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Por que fazer uma Assembleia Geral na UFRN?

segunda-feira 26 de março| Edição do dia

Uma Assembleia Geral está sendo convocada à muito custo pelos estudantes na UFRN, com o objetivo de reunir o máximo número de alunos para debater a situação da permanência estudantil e também a conjuntura nacional com a execução de Marielle. A gestão do DCE criou apenas ontem o evento para terça-feira. Pra quê uma assembleia?

Uma Assembleia Geral dos Estudantes é um espaço de discussão e deliberação do corpo discente de um determinado local de estudo, no nosso caso, da UFRN. O espaço deve ser de debate democrático, onde opiniões, impressões e questões podem ser trocadas e medidas e posições políticas podem ser adotadas.

A situação do país é desafiadora para os jovens e trabalhadores. Ainda que a execução de Marielle, trágico acontecimento que tomou as mídias de todo o país e internacionalmente, tenha chego com a gota d’água para milhares que tomaram as ruas nas últimas duas semanas, os golpistas já vinham atacando furiosamente os direitos democráticos mais elementares. Na UFRN, os ataques dos golpistas se fazem sentir também: o PIBID foi encerrado e a permanência estudantil é completamente insuficiente.

Queremos aqui apresentar uma visão que defende que os estudantes podem ser um importante fator na conjuntura e que podem ajudar a definir os rumos do país junto aos trabalhadores, mas pra isso precisamos de espaços de auto-organização e combater a paralisia imposta pelo DCE da UFRN, composto pelas correntes majoritárias da UNE (Avante, CNB, Kizomba, Articulação de Esquerda, UJS e Levante Popular da Juventude), ligados ao PT e ao PCdoB, que impedem os estudantes de lutar não somente na UFRN, mas em todo o país.

As bolsas de apoio técnico, pesquisa e permanência em geral são de R$ 400,00, um valor irrisório pra sobreviver hoje. A residência estudantil, em vez de ter um número equilibrado de vagas femininas e masculinas, possui três masculinas e apenas uma feminina. Também foi aqui que uma aluna foi expulsa de sala de aula com a sua filha, o que escancarou a situação das mulheres, negras e negros e trabalhadores na universidade.

Na última quinta-feira (22), os professores da rede estadual do RN decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, se juntando aos professores estaduais de Minas Geral e municipais de São Paulo, que já estão em greve há duas semanas. Estes estão em greve por melhores condições de trabalho e reivindicando seus reajustes, e também contra os ataques dos golpistas, como em São Paulo, onde Dória quer aplicar uma Reforma da Previdência municipal. Os efeitos do golpismo são sentidos na pele todos os dias, o parco sonho dos direitos trabalhistas não existe mais e a disparidade entre a vida dos privilegiados políticos que definem os rumos do país e dos trabalhadores é cada vez mais gritante.

As entidades estudantis deveriam servir para propiciar a organização dos estudantes e politizar a universidade, não para ser um aparato de correntes do regime. Convocar uma assembleia geral sem passagens em sala de aula, criando o evento apenas três dias antes da sua realização e sem construção na base serve apenas para desmobilizar e desmoralizar os estudantes dispostos a construir estes espaços. Um papel burocrático que conhecem bem as correntes do PT e do PCdoB

Exigimos que a gestão do DCE cumpra seu papel e passe em todas as salas de aula construindo a assembleia, organize panfletagens para garantir o espaço democrático de discussão e utilize todo seu aparato.

50 anos atrás, no Maio de 68, estudantes e trabalhadores ocuparam fábricas, escolas e universidades contra a reforma universitária na França e contra ataques aos direitos trabalhistas. Este foi um grande exemplo de quando estudantes e trabalhadores se unificaram para lutar pela transformação das coisas, e da universidade. Precisamos da ousadia do Maio de 68 para enfrentar os golpistas, o desserviço das Centrais Sindicais e da UNE tem que ser denunciado.




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