Mundo Operário

UNIDADE CONTRA O SAMPAPREV

Por que Claudio Fonseca teme a unidade das categorias contra o SAMPAPREV?

Qual é a unidade que precisamos para vencer o SAMPAPREV e por quê Cláudio Fonseca não a deseja?

terça-feira 4 de dezembro| Edição do dia

Ao que tudo indica, este será mais um final de ano em que os professores e servidores municipais da cidade de São Paulo terão sua determinação de luta testada até os limites. A nova investida dos vereadores da cidade e do prefeito Bruno Covas (PSDB) em aprovar a reforma da previdência municipal, o SAMPAPREV, esconde um plano ainda maior de ataque aos direitos do conjunto da classe trabalhadora no Brasil, sendo esse ataque - desde sua primeira tentativa de implantação derrotada parcialmente pelos servidores em março deste ano - um grande teste para medir a correlação de forças para aprovarem as reformas que vêm retirar nossos direitos em nível nacional.

Em março deste ano o PL 621/2016, o SAMPAPREV,só pode ser barrado porque existiu uma mobilização que envolveu amplos setores do funcionalismo municipal, ainda que à revelia de suas direções que atuam numa lógica de separar os servidores. Mas, qual o motivo dessas direções tanto temerem a ideia de uma unidade dos trabalhadores? Será apenas uma questão de "monopólio" da representatividade de suas bases ou será que existe algo mais profundo que justifique essa relutância?

O que está em jogo não é apenas o repúdio a um plano de privatização e capitalização da previdência que pode chegar a roubar por meio de descontos quase 50% dos salários já bastante defasados diante das necessidades dos trabalhadores da educação e dos servidores municipais. Precisamos ter clareza que a luta contra o SAMPAPREV, neste momento político e econômico do país, significa algo muito maior: mostrar aos trabalhadores de todo país o caminho para derrotar os ataques. Sendo assim, é preciso saber com quais condições entramos em um conflito com dessa dimensão.

A direção do SINPEEM, sindicato que organiza professores e trabalhadores da educação na cidade de São Paulo, é presidida por Claudio Fonseca há quase 30 anos. O mesmo Cláudio Fonseca que é vereador pelo PPS, partido que foi base aliada de João Doria (PSDB) nas eleições que colocaram o tucano na prefeitura da cidade, que apoiou o Golpe Institucional de 2016, que se manteve "neutro" no segundo turno das eleições corroborando para eleição de Bolsonaro (PSL) e que defende uma proposta de Reforma da Previdência.


"Santinho" da campanha eleitoral de Cláudio Fonseca ao lado de João Doria.

O mesmo Dória que se elegeu governador de SP neste ano fundindo sua figura ao repugnante presidente eleito e inimigo dos trabalhadores Jair Bolsonaro, se autodenominando "Bolsodoria" e que deixou na prefeitura seu vice, Bruno Covas, que neste momento é quem encabeça a nova tentativa de ataque aos servidores públicos. O reflexo desta sórdida ligação pode ser visto no último congresso do SINPEEM, ocorrido neste ano, no qual, em meio ao processo eleitoral, com Bolsonaro liderando as pesquisas e anunciando os ataques que seriam feitos aos trabalhadores, a categoria propôs que a entidade aprovasse uma nota de repúdio ao então candidato. E mesmo com a grande maioria dos presentes a favor da proposta, Claudio Fonseca fez tudo que pôde para não aprová-la, cedendo apenas no momento final por muita pressão da categoria e aprovando a moção de maneira envergonhada, tanto que depois a escondeu da categoria, deixando de fora dos informativos e do site do sindicato.

Nesse sentido, no novo arranjo entre os partidos que vai se desenhando para o ano que vem, o PPS de Cláudio Fonseca, é parte do chamado "centrão" e cortejado pelo novo governo para poder atacar os direitos dos trabalhadores. A legenda que possibilitou eleger 10 deputados federais tenta agora se revestir de "neutra’, escrachando um discurso de não apoio a Bolsonaro e nem à esquerda, ao mesmo tempo em que se alia com partidos golpistas declaradamente a favor de ataques contra os trabalhadores, como o PSDB e até o DEM, de ninguém mais, ninguém menos que Fernando Holiday - vereador militante do MBL com uma longa ficha de opiniões anti-trabalhadores e contra direitos e conquistas democráticas, que será relator da comissão que estuda o SAMPAPREV e que tenta se eleger presidente da câmara municipal com propostas como o Escola sem Partido, o fim das cotas raciais e a reforma da previdência.

Assim, fica evidente que Claudio Fonseca não está apenas assegurando seus muitos privilégios acumulados ao longo de três décadas na direção do sindicato, mas também desorganizando a categoria para se enfrentar de fato com os ataques, afinal não é possível ser base-aliada do Prefeito e ainda assim organizar os trabalhadores contra os ataques dele. Não à toa sua ligação como vereador com partidos alinhados para atacar os trabalhadores e dar continuidade (com medidas mais duras respaldadas pela eleição de Bolsonaro) aos ataques que o governo Temer já vinha fazendo.

Mas além de Claudio Fonseca, porque os demais sindicatos do funcionalismo municipal, dirigidos pela CUT e pela CTB, não dão um passo para romper com esse separatismo? Assim como o PPS, o PT e o PCdoB, partidos que estão por trás dessas Centrais, também querem declarar trégua ao governo Bolsonaro, fazendo os trabalhadores acreditarem que é possível uma Reforma da Previdência justa, que não ataque os nossos direitos. E o fazem de maneira escandalosa, com as centrais golpistas, ao lado da Força Sindical, da UGT e da Nova Central. Exatamente por esses posicionamentos sabemos que sem romper com a paralisia com que vem atuando, somente nos entregarão e aos nossos direitos enquanto fracionam e traem nossas lutas.

A unidade das mais amplas camadas de trabalhadores é fundamental para barrar esses ataques, porque não se trata apenas de um evento isolado a uma categoria, como a lógica sindicalista de separar as lutas econômicas e políticas costuma querer nos convencer. É necessário que essa unidade se construa por meio da organização dos trabalhadores de cada escola, de cada unidade de saúde e das demais áreas do funcionalismo, através de mobilizações e assembleias conjuntas com a mais ampla democracia, onde todos possam expressar suas opiniões e propostas democraticamente, o que a gestão burocrática de Claúdio Fonseca faz de tudo para evitar.

Por fim, pela importância da vitória contra esse ataque para toda a classe trabalhadora brasileira, é fundamental que as centrais sindicais como a CUT e a CTB, que no Brasil dirigem milhões de trabalhadores, rompam com a sua paralisia e mobilizem toda a base para apoiar a luta dos professores e servidores municipais de São Paulo como uma forma de barrar o ímpeto de novos ataques e que nos sindicatos do funcionalismo onde atuam construam uma forte mobilização para dia 05/12, garantindo, assim como exigiremos do SINPEEM, que todos os trabalhadores tenham voz na assembleia e que organizemos um Comando unificado e deliberativo de mobilização para definir os próximos passos dessa luta. Se os professores e trabalhadores muncipais de São Paulo vencem o SAMPAPREV, uma mensagem muito clara de resistência será transmitida: Não vamos aceitar trabalhar até morrer!




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