Sociedade

FEBRE AMARELA

Política criminosa de Alckmin e Doria está por trás do surto de febre amarela

As mortes por doenças tropicais são parte da política deliberada da burguesia brasileira e garantida por governantes como Alckmin e Doria que leva sistematicamente pobres a morrerem de coisas totalmente tratáveis.

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

segunda-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Fila para vacinação contra febre amarela na UBS Jardim Peri, próximo ao Horto Florestal

Já faz algum tempo que a mídia vem noticiando a questão da febre amarela. Obviamente que esta questão deve ser colocada em discussão com a população, mas, como esperado, a questão não é discutida até o final, acarretando no desespero e culpabilização da própria população sobre a situação.

Especialistas colocam abertamente o alto risco de uma epidemia na área urbana, principalmente pelo fato da circulação de pessoas em áreas silvestres, com registro do ciclo silvestre da doença, e com a presença do vetor do ciclo urbano – Aedes aegypti – em quase todas as cidades brasileiras.

Registros de morte por conta da febre amarela continuam aumentando e isso por si já é um ponto preocupante, pois tal doença havia sido controlada há anos, mas a mídia – aliada as políticas de ataque dos governos federais, estaduais e municipais – não aborda a irresponsabilidade política dos governantes diante desse cenário quanto a não implementação de políticas públicas efetivas, ou pior, quando políticas que já eram comumente aplicadas – como o controle prévio de mosquitos, por meio da vigilância epidemiológica – tem uma diminuição de verba, como mostrado por matéria da Folha que revela que as verbas para a vigilância em saúde (que incluem medidas de controle e prevenção de doenças) ficaram em torno de R$ 120 milhões dos R$ 334 milhões previstos para o orçamento, sendo que estas quedas nas despesas ocorreram tanto no governo de Geral Alckmin (PSDB) quanto no de João Doria (PSDB) e em transferências de Michel Temer (MDB).

A falta de discussão sobre a degradação urbana (que leva a proliferação de criadouros), a falta de saneamento básico em pontos da cidade e o enterrar de grande parte da classe trabalhadora em regiões sem condições de habitação, devido especulação imobiliária, mas com condições propícias para um surto epidemiológico de febre amarela e outras doenças, são os reais motivos para o ressurgimento desta doença e são resultantes do descaso dos governos, que a cada ano coloca a população frente a um novo surto epidemiológico de doenças transmitidas pelo mesmo vetor, como foi ano retrasado com os casos de zika vírus e chikungunya, ano passado com a dengue e este ano com a febre amarela.

Para encobrir estas questões e alinhado com a mídia coloca-se a propaganda de que a culpa é da população, o que sobrecarrega ainda mais a classe trabalhadora geral que acaba tendo que aguentar filas intermináveis pra conseguir a dose da vacina e, também, sobrecarrega todo os trabalhadores da área de saúde que já passam por condições precárias de trabalho devido ao sucateamento do SUS como política para a privatização da saúde, transformando este direito em mercadoria.

É absolutamente necessário lutar para que estas questões de políticas públicas sejam colocadas em prática o quanto antes! É preciso exigir a produção massiva e a distribuição gratuita de larvicidas, repelentes, telas de proteção como forma inicial ao combate a qualquer surto epidemiológico que tenha como vetor o mosquito. Mas não é somente isso, precisamos fazer com que movimentos sindicais e de bairros se juntem e lutem por questões que vão além destas, que lutem para que o SUS seja realmente um sistema universal, gratuito, totalmente estatal e sobre controle dos trabalhadores da saúde e dos usuários.

Precisamos lutar para que a saúde não seja tratada como um negócio, sobrecarregando os trabalhadores e culpabilizando-os pelas políticas criminosas do governo que, para manter os lucros dos capitalistas, coloca os trabalhadores frente a diferentes doenças e sem atendimento pelo SUS.




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