PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS

Por que os combustíveis estão tão caros?

A resposta está na tentativa do governo Temer em privatizar - totalmente - a Petrobras. Entregar todos os nossos recursos ao capital privado e assim reafirmar seu compromisso com os interesses imperialistas.

quarta-feira 23 de maio| Edição do dia

O governo Temer e a Petrobras trouxeram desde o ano passado uma nova política de revisão de preços dos combustíveis. Com o novo modelo, a estatal passa a acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores. Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras agora avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que por vezes pode acontecer até diariamente. Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais.

Desde a ditadura militar, a política de preços de combustíveis no país era de longo prazo: a Petrobras mantinha os preços estáveis sem ficar a mercê das oscilações do preço mundial do petróleo, gerando perdas para a Petrobras quando o preço do petróleo subia e os combustíveis não, e ganhos quando acontecia o contrário. A nova política de oscilação diária, com muito mais rapidez para subir que para abaixar, está a serviço de preparar o terreno para privatizar as refinarias. Com preços fixos, não haveria interesse das multinacionais.

Com isso, vemos por exemplo o diesel com altas consecutivas nas refinarias, tendo subido 0,97% somente nesta terça-feira. Nos últimos 12 meses, houve um aumento de quase 16% do diesel, e o barril de petróleo chegou a bater na casa dos 80 dólares, o mais alto valor registrado desde de 2014. Apenas neste mês de março, essa nova política permitiu 10 altas anunciadas e 5 quedas no preço do litro do diesel, gerando ainda mais instabilidade que as políticas anteriores geraram. No caso do preço da gasolina, foram 12 altas e 2 quedas.

Essa variação nos preços abre espaço para arruinar-se cada vez mais o parque de refino nacional e abre espaço para os acionistas de todo o mundo, possibilitando cada vez mais prejuízos. O objetivo é claro: Temer quer abrir cada vez mais espaço para entregar os recursos naturais do país para o capital privado, reafirmando seu compromisso com os interesses imperialistas.

Isso, como era de se esperar, vem acompanhado de um forte impacto para o bolso dos trabalhadores e da população de conjunto, que paga cada vez mais caro no preço dos combustíveis e de todos os produtos que usam caminhões em suas logísticas. Isso também pode vir a aumentar o preço do gás de cozinha, afetando ainda mais o bolso da população.

Em protesto contra o impacto desta nova política, caminhoneiros de diversos estados do país têm se manifestado e bloqueado rodovias desde segunda-feira, 21. Isso tem gerado um forte impacto em aeroportos e na logística de diversas fábricas.

Esta é mais uma das medidas que interfere diretamente no bolso dos trabalhadores e da população, que tem de pagar caro pelos interesses dos capitalistas, junto de outros direitos rifados ou diretamente jogados no lixo.

É preciso se enfrentar com essa nova política e com o conjunto deste projeto que abre ainda mais espaço para a intervenção dos imperialistas no país, lutando contra a entrega de nossos recursos. Esse enfrentamento deve necessariamente passar pela completa estatização de todos os recursos do petróleo que já foram privatizados, tanto pelo governo Temer quanto pelo governo do PT, que também tinha o objetivo de entregar a empresa ao interesse privado. Para impedir este impacto no bolso dos trabalhadores e da população e que hajam novas privatizações, é preciso colocar a empresa sob administração democrática, que só pode ser pelas mãos dos trabalhadores petroleiros em consonância com os interesses da população brasileira, levando em consideração o quanto estes recursos poderiam fazer a diferença em diversos serviços públicos essenciais no país.
Somente um programa de profundo choque com os interesses imperialistas e o capital privado pode solucionar isso.




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