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1º DE MAIO | Por um 1º de Maio Classista e Independente, que unifique e coordene os focos de resistência pelo país!

quinta-feira 29 de abril | Edição do dia

Nesse 1º de Maio, Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, que tem um significado imenso para a classe trabalhadora as centrais sindicais de esquerda, CSP-Conlutas e a Intersindical - Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora, farão ato virtual independente, como alternativa e rompendo com o ato convocado pelas grandes centrais sindicais, que reúne CUT, CTB e sindicalistas abertamente traidores como da UGT e Força Sindical e outros políticos burgueses, inimigos dos trabalhadores.

Nós, do Esquerda Diário e Movimento Revolucionário de Trabalhadores saudamos essa iniciativa independente e nos somaremos ao 1º de Maio classista. A convocação desse ato é também uma oportunidade para debatermos os eixos de um programa comum frente à crise sanitária, econômica e social, para que ela seja paga pelos capitalistas, batalhando contra divisão imposta pelas burocracias sindicais que isolam os focos de resistência que aparecem no país. Por isso, entendemos que ser classista nesse momento, em meio a tragédia da pandemia e a crise econômica mundial, significa amplificar e dar voz às operárias da LG e terceirizadas, Suntech, Bluetch e 3C, em greve contra o fechamento das fábricas e o desemprego. Dar voz aos educadores que fazem diversas greves pelo país contra a reabertura insegura das escolas. Reverberar e se apoiar na batalha dos trabalhadores da CEDAE no RJ, contra as privatizações. Lutas que precisam ser unificadas e coordenadas, para que possam massificar e vencer.

Para isso é preciso que a CSP e a Intersindical, nos sindicatos que dirige e nos que faz oposição, exija que as grandes centrais sindicais coordenem iniciativas e mobilizações conjuntas por vacina para todos, com a quebra de todas as patentes, proibição de todas as demissões, auxílio emergencial de no mínimo um salário e uma forte campanha contra a Lei de Segurança Nacional, herança maldita da Ditadura militar, que hoje criminaliza e persegue principalmente partidos e ativistas da esquerda.

Além disso, existem exemplos internacionais importantíssimos que no Brasil pode ser uma grande inspiração, como os petroleiros de Grandpuits, na França, que basearam sua luta na auto organização. As trabalhadoras da saúde em Neuquén, Argentina, que protagonizam uma verdadeira rebelião na saúde, contra a precarização em meio a pandemia. E as trabalhadoras e trabalhadores de Mianmar que resistem bravamente ao governo militar

1º de Maio das grandes centrais sindicais quer trabalhadores a reboque dos patrões e governos

O absurdo de 2020 não apenas se repete como também se profunda. Um ano depois são 370 mil mortes a mais nas costas dos governos e burguesia, mas mais uma vez as centrais sindicais corrompem o maior significado do dia 1º de Maio, Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, e convidam para estar do seu lado nessa data os mesmos culpados pelas 400 mil mortes na pandemia e o desespero de amplos setores da população com a fome, desemprego, carestia de vida e retirada de direitos.

Não convocam as trabalhadoras e trabalhadores da saúde, nem mesmo os metroviários e condutores de ônibus ou os educadores que lutam contra a reabertura insegura das escolas para mostrar sua força organizada. Ao contrário, as grandes centrais chamam governadores, parlamentares e partidos que são justamente os algozes da classe trabalhadora.

Alguns dos convidados pelas centrais sindicais são Fernando Henrique Cardoso, uns dos mais reconhecidos neoliberais do país, Arthur Lira, Rodrigo Pacheco e Rodrigo Maia, parlamentares do reacionário Congresso Nacional golpista que nos últimos anos aprovou inúmeros ataques à população. Ciro Gomes, Marina Silva e outros políticos e partidos burgueses. Foram convidados também governadores, entre eles João Doria, o bolsonaristas “arrependido” que faz demagogia com a vida da população, mesmo governando o estado com um dos maiores números de mortes da pandemia.

Na convocatória do ato virtual assinado por CUT, CTB, Força Sindical, UGT, Nova Central e outras sequer existe um posicionamento contra Bolsonaro, muito menos questiona o regime político do golpe institucional que permitiu a reforma da previdência e trabalhista, Lei do Teto dos gastos, MPs da morte que auxiliam patrões de todos os tipos nas demissões e aprofunda a miséria e a fome com cortes de salários, e que agora na pandemia é parte responsável pela catástrofe e perda de centenas de milhares de mortes.

