Juventude

ALIANÇA REVOLUCIONÁRIA

Por que a juventude deve apoiar os metalúrgicos demitidos em Contagem-MG?

Algum motivo além de solidariedade? Sim.

Maria Eliza

Estudante de Biologia da UFMG

sexta-feira 22 de maio| Edição do dia

Imagem: Júlia Santana

Se você é um ou uma jovem estudante, desempregado, ou trabalhando em bicos e serviços precários como os que reservam parar nós por horas sobre bicicletas, ajudando a complementar a renda da família, deve imaginar, ou até saber, o quão desesperador é ter um familiar demitido. Agora imagine como é ser o principal responsável pelas despesas da casa e perder sua fonte de renda em meio a uma pandemia, que acelera uma enorme crise econômica que já estava em cena.

Para entender mais:

Com conivência da CUT, metalúrgicos de Contagem são demitidos na volta ao trabalho

VÍDEO: Júlia, da Juventude Faísca, explica e denuncia a demissão de metalúrgicos em Contagem

O desemprego já atinge 12 milhões de pessoas no país, e especialistas como Ricardo Antunes prevê até 40 milhões de desempregados. Grande parte desses somos nós, a juventude, a geração de carrega o peso de não ter perspectivas de uma vida mais confortável do que a que tiveram nossos pais. Acontece que a vida das famílias da maioria de nós já não é nada confortável. Nossas famílias são como, ou são as famílias dos metalúrgicos de Contagem, com quem aconteceu mais ou menos o seguinte: começou uma pandemia, as empresas não se importaram com as vidas dos operários a princípio, mas depois decidiram aproveitar para descontar as férias de muitos deles. Ao retornar, sem serem testados e sem terem EPIs, muitos tiveram a notícia inesperada da demissão.

Quantos desses têm filhos pequenos? Quantos tinham planos, dívidas, compromissos? Quantos têm alguma outra fonte de renda? Cabe a esses trabalhadores romperem a quarentena e irem às ruas buscar emprego? Fazer entregas por aplicativos? Se a vida da geração mais jovem tende a ser daí para pior, está claro: lutemos ao lado dos metalúrgicos.

Mas não se trata “apenas” de solidariedade com a situação que enfrentam esses trabalhadores nesse momento, e também ultrapassa a preocupação com o nosso futuro que virá daqui uns anos caso escapemos da Covid-19 ou da mira da polícia – sabendo que, infelizmente, muitos jovens no país não conseguem escapar porque, aqui, o fator de risco é raça e classe. Apoiar os metalúrgicos de contagem é apoiar o nosso presente.

Nos atacam em todos os âmbitos, Bolsonaro, Weintraub, Mourão, Regina Duarte e uma corja reacionária que nos odeia, odeia as mulheres, os negros, LGBTs. Nos negam o direito ao nosso corpo, identidade, sexualidade, opinião. Nos querem fora das universidades, por isso Flavio Bolsonaro e o ministro da educação defendem que o Enem aconteça a todo custo. Nos querem sem assistência para estudar, sem verba para, unindo o nosso potencial com o potencial das universidades, encontremos soluções para as mazelas que a humanidade vive graças ao capitalismo.

Querem, sobretudo, arrancar cada gota do nosso suor desde já, e nisso estão de acordo desde Bolsonaro e militares, passando por Moro, Maia, governadores e prefeitos. Não aceitamos, lutamos por Fora Bolsonaro, Mourão, toda a cúpula dos militares e dizemos que o povo tem que decidir os rumos do país. Os metalúrgicos, estudantes, professores, as enfermeiras, técnicas e auxiliares em enfermagem têm que decidir como resolver a pandemia. Pois se decidirmos, não hesitaremos em taxar as grandes fortunas, não pagar a dívida pública, para investir em saúde, educação, para fornecer sem burocracia uma renda mínima de no mínimo 2000 reais para todos os desempregados, informais e autônomos. Não perderíamos tempo em revogar as MPs de Bolsonaro, assim como as reformas trabalhista e da previdência e a carteira verde-amarela. Por isso defendemos uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.

Essas demandas não caem do céu, precisam ser arrancadas porque nunca nos deram nada. E não há melhores aliados para a juventude do que a classe trabalhadora. Particularmente, devem ser excelentes aliados os metalúrgicos de Contagem que têm em suas veias uma história de enfrentamento com a ditadura, são esses os filhos daqueles que fizeram a histórica greve de 68, que arrancaram dos militares um aumento do salário mínimo para os trabalhadores do país todo em meio a uma política liberal de arrocho salarial. As ruas de Contagem guardam essa história, e enquanto não podemos toma-las junto a esses trabalhadores, faremos todo o possível pelas redes sociais, ou mesmo com ações que respeitem um distanciamento seguro, para cobrir de solidariedade nossos irmãos de classe.




Tópicos relacionados

precarização   /    UFMG   /    Metalúrgicos   /    Minas Gerais   /    Contagem   /    Juventude   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar