Política

Por que apoiei a Campanha De Flavia Valle?

segunda-feira 7 de novembro| Edição do dia

Veja a seguir depoimentos de mulheres trabalhadoras que militaram na campanha de Flavia Valle para vereadora em Contagem/MG, lançada pelo MRT a partir da legenda do PSOL. Se você também foi uma voz anticapitalista em Contagem mande seu depoimento dizendo porque militou na campanha.

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Fran Ramos, professora de Educação Física e moradora de Contagem

Quando completei 16 anos recebi uma pressão enorme para fazer logo um título para apoiar algumas candidaturas, enrolei e não fiz, só cheguei a fazê-lo quando o meu voto era obrigatório, mas, desde sempre tive essa ideia, que político é tudo igual, todxs roubam todas as pessoas sabem, mas, ninguém consegue fazer nada. Contudo cheguei ao questionamento, mas, por quê? Porque não conseguimos fazer nada? De onde vem tanta inércia? Meus votos nulos... São incontáveis

Bom, a resposta para meus questionamentos é o capitalismo, no sistema capitalista a alienação é necessária para que as pessoas permaneçam exatamente como estão. No capitalismo, eu, uma mulher negra não deveria ter o direito à educação. Eu, deveria aprender que o meu lugar é servindo, ocupando os postos mais precários de trabalho, servir ao marido e a família, e que mesmo que eu passe fome e/ou frio, que não tenha direito ao lazer e a cultura, que trabalhe fora para sobreviver, que tenha que cuidar dos filhos, da casa e sofrer assédio só por sair na rua, eu deveria agradecer a Deus. Mas eu não aceito, não aceito essas imposições que o capitalismo quer me obrigar, então estudei e me formei para me tornar professora, mas, não era o bastante… o racismo continua me perseguindo, a juventude negra e periférica continua morrendo nas mãos da polícia, mulheres e LGBT’s são atacados e mortos com uma frequência absurda por não terem direito a seu próprio corpo e/ou identidade, o capitalismo continua escravizando pessoas pobres pelos privilégios de poucxs… Então percebi que a solução não poderia ser individual, porque o problema é social. Logo após Junho de 2013 conheci o MRT, desde então venho acompanhando suas trajetórias de luta, enfim em 2016 as eleições passaram a ter sentido na minha vida, com uma campanha ANTICAPITALISTA, Flavia Valle que se candidatou a vereadora aqui em Contagem trouxe um novo sentido, uma representatividade verdadeira, a princípio pensei que loucura, a Flavia vai mesmo se candidatar??? E ao longo do processo de campanha eu conheci um outro jeito de se construir uma candidatura, que colocasse em evidência a denúncia dos privilégios dos políticos enquanto os mesmos sucateiam os direitos básicos da população, que trouxesse propostas que realmente vão de encontro com os interesses e necessidades da população.

Eu apoiei, panfletei, fui nas ruas, e declarei apoio total a primeira candidatura que realmente me representa, e saber que existe uma mulher forte, determinada, que realmente vive por construir uma nova sociedade é uma honra, mil vezes eu votaria em Flavia Valle. Obrigada Flavia Valle, você e toda galera do MRT que se coloca a frente da luta dxs trabalhadorxs, jovens, mulheres e LGBT’s. vamos continuar na luta, por uma sociedade anticapitalista.

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Franciely Oliveira, cursando o primeiro período de educação física, licenciatura

Bem, pensando nesse questionamento, me vi diante de outra pergunta; por que eu nunca apoiei nenhuma campanha politica? Nunca estive envolvida com o meio politico, pelo menos não de forma consciente, levando em conta de que vivemos todas as relações e tudo que vivemos e de certa forma politica. Cresci aprendendo, vendo e ouvindo “políticos, promessas e mentiras”, vendo a pobreza e luta de muitos em contraste com a riqueza e boa vida de poucos.

Sempre vi meu pai, um homem negro, que veio de família pobre, lutar e trabalhar muito para conseguir ter uma vida digna e nos proporcionar oportunidades, lazer e saúde. Ele como poucas pessoas que vieram da mesma realidade, estudou, trabalhou muito, além de sua vontade e inteligência, também contando com a sorte (segundo ele) para alcançar o padrão de vida que tem.

Nunca achei justo toda a desigualdade social, mas ate certo tempo atrás isso não me causava tanta revolta, eu simplesmente aceitava que apesar de injusto o mundo era assim, apesar de me sentir incomodada muitas vezes, não me via voltada para uma ação no intuito de mudar essa realidade. Foi ai que conheci o meu cunhado, o Anderson, que junto da minha irmã, Francyslaine, me trouxe uma serie de questionamentos e informações, sobre as questões politicas, sociais, sobre preconceitos e aos poucos comecei a perceber que eu era uma pessoa que vivia alienada aos padrões sociais em uma cidade conservadora. A partir daí, as questões que me causavam certo desconforto viraram um turbilhão de questionamento de revolta, e com ele a vontade de mudar as coisas. Então, buscando informações e sempre ligada ao que eles me traziam eu finalmente acordei para o fato de que nós é que temos o poder de mudança, através do conhecimento e das lutas.

Buscando respostas para as opressões, pelo preconceito e toda culpa que já carreguei pelo simples fato de ser mulher, com ajuda da minha irmã encontrei o Pão e Rosas e Esquerda Diário, e foi aí que conheci um pouco sobre Flavia Valle e as lutas que ela trava diariamente contra a opressão, exploração, e em defesa das mulheres e LGBTs. Passei a acompanhar mesmo de longe sua trajetória. Enfim, a Flavia não era candidata na minha cidade, mas sua campanha anticapitalista, suas convicções e suas lutas me trouxeram esperança, de que podemos viver em uma sociedade melhor, um país melhor, e porque não, em um mundo melhor. Mesmo estando longe, e não poder estar presente sempre, tive a oportunidade de participar de um encontro, no encerramento de sua campanha, foi emocionante poder fazer parte daquele momento onde vi que a luta e a união podem sim fazer a diferença.




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