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Por que a Palestina é um dos lugares mais vulneráveis ao Coronavirus?

Os territórios palestinos estão provavelmente entre os mais vulneráveis do planeta frente à pandemia do coronavírus. O que acontecerá quando o vírus se espalhar pela Faixa de Gaza, Cisjordânia e pelos campos de refugiados?

quinta-feira 19 de março| Edição do dia

Como o COVID-19 chegou à Palestina?

Segundo a imprensa que cobre o Oriente Médio, como o Middle East Eye (MEE), os primeiros casos de coronavírus começaram no Hotel Angel, em Belém. Essa cidade está localizada na Cisjordânia e é uma atração para uma grande quantidade de turistas do mundo todo, já que lá está localizada a Basílica da Natividade, local onde Jesus Cristo teria nascido.

Os trabalhadores do hotel foram expostos, segundo as fontes, a cidadãos gregos que tiveram teste positivo para o Coronavírus ao retornarem para seu país natal.

Em menos de uma semana os casos na Cisjordânia aumentaram para 40 confirmados. A Autoridade Nacional Palestina (ANP) fechou a cidade para o turismo, assim como as escolas, universidades e escritórios públicos. Além disso, impôs uma quarentena generalizada à população. O mesmo método que foi usado em outros países.

Mas a Cisjordânia e a Faixa de Gaza têm uma diferença abismal com relação aos EUA ou a Itália para enfrentar o coronavírus. Por um lado, os palestinos são oprimidos pelo Estado de Israel; por outro, não têm acesso a recursos médicos ou financeiros para agir com rapidez, enquanto países imperialistas como os Estados Unidos são os principais responsáveis pela situação precária da maioria dos países da África ou da América Latina. Se o vírus começar a atacar nesses países, o que acontecerá com a Palestina?

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Quais são as condições da Palestina?

A Faixa de Gaza sofre um bloqueio permanente por parte do Estado de Israel e é o que há de mais próximo a uma prisão a céu aberto, com quase dois milhões de Palestinos aprisionados em 360 km2. As condições de moradia são superlotadas e mais de 500 mil pessoas vivem em campos de refugiados.

O acesso a recursos naturais essenciais é administrado por Israel, que também vigia e usurpa o espaço marítimo, impedindo a pesca. Enquanto isso, eles dependem fortemente da ajuda financeira internacional por meio de ONGs. Segundo a UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos no Oriente Médio, mais da metade dos habitantes de Gaza estão em situação de emergência alimentar.

Obter água em Gaza é o mais difícil, 80% está contaminada e bebê-la já é um risco. Segundo a OMS, ter uma boa dieta é a base para boas defesas no organismo e sobreviver no caso de se infectar com o coronavirus; também é imprescindível o acesso à água para manter a higiene. Além disso, apagões elétricos são frequentes. Em Gaza, as condições mínimas de sobrevivência são impedidas pelo Estado de Israel.

Se isso parece pouco, lembremos que os hospitais são destruídos por bombardeios sistemáticos do exército Israelense, sob a desculpa de abrigarem jihadistas.

Até poucas semanas atrás, Netanyahu os usava para sua campanha para presidente. Nas operações militares, milhões perderam suas casas, ou seja, tampouco terão um teto para se refugiarem enquanto precisam estar em quarentena. Os números do Ministério da Saúde Palestino ilustram essa situação, mencionando a escassez de pelo menos 45% dos recursos. Ou seja, não existe sequer um acesso mínimo a saúde em Gaza, muito menos a possibilidade de pesquisar ou diagnosticar o vírus.

Na Cisjordânia, a situação é mais crítica onde existem campos de refugiados, em uma área caracterizada por viver sob o estado de exceção permanente do Estado de Israel, com a colaboração da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Ali a fome passa pelas estradas de terra de loja em loja e entre os corredores de tijolos sem reboco. Apesar do estado de emergência, o exército Israelense continua a repressão aos jovens e os colonos judeus aproveitam a situação para entrar em aldeias de cultivadores palestinos à noite e derrubar seus olivais, relata um palestino de Hebrom ao Esquerda Diário.

Não há quarentena pacífica para os palestinos. Enquanto a fazem e estão confinados, os colonos ultra-nacionalistas, juntamente com os soldados, destroem casas com escavadeiras na Cisjordânia. Em Beita, o exército assassinou um jovem que tentava impedir que os colonos usurpassem novas terras durante os protestos na quinta-feira, 12 de março.

É importante destacar que os testes de amostra para identificar o vírus são fornecidos por Israel, mas que existem poucos testes e o diagnóstico só pode ser feito em Israel. Para além disso, há um auxílio financeiro de alguns milhões de dólares em subsídios por países árabes como Qatar e Kuwait, mas que ainda será insuficiente.

O que acontecerá sob as condições em que se encontram os palestinos quando o vírus derrubar os muros do estado de exceção Israelense?

Seria catastrófico. Como indicam os dados da UNICEF onde 3 milhões de pessoas no mundo não tem acesso à água potável e não podem comprar sabão, os elementos básicos para se proteger do vírus. Ou seja, quase a metade da população mundial está em condições de extrema vulnerabilidade, vivendo em áreas urbanas hiper-degradadas.

Em Israel já existem mais de 300 casos de coronavírus, ao menos 400 mil palestinos da Cisjordânia viajam ao “lado hebreu” para trabalhar diariamente. Nessas condições é muito fácil de transportar o vírus por causa de seu alto nível de contágio.

Até o momento, existem cerca de 40 palestinos infectados na Cisjordânia. Em Gaza, segundo o MEE, eles se preparam para o pior, com pelo menos 50 habitantes de Gaza enviados para quarentena após retornarem de Israel e do Egito. O que se vive no território palestino é uma bomba-relógio viral, pela qual o Estado de Israel é o principal responsável.

Por essa razão é necessário destruir imediatamente as políticas repressivas, racistas e colonialistas do Estado de Israel e promover a organização dos trabalhadores de todo Oriente Médio para fornecer ajuda humanitária e saúde de qualidade aos refugiados palestinos. É a única forma de evitar realmente a catástrofe potencial do vírus.

Esta matéria foi traduzida para o português por Guilherme Cantarelli. Original no portal La Izquierda Diario, diário argentino irmão do Esquerda Diário.




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