Política

CRISE NA AMAZÔNIA

Por demagogia e para "mostrar serviço", Bolsonaro suspende queimadas por 60 dias

Nesta quinta, 29, o Governo Federal publicou um Decreto que proíbe a prática de queimadas em todo o território nacional por 60 dias. Essa medida emergencial tenta mostrar algum serviço em relação ao descontrole das queimadas na Amazônia que chamaram atenção do mundo, mas relatos da população local mostram que grupos de latifundiários continuam provocando incêndios e devastando a região sob a justificativa de que no governo Bolsonaro está mais branda a fiscalização.

quinta-feira 29 de agosto| Edição do dia

Foto de LEO CORREA (AP).

O Palácio do Planalto publicou em Diário Oficial nesta quinta, 29, a edição do Decreto 9.992 do Código Florestal, para suspender temporariamente a permissão legal de queimadas em práticas agropastoris e florestais no território nacional. A suspensão deve durar 60 dias e em tese busca oferecer uma resposta ao descontrole das queimadas na Amazônia que já alcançam mais de 15 dias e estão consumindo a olhos nus um dos maiores biomas do mundo. São dezenas de milhares de hectares devastados no curso de alguns dias, com a fauna e a flora atingidas de maneira irreversível e um enorme ataque às condições de vida das comunidades locais, às diferentes etnias indígenas, aos quilombolas e aos trabalhadores rurais.

Com essa medida, Bolsonaro discursa sobre “seus passos importantes” dados diante dessa imensa crise ambiental e seu suposto compromisso para “proteger o meio ambiente”. Uma suposta preocupação com os rumos dessa crise ambiental também se expressou calorosamente fora de nossas fronteiras, com os líderes dos países mais industrializados e maiores economias mundiais pautando o tema no G7 ocorrido no final de semana passado. Mas o que está por trás dessas máscaras, seja de Bolsonaro e seu ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, seja as de Macron, Merkel e Trump, é que a única preocupação em relação à Amazônia é com os lucros reais ou potenciais que podem ser extraídos das riquezas que esta reserva em meio ao avançar da crise capitalista e da guerra comercial entre EUA e China, como apontamos em artigo do Esquerda Diário.

Relatos de pequenos proprietários locais, coletados pela equipe de reportagem do Estado de São Paulo nesta semana, mostram a hipocrisia do discurso de Bolsonaro: revelaram que novos focos de incêndio foram provocados nos últimos dias por grandes fazendeiros que buscam explorar a área em seus negócios. Essas são ações criminosas dos ruralistas, embasadas na impunidade e no abrandamento da fiscalização propagandeado em campanha e levado a cabo como política de governo por Bolsonaro, que se somam a uma ofensiva ideológica e material cruel contra as populações locais, que estão vendo suas terras encolher ainda mais enquanto são perseguidas, acuadas e assassinadas num nível ainda mais brutal com o aval deste governo. Trata-se de um legado histórico no Brasil, respeitado e incentivado nos próprios governos petistas em seus acordos espúrios com os ruralistas, que com o golpe institucional teve sua barbárie elevada a níveis surreais.

E, ainda que com um modelo distinto, com uma cara supostamente sustentável, não podemos nos enganar também em relação à insistente preocupação dos países imperialistas europeus e norte americano em relação à Amazônia. Eles se aproveitam da crise aberta para lançar suas garras sobre nossas riquezas nacionais. Se de fato estivessem comprometidos com o meio ambiente não teriam levantes de milhares de jovens em seus países para lembrá-los de que o clima é algo que deve ser levado a sério quando pensamos no futuro. E mais que isso, toda a falácia do capitalismo verde, fingidamente respeitada por grupos que somente buscam mais um nicho de mercado e por esses próprios líderes europeus, não convence ninguém que olha para a sanha predatória das gigantes europeias que atuam na própria produção da soja brasileira ou mesmo no tratamento desumano e assassino contra imigrantes que fogem das guerras esses mesmos líderes incentivam nos países periféricos.

Leia também: Qual o interesse de Macron, Merkel e o G7 diante do fogo bolsonarista na Amazônia?

O Brasil e a Amazônia são alvo da disputa de múltiplos interesses imperialistas, para os quais Bolsonaro e a burguesia nacional nacional nunca foram um obstáculo, mas bem o contrário, apenas avaliando em qual ponta da corda irão se somar nesse cabo de guerra internacional. Para uma saída de fundo é necessário construir uma mobilização independente, somando os povos oprimidos pelo latifúndio e os trabalhadores e jovens que são assolados pelas políticas de conjunto deste governo.

Só esta força da classe trabalhadora e oprimidos organizada é que poderá impor um programa que de fato responda à crise ambiental e social escancarada com as queimadas na Amazônia.

Saiba mais aqui: Por uma saída revolucionária e anticapitalista diante da crise ambiental na Amazônia.




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