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Por que ir às ruas contra Temer neste dia 31 de julho?

Neste 31 de julho não faltam motivos para irmos as ruas contra o governo golpista de Temer. Como fortalecer a luta de forma independente do PT e contra toda esta democracia dos ricos? O Esquerda Diário​ falou com Guilherme Boulos​, do MTST, um dos organizadores, sobre a manifestação, veja o depoimento.

quinta-feira 28 de julho de 2016| Edição do dia

O governo Temer nos seus dois meses de existência passa hoje por uma fase de relativa estabilidade frente às dificuldades que teve desde o começo de sua interinidade golpista. Contudo, essa tendência relativa não significa que a crise política de representatividade, a profunda crise econômica de desemprego e ataque às demandas sociais, tenham sido resolvidas. Pelo contrário, Temer se apoia no “ânimo” da burguesia internacional frente aos ajustes econômicos, na mídia que até falsifica pesquisas para ajuda-lo, enquanto elabora todo um plano de negociatas parlamentares, com seu pacote de “bondades” para o Congresso que visa pavimentar o terreno da concretização do golpe no Senado e cavar o espaço sólido para aplicação dos ataques definitivos.

Num pais onde a dinâmica política corre mais rápido que as séries de TV, o governo quer fazer esquecer seu início golpista marcado pela falta de legitimidade ante as massas que não o elegeram, insistentes denúncias de corrupção que derrubaram importantes ministros e as lutas da juventude e dos trabalhadores que rechaçam o golpe e a mídia, empresários e toda corja golpista sedenta por ajustes duríssimos.

É necessário desenvolver nas ruas, nos locais de trabalho e estudo uma resposta ao governo golpista. Por isso é necessário ir às ruas e fazer uma grande demonstração de forças neste dia 31 de julho, no ato convocado pela Frente Povo Sem Medo pelo Fora Temer.

Nesses dois meses, Temer foi obrigado a recuar em alguns ataques, não por incertezas no projeto de governo antipopular, mas por conta da força política da juventude e trabalhadores, que rechaçaram o golpe. Começou atacando a cultura mas não resistiu à mobilização dos artistas que em diversas cidades ocuparam os ministérios. Mas são enormes os ataques para os quais se preparam e teremos que resistir. Ele e sua equipe já prometeram privatizar aeroportos, hospitais, Petrobrás, querem flexibilizar a CLT e arrancar direitos trabalhistas conquistados com muita luta, chegaram até a falar em 80 horas de trabalho. Querem terceirizar tudo que for possível e reformar a previdência dificultando ainda mais a possibilidade de se aposentar e aumentado o tempo de trabalho.

O Esquerda Diário falou com Guilherme Boulos, do MTST e da Frente Povo Sem Medo, principal convocante dessa mobilização.
Boulos disse que "o ato terá adesão de outras organizações políticas e da militância popular e da esquerda que não compõe a Frente Povo Sem Medo. Ocorrerá um ato nacional em São Paulo e acontecerá em 15 capitais e cidades importantes no país, também houve adesão de 5 ou 6 cidades no exterior. Então o ato está bastante capilarizado, vamos ter uma mobilização expressiva".
Este conjunto de manifestações terá como principal manifestação a que se realizará em São Paulo no Largo da Batata às 14hs.
O dirigente do MTST declarou “que a manifestação terá três eixos fundamentais, pelo Fora Temer, dando continuidade às lutas que aconteceram nos últimos meses, a luta de 10 de junho, aos atos da própria [frente] Povo Sem Medo na casa do Temer e no escritório da presidência.”
Ele também complementou que a manifestação “agrega o tema que ‘o povo decidir’, que o Senado não tem condições políticas e legitimidade para decidir os rumos e as saídas para a crise política e que é preciso que o povo seja chamado a decidir. E também a defesa intransigente dos direitos sociais e trabalhistas que estão ameaçados pelo governo do Michel Temer.”
Guilherme Boulos também destacou neste contato com o Esquerda Diário que este ato acontece dois meses depois do último ato unitário contra Temer e a menos de um mês da votação do impeachment no Senado e que para ele esta manifestação "tem o papel de retomar as manifestações contra o golpe, pelo Fora Temer", e é decisiva pois a partir dela que se dará o tom de como será o "enfrentamento ao golpe". Para o dirigente do MTST o "mês de agosto será um mês quente, tanto pelas Olimpíadas como pela votação do impeachment no Senado"

Também falamos com Diana Assunção, dirigente sindical na USP, e pré-candidata a vereadora do MRT pelo PSOL sobre os motivos de ir a esta manifestação. Ela declarou: “nós iremos a esta manifestação para juntos fortalecermos a luta contra o governo golpista de Temer e seus ataques que continuam e agravam o que o PT já tinha iniciado. Levaremos à rua a força da juventude que veio se exercitando em várias lutas em todo país e este ano esteve junto a nós trabalhadores da USP e demais universidades estaduais paulistas em uma longa e dura greve.”

Nesta declaração Diana Assunção também agregou “que iremos às ruas, denunciando como se agrava o desemprego e que é preciso superar os freios que os principais sindicatos do país, particularmente aqueles ligados ao petismo para que se fortaleça uma verdadeira luta contra o golpista Temer e seus ajustes.” Por fim ela manifestou que “nossa luta não é para dar uma resposta que leve a fortalecer um regime político questionado e para que se eleja um novo ajustador a nos atacar mas para avançar a um questionamento profundo de todo regime político, lutando para impor uma nova Constituinte.”




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