O que prima para essas centrais sindicais é a obstinação de se encaixarem nesse mesmo regime e prepararem suas alianças eleitorais para o próximo ano, como é o caso do PT, que com a reabilitação de Lula, depois das arbitrariedades cometidas pelo judiciário, passou a apostar todas as suas fichas em preparar o terreno para que Lula volte a presidência do país em 2023. Para isso não tem medido suas alianças, que vão de Doria, passando por Alexandre Frota e vai até Joice Hasselmann, para desgastar eleitoralmente Bolsonaro, com a política vergonhosa de propagandear impeachment, como se viu em reunião virtual na última semana, que denominaram de “super pedido impeachment”. Erro seguido por PSOL e PSTU, que também fizeram questão de compor essa "mesa", em nome de uma unidade, que só favorece a direita no país.

Se já é espantosa a adesão da CUT e da CTB a esse bloco reacionário com os golpistas, ainda que não chegue a surpreender, é muito mais preocupante que figuras da esquerda aceitem estar nesse mesmo palanque eleitoral virtual, usando o dia dos trabalhadores, como é o caso de Guilherme Boulos do PSOL.

É impreterível que as organizações de esquerda, ainda mais as que se colocam como socialistas, rompam com esse ato de 1º de maio com inimigos declarados da classe trabalhadora e do povo, além de repudiar a postura criminosa desses reacionários que acham que podem falar em nome dos trabalhadores, e denunciem as centrais sindicais traidoras, que sistematicamente esvaziam e isolam as categorias mobilizadas. Fazemos esse chamado ao PSOL, que rompam com a política de unidade com golpistas, por um lado, e com o PT, por outro.

Por Fora Bolsonaro, Mourão e os militares!

É preciso que o 1º de Maio convocado pela CSP-Conlutas e Intersindical se separe da conciliação de classes das demais centrais sindicais também na política, não só organizativamente. É tarefa de primeira ordem que a esquerda leve o “Fora Bolsonaro e Mourão e os militares”, isso significa combater Bolsonaro, mas sem abrir espaço para que um militar saudoso da ditadura e que hoje é uma das cabeças à frente da destruição ambiental no país, assuma o governo, como seria com um possível impeachment. Além dessa consequência, que já seria um erro enorme, também leva em seu caminho a uma política sem independência de classe, já que para se aprovar um impeachment é necessário contar com a aliança com parlamentares e partidos como DEM, PSDB, PSL e PP, para citar apenas alguns, que são abertamente contrários à qualquer interesse dos trabalhadores e população, ou seja, se unir até mesmo a partidos de direita e extrema direita, ressentidos com Bolsonaro por disputas de cargos e aparatos, mas que não podem romper ideológica e politicamente com a agenda de reformas, ataques e opressão.

A esquerda precisa levar uma política que apresente um polo de independência de classe no país, que alerte o povo em relação à aos verdadeiros interesses por trás daqueles políticos burgueses que hoje falam em Fora Bolsonaro, mas pactuam de todas as reformas aprovadas e uma política assassina na condução da crise pandêmica.

Por isso, também é preciso se separar dos governadores, STF e parlamentares no programa de resposta à pandemia, exigindo das centrais sindicais e sindicatos centralmente uma campanha nacional por vacina para toda a população, com a quebra das patentes e sem indenização, para que deixe de ser instrumento de chantagem e pressão de distintos imperialismos. Além disso, é preciso levantar como demanda a quarentena racional, organizada a partir de isolar e tratar os contaminados e doentes, uma medida muito diferente do lockdown dos governadores, que abrem brecha para repressão nos bairros mais pobres e periferias, junto com a permanente necessidade de testagens massivas, suspensão das atividades não essenciais, auxílio de pelo menos um salário-mínimo e suspensão das contas de luz, água e gás, para combater a fome e a pobreza.

O ato independente e classista do 1º de Maio pode e deve servir para que a esquerda debata uma política que não se adapte às burocracias sindicais, dirigidas por partidos que não podem se comprometer, por exemplo, com a revogação de todas as reformas que deterioram a condição de vida dos trabalhadores, e busquem uma saída real para o sofrimento das massas.

Para nós do MRT a única saída que vemos como possível para que o povo possa realmente tomar os rumos do país, sem que o Congresso, o STF ou os militares é a mobilização para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que seja capaz de levar à frente o conjunto dessas demandas e programa e avance para enfrentar a crise sanitária, social e econômica que vivemos hoje, com o não pagamento da dívida pública, a nacionalização dos bancos, a reforma agrária, a derrubada de todas as reformas anti-operárias e ataques aos direitos democráticos dos últimos anos, como a nova ofensiva da LSN, a reconversão da indústria para responder às demandas imediatas de saúde, mas também que abra caminho à luta por um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo.




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