Política

ELEIÇÕES 2016

Por que e em que caráter lançamos candidaturas pelo PSOL?

Declaração do Movimento Revolucionário de Trabalhadores.

sexta-feira 12 de agosto| Edição do dia

O sistema eleitoral brasileiro é extremamente antidemocrático. Para ter o direito de constituir um partido legal para apresentar candidatos é necessário conseguir mais de 500 mil assinaturas em nove estados, condições essas que atualmente buscam dificultar ainda mais com uma nova reforma eleitoral. Isso impede que trabalhadores e jovens que constituem o MRT possam intervir nas eleições para difundir amplamente nossas posições políticas revolucionárias e lutar para conquistar vereadores ou deputados que possam colocar suas bancadas a serviço de desenvolver a mobilização extra-parlamentar da classe trabalhadora e da juventude em defesa de suas reivindicações.

Essa batalha começa por resistir aos ataques do governo golpista de Michel Temer de forma independente do PT – que com seus ajustes e sua corrupção abriu o caminho para a ofensiva da direita – e desde uma perspectiva anticapitalista que aponte a um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo. Encaramos esse desafio buscando construir uma voz anticapitalista expressão no terreno eleitoral-parlamentar da classe trabalhadora, suas lutas imediatas e históricas. Assim como também da voz dos estudantes que ocuparam suas escolas em defesa da educação, dos terceirizados e trabalhadores que lutam contra a precarização do trabalho, das mulheres, dos negros e dos setores LGBT que lutam contra todo tipo de preconceito.

Nossas candidaturas também estão à serviço de questionar os privilégios da casta política desde uma perspectiva revolucionária, partindo do programa de que todo político ganhe igual a um professor e seja revogável, surgido na Comuna de Paris, ligado a um programa democrático radical, como a luta por uma Constituinte imposta pela força da mobilização inserida na perspectiva da luta por um governo dos trabalhadores. Também apresentamos candidaturas que vem questionar duramente esse regime antidemocrático, que restringe todo o espaço para que as organizações dos trabalhadores e da esquerda possam disputar as massas para suas ideias, desde restringindo espaço nas propagandas de TV e rádio, até nos debates televisivos a todos os partidos que tenham menos de 9 deputados (o que inclui o PSOL, PCB, PSTU, PCO) e até mesmo impedem uma campanha militante nos locais de trabalho e estudo, e até mesmo nas redes sociais.

Por isso solicitamos aos partidos de esquerda – PSOL e PSTU – que democraticamente concedam a legalidade de seus partidos para que a voz do MRT possa se expressar nessas eleições, reservando a total independência política de nossas candidaturas frente a esses partidos. A lei eleitoral permite esse recurso na medida em que os votos para vereador são nominais.

É nesse caráter que nós do MRT lançamos nossos candidatos pela legenda do PSOL em São Paulo (SP), Campinas (SP), Rio de Janeiro (RJ), Santo André (SP) e Contagem (MG); e pela legenda do PSTU buscamos lançar em Osasco (SP), o que implica, por suposto, que as direções de ditos partidos aceitaram outorgar-nos essa possibilidade democrática, ainda que recentemente recebemos a notícia do PSTU que não poderemos concretizar em Osasco por motivos jurídicos.

Nossas candidaturas estão a serviço de fazer escutar uma voz anticapitalista que se delimita claramente das candidaturas da direita golpista que apoiou o impeachment de Dilma e hoje sustenta o governo Temer; e ao mesmo tempo se delimita das candidaturas que apoiaram o governo ajustador e corrupto do PT, se negaram a impulsionar a mobilização independente da classe trabalhadora para resistir ao golpe institucional, e hoje se colocam como uma oposição desmoralizante e inofensiva, que sequer acha que deve falar a palavra “golpe” como disse o candidato a prefeito Haddad, porque busca pactos permanentes com a burguesia e a direita e se nega a mobilizar os sindicatos para resistir aos ataques de Temer.

Frente ao golpe institucional, setores de massas se dispuseram a resistir à ofensiva da direita ao mesmo tempo em que desconfiavam do PT em função dos ajustes implementados pelo governo Dilma e os métodos de corrupção próprios do capitalismo que esse partido assimilou para governar. Mas essa disposição de luta foi desperdiçada pelas direções das organizações operárias (CUT, CTB etc.), dos sem-terra (MST), dos sem-teto e estudantis (UNE, UBES etc.), muitas das quais respondem ao PT, que preferiram até o último momento apoiar a política petista de buscar pactos com setores da direita mais reacionária do país e fazer manifestações impotentes para frear a ofensiva golpista.

Passado o golpe, a CUT se nega a impulsionar assembleias de bases para colocar de pé um plano de luta sério contra os ataques de Temer. Convoca dias de protestos burocráticos, que não estão a serviço de unir a força dos principais bastiões operários para frear as demissões, a desvalorização dos salários provocada pela inflação, as privatizações e demais reformas neoliberais anunciadas pelo novo governo. Sequer organizam assembleias ou paralisações para estas jornadas, como está se dando agora em relação ao dia 16. Pelo contrário, são ações controladas para descomprimir o descontentamento de suas bases e dar uma aparência de esquerda para a política do PT de construir uma oposição meramente eleitoral, tentando legitimar uma eventual candidatura de Lula ou Ciro Gomes em 2018, onde o PT se esconda dentro de uma coalizão mais ampla.

Nossas candidaturas se colocam a serviço de construir uma alternativa anticapitalista ao PT e à burocracia sindical cutista para enfrentar consequentemente a ofensiva da direita e lutar pela perspectiva de um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo. O portal Esquerda Diário, com suas centenas de milhares de leitores em todo o país, com suas centenas de correspondentes em vários estados, refletindo as batalhas em cada local de trabalho e de estudo, se propõe a ser uma grande ferramenta a serviço de construir essa força política.

Ao mesmo tempo em que agradecemos a concessão democrática da legalidade do PSOL e do PSTU para apresentamos candidatos independentes do MRT, rechaçamos as alianças do PSOL com partidos burgueses, como ocorre com o PPL em Porto Alegre, com o PDT em Belém e com a Rede de Marina Silva em distintas cidades, inclusive importantes capitais como Salvador e Florianópolis, assim como autorizado a realizar em todo país pela resolução nacional do partido que nomeia como possíveis alianças o “PV, PCdoB, PDT, PSB, PT, REDE e outros” . Apesar de acabar não se concretizando a candidatura de Osasco pela via do PSTU também participaríamos mantendo nossa crítica a sua posição golpista, que alinhou-se à direita com o impeachment.

Da mesma forma, preservando nossos princípios de lutar ativamente pela independência de classes, nos reservamos o direito de não apoiar candidaturas desses partidos que nos concederam filiação democrática onde há coligação com partidos que governam a serviço dos empresários como é o caso da Rede e do PPL, do PT e dos que o PSOL autoriza em sua resolução nacional, assim como também naqueles lugares, como em São Paulo onde, mesmo que falem em socialismo, como é o caso de Erundina, tem uma trajetória e um projeto político que não representam a tradição e a perspectiva operária e socialista.




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