Juventude

ESPECIAL DIA DO ESTUDANTE

Por entidades estudantis combativas, por um movimento estudantil que faça a diferença

sexta-feira 12 de agosto| Edição do dia

Ontem foi dia do estudante. Aqui em São Paulo comemorado pelo governo do estado como manda a recente tradição: vários feridos por balas de borracha, além das bombas de gás lacrimogênio utilizadas pela polícia. Onde tem estudante, tem repressão. Qualquer dia do estudante após as centenas de ocupações de escolas do ano passado para cá, em vários estados brasileiros, não poderia ser comemorado num lugar melhor que a rua, em luta mostrando indignação diante do roubo da merenda e do ataque ao pensamento crítico que pretende o projeto de lei “Escola Sem Partido” nas escolas estaduais de São Paulo.

O refluxo do movimento de ocupações de escolas justifica-se em partes pela tamanha repressão do governo Alckmin, intransigência em ouvir e negociar e pela ausência (ao menos por ora) de um projeto político uniforme, forte e radicalmente oposto, ao imposto pelos imperialistas para educação, em países como o Brasil.

Parece que esse movimento estudantil combativo teve que aprender na raça que é necessário independência dos governos e empresários, chegando aos poucos ao conceito (e prática) de independência de classe.
Nossas entidades estudantis (UNE e suas ramificações) deixaram há muito de se entenderem como responsáveis por batalhar alternativas políticas aos profundos problemas políticos que enfrenta não somente nosso país, mas a juventude mundo a fora, como os estudantes franceses de Maio de 68 se propuseram a fazer, aliando-se aos trabalhadores que se insurgiam frente a mais uma crise do capitalismo. E deixaram de lutar, pois viraram uma entidade governamental, com suas direções atrelando-se completa e financeiramente ao projeto político petista de conciliação de interesses e conflito de classes. Logo, porque instigar qualquer greve para além das questões meramente corporativistas, locais e econômicas? Como se os problemas mais materiais da vida dos estudantes fossem obra do acaso e não tivessem relação alguma com projetos políticos para a educação, de sociedade. Quanto mais uma greve que questionasse a expansão sucateada das universidades federais (REUNI) do ex governo federal petista.

Precisamos de novas entidades, forjadas na luta, com opção de classe, portanto, independentes para auto organizar essa tamanha força explosiva que tem os estudantes, dos secundaristas aos universitários, a partir dos mecanismos democráticos apreendidos ao logo da história de luta por emancipação da classe trabalhadora.

São muitos os anos de um movimento estudantil estancado, “em si mesmado” e apático diante dos grandes problemas políticos de nosso país, como se estes não permeassem nosso cotidiano nas universidades. Anos e anos de direções de entidades atreladas ao PT e de uma esquerda “crítica” impregnada por seu método de militância, com estratégias que defendem que apenas reformas são possíveis (não profundas modificações), com total crença na representatividade (em detrimento do fortalecimento dos organismos de base para se fazer política), rotineira e distante da base dos estudantes. Incapaz de subverter por completo a vida em todos os seus aspectos.

As entidades estudantis (DCE, Centro Acadêmico, etc) não são correntes políticas, são instituições inseridas nos mais diversos espaços acadêmicos, inclusive na burocracia, que cumprem o papel de representar os interesses dos estudantes e organizá-los para lutar por suas demandas e que podem ser ou não dirigidas por correntes ou estudantes independentes. Uma entidade combativa não pode ter medo de responder e se enfrentar com as mais variadas concepções políticas, possibilitando ao conjunto dos estudantes por ela representadas experiências com estas diferentes posições, chegando assim, à melhor saída diante de um conflito. Para tanto, necessita ser democrática, com gestões compostas por todos os grupos concorrentes ao pleito, proporcional ao número de votos recebidos.

Elas não podem resumir-se em cumprir um papel meramente representativo, como se apenas a gestão pudesse resolver todos os problemas da categoria estudantil, ainda mais diante da situação política complexa que vivemos. Ela deve fomentar a auto organização dos estudantes, para que estes sejam cada vez mais sujeitos de suas vidas, ampliando e forjando a vanguarda à frente dos conflitos de interesses existentes nas escolas e universidades, não se encerrando nelas mesmas. Pois a universidade é uma instituição social que reflete as contradições da sociedade que a cria, mas que também pode oferecer respostas a seus problemas, como o movimento estudantil organizado fez no nosso país ao levantar a bandeira “Abaixo à Ditadura”, como Maio de 68 diante da crise econômica, da arte, da sexualidade...

Chega de entidades apenas para os dias de festas, acordos pelas costas e distante das lutas dos estudantes!




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