Juventude

LETRAS USP

Por que o CAELL é importante para os estudantes de Letras?

Carta da juventude Faísca e do grupo de mulheres Pão e Rosas aos estudantes da Letras USP sobre a importância da nossa entidade estudantil, o CAELL.

sexta-feira 10 de novembro| Edição do dia

O curso de Letras da USP é o maior da América Latina. São cerca de 5 mil estudantes, em sua maioria mulheres, e o curso com maior quantidade de negros na universidade. Coincidentemente (ou não) é o curso com níveis altíssimos de sucateamento da reitoria. Estamos há mais de 40 anos em um prédio provisório onde o teto cai quando chove, é evidente a falta professores, habilitações correndo risco de serem fechadas, problemas com a pró-aluno que prejudicam a permanência dos alunos no curso etc. Por ser um curso com pouco interesse mercadológico e formador de professores, é um dos primeiros a sofrer com o projeto da reitoria.

Em contrapartida, é também um curso com um potencial enorme de mobilização. O maior Centro Acadêmico da América Latina pode cumprir um papel importantíssimo na luta contra os ataques da reitoria e dos governos, que não estão descolados. Para isso, é necessária uma gestão que se proponha a mobilizar os estudantes, construindo os coletivos como o de mulheres Marias Baderna, o Coletivo negro Claudia Silva Ferreira e o Coletivo de Diversidade Sexual e de Gênero, fortalecendo os espaços de discussão e debates dos estudantes.

O Movimento Estudantil cumpriu papeis importantes na história: no Brasil, lutamos contra a ditadura, contra os decretos do Serra em 2007, avançamos na luta por cotas. Aliado aos trabalhadores, o ME foi protagonista de diversas lutas contra os ataques à educação e à população. Na conjuntura reacionária em que vive o país após o golpe institucional de 2016, esses ataques não apenas não cessaram, como também se intensificaram, com o objetivo claro de descontar nas costas da juventude e dos trabalhadores a crise que se instaura a nível nacional. A reitoria e burocracia universitária continuam se mostrando alinhadas ao projeto golpista para a educação, abrindo espaço para que projetos reacionários como o Escola sem Partido entrem na universidade. Alinhada também ao Conselho Estadual de Educação, a reitoria quis impor, no início deste semestre, uma reforma curricular aplicada às licenciaturas, um grande ataque que afeta a formação dos estudantes de Letras enquanto professores e incentiva ainda mais um caráter tecnicista e mercadológico da educação, ao invés do ensino como formação de pensamento crítico.

Frente a todos esses ataques, a nossa resposta não deve depender do projeto de conciliação petista, que segue abrindo espaço para a direita, e nem no projeto golpista da operação Lava-Jato, mas na auto-organização da juventude e dos trabalhadores. Queremos retomar o movimento estudantil que de fato seja ferramenta de mobilização para a base dos estudantes, a coloque como sujeito político capaz de refletir e debater acerca da conjuntura reacionária que nos afeta e ser um polo de resistência e enfrentamento contra os ataques da reitoria e da direita, pela defesa da permanência estudantil, das cotas e do caráter público, gratuito e de qualidade da universidade. Para isso, nós da Faísca – Anticapitalista e Revolucionária e do grupo de mulheres Pão e Rosas, queremos debater com os estudantes de Letras a proposta de formação de uma chapa para a nova gestão do CAELL em 2018.




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