Política

IMPEACHMENT E AJUSTES

Por trás do jogo político do impeachment, um poderoso ’ajuste’ de Dilma

terça-feira 13 de outubro de 2015| Edição do dia

Essa semana o noticiário político promete estar bem agitado com as movimentações a favor ou contra o governo Dilma. Enquanto isso, governo e oposição aplicam os mesmos planos de ajustes contra o população trabalhadora.

Os estudantes em São Paulo estão em plena mobilização contra o fechamento de escolas do governo Alckmin, do PSDB. Nesta terça mais uma vez os professores gaúchos estarão mobilizados contra os ajustes promovidos pelo governo de Ivo Sartori, do PMDB, como parcelamento do salário dos servidores e aumento de impostos. Os bancários seguem em greve contra o arrocho salarial. Mas esses e outros fatos políticos de grande importância, por que mostram a disposição de luta dos trabalhadores e da juventude, não serão destaque na grande mídia.

O grande destaque é se Cunha aceitara ou não o pedido de impeachment. Governo e oposição se reúnem e traçam suas táticas para obter maioria nas votações e decisões, ainda nada decisivas, da próxima semana. É a disputa, cada vez mais acirrada, entre duas formas de aplicar o mesmo ajuste contra o povo, pedido pelos banqueiros e grandes empresários.

O PT de Lula e Dilma reúne, ou tenta reunir, o que resta da militância e da força social do seu exercito de burocratas, nas várias esferas estatais e no domínio dos sindicatos. Para se defender, ataca em duas frentes. Dá todas as garantias de que vai fazer o que for necessário para garantir o apoio do mercado financeiro. Vai aumentar os juros, vai cortar, vai subir impostos e tarifas, vai privatizar, o quanto for necessário.

Ao mesmo tempo, de forma demagógica, articula frentes como a Frente Povo Sem Medo, em que a CUT se coloca como ponta de lança de um movimento contra os ajustes e contra o conservadorismo. Com isso, dá um discurso para sua base social e, talvez até mais importante a essa altura da crise política, compromete na sua defesa setores como o PSOL, um partido que até então se colocava como oposição de esquerda ao governo Dilma.

Como estão mostrando os jovens de São Paulo se mobilizando massivamente nas escolas, não precisamos ficar parados enquanto governo e oposição repartem entre si os privilégios estatais e disputam para ver quem vai ser o melhor ajustador. É possível através da luta e da organização barrar estes ajustes. A questão decisiva, para isso, é se vai surgir uma alternativa política para combater pela esquerda o governo petista, que não se limite a fazer atos aos domingos na Av. Paulista, que seja a capaz de apoiar e unificar as lutas contra todas as facetas do ajuste.




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