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Assassinado pela PRF | Policiais ironizaram pedido socorro de sobrinho de Genivaldo seguindo cartilha bolsonarista

Sobrinho de Genivaldo dos Santos denuncia que os agentes da PRF ironizaram o pedido de parentes para que não o matassem.

sexta-feira 27 de maio | Edição do dia

Durante a abordagem assassina ocorrida na última quarta-feira em Umbaúba - SE, abordagem que tirou a vida de Genivaldo dos Santos, asfixiado pela Polícia Rodoviária Federal ao ser preso no camburão com uma bomba de gás, o sobrinho de Genivaldo presenciou parentes de seu tio pedindo para que os agentes não o matassem, e os mesmos agentes respondendo a estes pedidos com comentários jocosos.

Quando tudo aconteceu, Walison e parentes de Genivaldo estavam presentes. Os parentes pediram para que os agentes não o asfixiassem e alertaram sobre as condições psicológicas de Genivaldo, dizendo que este era inofensivo e pedindo para que não o matassem. Walison, de 28, ouviu os agentes dizerem "Ele está melhor do que a gente aí dentro", enquanto seu tio era asfixiado até a morte.

Walison descreve que tudo começou quando os policiais abordaram Genivaldo e iniciaram uma revista, na qual encontraram comprimidos utilizados para o tratamento do seu tio. Em seguida, iniciaram a revista de maneira truculenta, violência que não foi aceita por Genivaldo

"Assim que falei com o policial, ele pediu reforço com o microfonezinho preso no colete. Chegou uma moto e mais uma viatura. Foi na hora que começou a tortura" relata Walison, que presenciou quando seu tio recebeu uma rajada de spray de pimenta , seguida de chutes na perna e pisões na cabeça.

"Colocaram ele na viatura com a mão para trás. Ele mede mais ou menos dois metros e as pernas ficaram de fora. O policial pegou a tampa da mala e bateu nele", disse Walison. Em seguida, enquanto agentes pressionavam a tampa da viatura contra as pernas de Genivaldo, um dos agentes jogou a bomba de gás dentro do veículo.

A violência da PRF também se direcionou aos familiares que lá estavam, a irmã de Genivaldo foi empurrada, e foi nesse momento que a cunhada de Walison pediu novamente; ’Rapaz, não faça isso não’., apelo que foi respondido com ironia por um dos agentes: "Ele está melhor do que a gente aí dentro".

Enquanto assassinavam Genivaldo, os agentes seguiam justificando sua ação: "A gente já perdeu dois irmãos de farda. E vamos perder mais um?". Genivaldo ainda foi levado inconsciente para a Delegacia de Polícia. Só de lá é que ele foi ser levado ao Hospital. Antes das imagens correrem o país e tomarem a repercussão que tomaram, os agentes ainda tentaram mentir sobre as causas da morte, dizendo que Genivaldo teria sofrido de um mal súbito.

A PRF agiu seguindo cada passo da cartilha bolsonarista, sem nenhuma vergonha de assassinar Genivaldo ali, na frente da família e da população, sem absolutamente nenhuma acusação contra ele, exceto talvez a de não aceitar ser tratado com truculência pela polícia.

Esse é mais um caso que mostra o caráter anti-operário das polícias, e ocorre simultaneamente à 39a chacina no período de 1 ano de mandato de Cláudio Castro como governador do Rio de Janeiro. Não são casos desconectados, mas refletem toda a moral ganha pelas polícias durante o mandato de Bolsonaro e dos políticos eleitos na crista da onda do bolsonarista, com discurso que libera os agentes policiais para sair matando sem prestar conta de nada, e ainda ironizando as vítimas, que sofrem duplamente: a injustiça cometida pelo estado, e, depois, a difamação nas redes bolsonaristas com fake news sempre tentando justificar assassinatos policiais inventando boatos sobre as suas vítimas.

Essa cartilha a gente vê ser defendida abertamente por Bolsonaro, mas a verdade é que a polícia sempre agiu assim, é que com Bolsonaro as polícias foram encorajadas a falar abertamente sobre seus métodos assassinos e fascistóides.




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