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Por que devemos exigir que as centrais sindicais convoquem uma greve geral contra a reforma da previdência e em defesa do povo decidir em quem votar!

Resposta do Movimento Revolucionário de Trabalhadores que também compõe a diretoria e o conselho diretor de base do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) a carta elaborada por setores dessa diretoria e conselho diretor de base.

quarta-feira 14 de fevereiro| Edição do dia

No dia 19 de fevereiro está sendo convocada pelas centrais sindicais uma Jornada Nacional de Lutas contra a Reforma da Previdência. Temer e Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados) se preparam dia a dia tentando obter maioria para impor este ataque ao conjunto dos trabalhadores. Três desembargadores que não foram eleitos por ninguém e que ganham mais de 100 mil reais por mês estão decidindo sobre quem o povo pode ou não votar. A condenação arbitrária de Lula, no dia 24 de janeiro com bases mais fracas do que as que existem contra praticamente todos os demais candidatos e antecipado com o objetivo político de impedir sua candidatura em 2018, quando é o candidato com maior intenção de voto, escancarou o avanço autoritário do Judiciário, que longe de ser uma instituição neutra age como um árbitro a serviço dos interesses da classe dominante. Ao fazerem isso atacam um direito democrático elementar que é o direito do povo decidir em quem votar, inclusive em Lula, apesar de discordarmos desse voto. Também criam um precedente para que a polícia e o judiciário possam generalizar e aprofundar ainda mais contra o povo, os trabalhadores e nossas organizações os métodos autoritários que já reinam nas comunidades e contra a juventude negra.

Consideramos que este avanço, assim como foi o impeachment, assenta as bases para que a burguesia possa aprofundar ainda mais os ataques contra o conjunto dos trabalhadores, dos sindicatos, da esquerda e do povo pobre. Por isso, estamos propondo levantar como nossa bandeira a exigência de que as centrais sindicais convoquem imediatamente uma greve geral, construída pela base nos locais de trabalho e estudo contra a reforma da previdência, para revogar a reforma trabalhista, lei da terceirização e demais ataques do governo Temer, e pelo direito do povo decidir em quem votar.

Fazemos isso sem depositar nenhuma confiança em Lula e no PT que, como dizemos “continuará conciliando com os capitalistas, e que ao invés de organizar os trabalhadores e a juventude para lutar contra a continuidade do golpe, diz que perdoou os golpistas e fica prometendo aos empresários sua própria versão da reforma da previdência, abrindo novamente espaço para a direita”.

Frente a isso os setores que compõem a diretoria do sindicato dos trabalhadores da USP (SINTUSP) junto com a oposição e alguns ativistas da categoria publicaram uma declaração contra nossa posição. Dizem que “têm diferentes posições” sobre a condenação de Lula, mas omitem quais são, se desviando justamente da discussão que importa sobre o que está acontecendo. Justamente, as correntes que articulam essa declaração repetem agora o mesmo erro que cometeram no momento do impeachment, quando em nome de combater o PT chegaram ao ponto de se aliar com a direita, os tucanos, MBL, etc, convocando e participando dos atos da FIESP (como fizeram os integrantes do grupo Transição Socialista - ex MNN); ou de aplaudir e embelezar o Judiciário e a Lava Jato chegando a dizer que o impeachment seria algo favorável para os trabalhadores, como os integrantes do PSTU (que dirigem a CSP Conlutas). A “negação da politica”, defendida por integrantes do Coletivo Piqueteiros e Lutadores, tampouco é uma posição neutra, pois na prática terminam deixando para a burguesia fazer sua política e difundi-la entre os trabalhadores, ou reproduzindo as posições do PSTU no interior da CSP Conlutas. Mesmo o MES, corrente interna do PSOL, que faz oposição à diretoria do Sintusp, e que recentemente publicou notas “em defesa do direito de Lula ser candidato”, agora assina a mesma declaração, coerente com a posição que tomaram em defesa da Lava-Jato e contra o posicionamento do Sintusp contrário ao impeachment. Felizmente, o Sintusp se posicionou contra o impeachment apesar de todas estas mesmas correntes fazerem uma defesa envergonhada de que os trabalhadores da USP não deveriam se posicionar sobre este acontecimento político.

O MRT, como parte da diretoria do sindicato e da categoria, se posicionou firmemente contra o golpe institucional por considerar que era um mecanismo da burguesia se utilizar do fortalecimento do Parlamento para implementar ataques ainda mais duros do que aqueles que o PT tinha condições de implementar, chamando os trabalhadores a lutar contra o golpe e as reformas de maneira independente do PT. Consideramos que, após um ano e meio do governo golpista de Temer, não poderia estar mais claro que o golpe esteva a serviço da implementação desses ataques, e não que criou uma “situação mais favorável para a luta dos trabalhadores”. É isso que querem aprofundar agora restringindo ainda mais os direitos democráticos nesse regime.

Esse é o debate que essas correntes omitem em sua declaração. Tratam como se fosse um “debate tático” sobre quais as bandeiras que criarão maior unidade para a mobilização. Mas não é à toa que a burguesia não separa seus ataques políticos de seus objetivos econômicos. Nos cabe dizer claramente que é preciso unir a luta contra a reforma da previdência e demais ataques econômicos à defesa do direito de dezenas de milhões de pessoas votarem em quem quiserem, justamente porque a restrição desse direito está a serviço, novamente, de aprofundar ainda mais os ataques como as reformas.

Todos à assembleia dia 16/2 às 12h30 na sede do SINTUSP!

Adriano Favarin (FO); Alexandre Jacinto de Souza (SAS); Antonio Batista do Nascimento (Prefeitura); Barbara Della Torre (HU); Bruno “Gilga” Rocha (FFLCH); Caio Leão (HU); Claudionor Brandão; Cleber de Oliveira (FE); Décio França de Oliveira (Prefeitura); Diana Assunção (FE); Elenice Rocha Santos (SAS); Elcio Luiz da Silva (prefeitura); Fábio Roberto Alcântara dos Anjos (SAS); Gerson José da Silva(Prefeitura); Gilson Avelino de Siqueira (Prefeitura); Izael Nicolau da Silva (Prefeitura); João Antônio dos Santos (FO); Joel Fernandes dos Santos (Prefeitura); José Carlos Lopes dos Santos (Prefeitura); José Maria Pires (Prefeitura); José Mário Bezerra (Prefeitura); José Tadeu Souza Leite(Prefeitura); Marília Lacerda (HU); Mary Coseki (EF); Marcelo Pablito dos Santos (SAS); Mariana Almeida Silva (SEF); Patricia Galvão (FFLCH); Rodolfo Ferronato (Cinusp); Rildo Francisco da Hora (FO); Rildo Sancho Ribeiro (Prefeitura); Rosely de Fátima Silva (FFLCH); Samantha de Oliveira Queiroz (HU); Vilma Maria da Silva (SAS); Yuna Ribeiro Conceição (FFLCH)




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