combate real contra o machismo e o capitalismo, por uma sociedade emancipada, livre da opressão e da exploração.




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