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População de Minas Gerais sofre por contaminação da água após tragédia

Duas viaturas da Polícia Militar de Minas Gerais realizavam na tarde desta quarta-feira, 11, escolta em uma distribuidora de água na cidade de Governador Valadares, a cerca de 450 quilômetros de Belo Horizonte. O local teve o fornecimento de água interrompido pela prefeitura após a lama proveniente das barragens em Mariana atingirem o Rio Doce, que corta a região.

quinta-feira 12 de novembro de 2015| Edição do dia

A chegada de garrafões de água com 20l, causou correria ao local no centro da cidade. Mais de 100 pessoas com garrafões vazios aguardavam a oportunidade de comprar água a R$ 10 e formavam um fila em volta do quarteirão.

O primeiro da fila era o autônomo Felipe Junior Costa, de 24 anos. Ele aguardava na porta da distribuidora havia quatro horas "Desde o fim de semana a gente não tem mais. Enchi tudo que eu pude lá em casa, coloquei em baldes, mas tudo já acabou", disse. Costa afirmou ter ficado sabendo por amigos sobre o ponto de venda recém abastecido e não hesitou em ir ao local. "Não estamos encontrando água em lugar nenhum."

Com trigêmeos de três meses em casa, a ajudante de cozinha Daniela de Souza, de 29 anos, pediu um copo de água na distribuidora para dar a uma das filhas que estava com ela. "Estamos comprando água filtrada para os bebês. O problema agora é que não chega nada de água em casa, não dá para ferver. Tenho que pedir à esposa do meu primo um copo de água por dia para cada bebê e me virar assim. Hoje, ninguém está dando água para ninguém", disse.

A auxiliar de escola Maria Aparecida de Souza, de 45, aguardava a vez com a filha, a costureira Taynâ Helina de Souza, de 25. "Já vínhamos enfrentando problemas com água antes disso que aconteceu com o rio. O que aconteceu agora foi uma piora e ainda mais nessa época com altas temperaturas", disse Maria.

O fornecedor Yuri Dutra da Silva, de 21 anos, estimou que vendeu 250 garrafões por hora nos últimos dois dias. "A situação vai piorar. Anota o que estou dizendo. A caixa d’água do pessoal está secando e a calamidade só vai piorar. Estão dizendo que pode levar até 45 dias para a gente voltar ao normal. Vai ser bem difícil", disse Silva.

O colapso no abastecimento em Governador Valadares afeta cerca de 296 mil pessoas que moram na cidade. Caminhões-pipa abastecidos em cidades até 100 quilômetros distantes são necessários para socorrer os pontos mais vulneráveis da região, como hospitais e abrigos.

A ruptura da barreira em Mariana revela que são atuais a maior parte dos problemas sociais históricos do estado de Minas Gerais. A destruição do meio ambiente, a venda das riquezas nacionais a “preço de banana” aos empresários estrangeiros, a repressão e o racismo (em regiões em grande parte primeiramente ocupadas por Quilombos) da Polícia Militar e Civil a serviço dos empresários, o servilismo dos governos dos ricos a estes capitalistas estrangeiros; desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com a privatização da Vale, até Fernando Pimentel (PT), que vem propondo flexibilizar ainda mais as já obsoletas medidas de proteção ambiental a partir da concessão de licenças “mais ágeis”, ou seja, menos rigorosas.

Também fica claro que estes problemas sociais atingem principalmente às regiões com trabalhadores mais precarizados, com serviços em condições desumanas nas minas ou vivendo no campo sem nenhuma garantia de que no dia seguinte ainda terão terra para trabalhar, animais para criar ou água para beber. Insegurança fruto do poder das mineradoras e dos governos que as representam.

Por isso, a necessidade da prisão e do confisco dos bens dos poderosos empresários da mineiração, da Samarco, Vale e BHP e a reestatização da Vale sob controle dos trabalhadores e do povo. O confisco dos bens poderia garantir verbas para um plano de emergência que busque minimizar o brutal dano ambiental, com obras públicas garantidas com dinheiro das fortunas dos poderosos e dos bilionários faturamentos das empresas. Controladas pelos moradores, trabalhadores, estudantes e moradores do campo que ali vivem, trabalham, produzem, através de sindicatos e organizações de base de trabalhadores e moradores, que são os que têm o interesse em recuperar e preservar o inestimável valor ambiental e cultural da região.

Esquerda Diário com informações da Agência Estado




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