Internacional

SANTIAGO MALDONADO

Por que tanta fúria contra os povos originários?

Referente da esquerda na Argentina, a dirigente do PTS Myriam Bregman se referiu às profundas razões da perseguição e demonização desatada contra a comunidades originárias em todo o país, que levaram ao desaparecimento forçado de Santiago Maldonado.

Myriam Bregman

Buenos Aires | @myriambregman

quinta-feira 7 de setembro| Edição do dia

Por que tanta fúria repressiva contra o Pu Lof em Resistência de Cushamen? O que faz com que a polícia chegue a desaparecer com uma pessoa? Tem uma explicação.

A razão profunda se encontra em que neste 23 de novembro vence a lei 26.160 de comunidades indígenas e todos os estancieiros, os multimilionários como Benetton e Lewis, amigos do presidente, estão esfregando as mãos com o vencimento desta lei que impede o desajolamento de comunidades originárias em todo o país. Por isso, já desde agora a polícia ocupou o Lof Campo Maripe, conhecido como Vaca Muerta, onde estão fazendo um experimento de fracking que prejudica o solo, a natureza e contamina a água de toda uma população.

Estão encorajando a polícia, que já há anos cumpre o papel de reprimir as manifestações sociais, para poder avançar sobre os povos originários, apropriar-se definitivamente das terras e avançar com projetos mineradores, petrolíferos, de fracking no sul e por toda a cordilheira, e no norte para aprofundar a extensão da fronteira de soja.

Isso é o que explica, em última instância, a enorme perseguição que sofrem há anos as comunidades originárias. Por isso está preso Agustín Santillán em Formosa, por isso está preso Facundo Jones Huala no sul; porque de fundo o que se está discutindo é quem fica com a terra, quem fica com os recursos naturais do país, quem fica com as nossas vidas.

Atualmente as comunidades originárias se prepararam para brigar pela extensão da lei 26.160. Uma delegação de todo o país viajará para pedir aos deputados e senadores que trabalhem com uma dita extensão.

Do PTS-Frente de Esquerda colocamos nossos mandatos à disposição de tal reivindicação e denunciamos a criminalização e perseguição que sofrem os povos originários a nível nacional.

Nas antípodas de Patricia Bullrich [Ministra de Mauricio Macri], com outras deputadas apresentamos um projeto para garantir a propriedade comunitária da terra. Ninguém discute a concentração em mãos estrangeiras e a espoliação dos recursos naturais e bens comuns que são vitais para a população. Exigimos a aparição com vida de Santiago Maldonado, solidário com essa valiosa causa. Somente a voracidade e a sede de lucro explicam tamanha fúria de empresários, governo e forças repressivas contra os povos que resistem pela sua fonte de subsistência e seu direito ancestral. É necessário pará-los.




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