Educação

28A NO RIO

Por que os profissionais da educação do RJ devem aderir à greve geral em 28A?

Os trabalhadores da educação sempre foram vanguarda na luta por direitos, assumindo historicamente esse papel e na atual conjuntura de ataques aos diretos dos trabalhadores, com uma abertura ainda maior para a exploração por parte do grande capital, não poderá ser diferente.

Ronaldo Filho

Professor da rede estadual do RJ

quinta-feira 27 de abril de 2017| Edição do dia

Estamos convivendo com o governo golpista do Temer, que a serviço do capitalismo nos impõe uma política de acirramento das medidas neoliberais e de destruição dos direitos conquistados com anos de luta dos trabalhadores de todas as áreas. Aliado a isto, enfrentamos um braço deste governo no Rio de Janeiro com Pezão que tenta a todo custo entregar nossas vidas como garantia aos banqueiros para o pagamento da dívida pública e fazer do Rio exemplo dessa política para todo país pelo Regime de recuperação fiscal. Seguindo a mesma política do governo federal e do Estado, os municípios já estão implementando a política de ajustes, retirando direitos e precarizando os serviços como saúde e educação e as condições de trabalho.

Estamos sofrendo muitas pressões em nossos locais de trabalho. Nas escolas estaduais e municipais faltam materiais pedagógicos, merendas são reduzidas e em várias redes os servidores e terceirizados estão com seus salários atrasados. Como enfrentar todos esses ataques e pressões cotidianas? Reformas da educação, da previdência e trabalhista? A paralisação no dia 28A será uma grande ação para prepararmos uma resposta de fundo para uma série de questões gerais dos trabalhadores e específicas da Educação, especialmente no Rio de Janeiro. E como vem se mostrando, pode ser também o estopim para algo muito maior, pois há anos não se vê uma mobilização deste vulto no país. O 15M já mostrou a disposição dos trabalhadores, neste 28A vamos parar tudo! Em SP, os professores da zona norte estão dando exemplo de organização pela base, assim como em Contagem MG.

Greve significa parar as forças produtivas, o trabalho. Para os profissionais de educação o dia 28A significa paralisar os trabalhos de fechamento do bimestre como resposta às pressões autoritárias tanto nas redes municipais e na rede estadual por Wagner Victer, que sempre ameaça a categoria com lançamento de faltas, ignorando o código de greve 61. Porém, com a grande disposição de paralisar que os professores estão mostrando neste 28A, a SEEDUC terá que retroceder em dar falta e reconhecer nosso direito de paralisação. Caso em alguma escola os professores estejam sofrendo assédio moral, temos que nos organizar coletivamente e exigir o reconhecimento deste direito.

Paralisar dia 28A também significa não aceitar a imposição, neste momento caótico, de tarefas absurdas como o contestável lançamento de notas no sistema da SEEDUC, apesar da maioria das escolas da rede continuar sem acesso à internet devido ao corte de 70% nos gastos, decretado pelo próprio governo. E nas redes privadas, será o momento de dar um sonoro NÃO aos lucros dos patrões que se beneficiam com a precarização do ensino público e com exploração dos professores, e ganharão ainda mais com as reformas. Professores de dezenas de escolas privadas já anunciaram que vão paralisar e realizar aulas públicas.

Neste cenário, nossa saída só pode ser a luta, não só pelas pressões que sofremos e pela responsabilidade social que temos e por um futuro para nossos estudantes, mas sobre tudo porque a conjuntura é favorável a isso, pois a correlação de forças começa a mudar a nosso favor. As centrais CUT, CTB, Força Sindical e a CGT tentaram esfriar a luta adiando em mais de um mês um novo momento de mobilização após o 15M, mas por pressão da base tiveram que organizar este 28A, que pode ser a maior mobilização dos trabalhadores em décadas.

Podemos dar uma grande demonstração de força! Mas para isso, nós da educação, representados pelo SEPE, precisamos ter a percepção que devemos nos organizar e na base e recuperar os sindicatos das mãos desses burocratas que freiam nossa organização, e burocrata nenhum pode controlar o sindicato, nosso instrumento de luta, em função de interesses que não sejam em favor da categoria. Precisamos entender que todos nós trabalhadores, devemos nos apoiar e unir forças para efetivar nossas lutas. As burocracias perdem suas forças diante do peso da base radicalizada e pronta para lutar e dirigir luta. A última greve estadual foi exemplo disso, com muita disposição dos professores da base.

Essa crise que querem descarregar nas nossas costas não é nossa, por isso, temos que defender que sejam os capitalistas que paguem por ela! O dia 28A tem que ser uma grande demonstração de força dos trabalhadores para tornar esta paralisação nacional histórica e avançarmos para exigir das centrais sindicais que seja preparada uma grande greve geral efetiva organizada pela base, com um plano de luta, que derrube Temer e toas as suas reformas. A participação na greve geral, também significa a unificação com os estudantes, que estarão nas ruas em 28A, mostrando que jamais estarão sozinhos na luta contra essas medidas que afetam nosso presente e futuro, mais terá um efeito ainda mais devastador para as próximas gerações.

TODXS AS RUAS NESSE 28A CONTRA TEMER E OS CAPITALISTAS! CONCENTRAÇÃO NA ALERJ ÀS 14H.




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