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RIO DE JANEIRO

Policiais foram responsáveis por 1 a cada 4 mortes violentas de adolescentes no RJ

Em 2017, 28,6% dos adolescentes mortos violentamente morreram por ação policial. 79% dos jovens mortos dessa forma eram negros.

sexta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Bruna da Silva, mãe de Marcos Vinícius, exibe camisa que filho usava no momento em que foi baleado. Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo

Os dados são do Dossiê Criança e Adolescente, do Insituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, divulgado hoje (23).

Dos 636 jovens de até 18 anos vítimas de letalidade violenta — soma de homicídios dolosos, latrocínios (roubos seguido de mortes), lesões corporais seguidas de mortes e homicídios decorrentes de intervenção legal — 174 foram mortos por policiais em serviço, que alegam, na delegacia, que mataram em legítima defesa.

No dossiê do Instituto de Segurança Pública (ISP), uma autarquia vinculada diretamente à Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESEG) do Rio de Janeiro, os pesquisadores usaram dados da Polícia Civil e do Sistema Único de Saúde para recuperar a idade de cada uma das vítimas.

O estudo aponta que regiões próximas a grandes complexos de favelas na Região Metropolitana concentram a maior proporção de assassinatos de crianças e adolescentes. Os Complexos da Maré, do Alemão, do Chapadão e da Pedreira estão entre as áreas com mais casos.

Entre todas as mortes violentas de adolescentes, 90,5% foram causadas por disparo de armas de fogo.

Violência e Intervenção Federal no Rio de Janeiro

Há uma longa e triste lista de jovens vidas interrompidas pela violência do Estado na cidade do Rio de Janeiro. No dia 30 de março de 2017, Maria Eduarda Alves, de 13 anos, foi morta por um tiro disparado por um policial dentro da escola em que estudava.


Maria Eduarda Alves. Foto: Reprodução/Facebook

No dia 21 de junho de 2018, Marcos Vinicius da Silva, de 14 anos, estava a caminho da escola quando levou um tiro na barriga. Segundo a mãe, Bruna Silva, após sofrer o disparo o menino disse: "Mãe, eu sei quem atirou em mim, eu vi quem atirou em mim. Foi o blindado, mãe. Ele não me viu com a roupa de escola?".

No último dia 5 de novembro, Thiago Souza Mendonça, de 14 anos, estava lendo um livro da Turma da Mônica quando foi atingido por uma bala perdida, na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio.

A Intervenção Federal que se faz presente há 9 meses no estado, a mando do governo golpista e impopular de Temer, só fez aumentar a violência estatal e as mortes.

Witzel, Bolsonaro e o "excludente de ilicitude" para a polícia (licença para matar)

Wilson Witzel (PSC), futuro governador do Rio de Janeiro, e Jair Bolsonaro (PSL), futuro presidente, têm estigmatizado os moradores das favelas e periferias e têm prometido aumento da violência policial.

Uma das propostas dessa extrema direita é o "excludente de ilicitude", que não é nada menos do que uma licença para matar dada pelo Estado à polícia, que já é das mais assassinas do mundo.

A crise que o Rio de Janeiro enfrenta, e que tem lavado suas ruas de sangue, exige uma ação dos trabalhadores e do povo pobre para atacar as raízes sociais do problema da violência no Rio. A saída não passa por aumentar a violência nem o encarceramento, uma receita que ao longo dos anos já vem mostrando sua falência em uma país cada vez mais violento e mais inseguro.

Aumentar o policiamento, reforçar a inteligência policial ou colocar o exército nas ruas não resolverão o problema. São só uma desculpa para os governos aumentarem a repressão policial e garantirem com a força que a crise vai continuar sendo paga pelos trabalhadores e pelo povo pobre enquanto os grandes empresários, ricos, juízes e políticos (como Witzel e Bolsonaro) seguem vivendo cheios de privilégios pagos pela maioria.

Para combater a violência é preciso combater a pobreza e a miséria, dar saúde e educação de qualidade à população e oportunidades aos jovens, com recursos que devem vir com o fim das isenções fiscais bilionárias às grandes empresas, com a redução dos salários de juízes e políticos e com o não pagamento da dívida pública, que rouba a maior parte dos recursos do país. Também é preciso legalizar as drogas para enfraquecer o poder do narcotráfico e das milícias.

Veja o dossiê: http://arquivos.proderj.rj.gov.br/isp_imagens/uploads/DossieCriancaAdolescente2018.pdf




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