RIO DE JANEIRO

Policiais e militares fazem operação no Complexo de Lins em busca de vingança

A autoestrada Grajaú-Jacarepaguá do RJ foi interditada na manhã desta terça-feira, 26, nos dois sentidos em razão de uma operação policial para vingar assassinatos de policiais. Na busca por "justiça", qualquer jovem negro que apareça na frente da polícia pode ser uma nova vítima de assassinato.

terça-feira 26 de junho| Edição do dia

Durante a madrugada, policiais civis e militares, com o apoio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), deflagraram uma operação no Complexo de Lins como uma caça por "suspeitos" - obviamente, para a polícia, jovens negros - em uma verdadeira "sede de vingança". Matando jovens inocentes, entrando em casas sem permissões e provocando pânico nas favelas do Rio de Janeiro, a polícia e as Forças Armadas transformam o Rio de Janeiro em palco de guerra.

Em menos de uma semana, uma operação da Polícia Civil e das Forças Armadas na favela da Maré foi responsável pelo assassinato de Marcos Vinícius da Silva, um jovem de 14 anos, estudante negro que estava a caminho da escola quando foi atingido por um tiro das forças repressivas.

Marcus Amim, delegado da Polícia Civil, que também é comentarista do programa SBT Rio, após a morte de policial, ameaça: "Nós vamos caçar vocês onde quer que estejam. Não adianta colocar no Facebook que criança foi baleada... Mentira. Não adianta, você não vão conseguir tirar a gente aí de dentro. Nós vamos a qualquer horário, não tem horário pra gente". E promete: "Nada vai impedir o nosso encontro. E se vocês resistirem a nossa ação, nós vamos manchar o ambiente com o sangue sujo de vocês. Não ousem nos enfrentar, porque nós vamos as ultimas consequências".

Isso é uma das expressões da decomposição social que se encontra hoje o Rio de Janeiro, jogando sobre as costas do povo pobre, especialmente a juventude negra nas favelas, o peso da crise que se estende e se aprofunda. A polícia, o narcotráfico e as milícias são os principais expressões dessa decomposição social, e são de responsabilidade inteiramente do Estado. A intervenção federal que assassina o povo negro - como Mariele, que mesmo depois de mais de 100 dias seu assassinato segue sem explicações - só aumenta os índices de violência e aumenta a barbárie que acontece hoje no Rio de Janeiro. A resposta a essa decomposição social só pode ser anticapitalista. Enfrentar estruturalmente essa crise só é possível com a legalização das drogas, que significa acertar no coração da polícia, do narcotráfico e das milícias, fazendo com que sejam os capitalistas que paguem por esta crise que eles próprios criaram.




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