VIOLÊNCIA POLICIAL

Polícia executa a sangue frio duas meninas negras em Duque de Caxias

Duas crianças de 4 e 7 anos de idade foram alvejadas na cabeça e no abdômen pela polícia racista que passava no local, as crianças chegaram a ser levadas pelos moradores até o hospital mas acabaram morrendo.

sábado 5 de dezembro de 2020| Edição do dia

Imagem: Arquivo pessoal da família

Na noite da última sexta-feira, dia 4, a comunidade Santo Antônio em Duque de Caxias, na baixada fluminense, foi palco de mais uma brutalidade da polícia racista e assassina. Um grupo de crianças brincava na rua, Emily Victoria e Rebeca Beatriz eram supervisionadas pela avó, que entrou em casa por alguns minutos, enquanto esperavam por um lanche. Nesse momento uma viatura passou atirando em direção ao grupo, atingindo assim as duas meninas.

Emily e Rebeca eram primas e estavam ansiosas para a festa de aniversário de Emily, que completaria 5 anos, segundo a família essa seria a primeira festa da menina e todos os preparativos já estavam prontos, mas a menina nunca chegou a completar seu aniversário pois um agente fardado do estado resolveu atirar na sua cabeça.

O crime ocorreu por volta das 20 horas e nenhum morador relatou qualquer troca de tiros ou perseguição ocorrendo no local, mas segundo a Polícia Militar, uma equipe do 15º Batalhão de Duque de Caxias estava fazendo um patrulhamento e não dispararam. É absurda a forma como a polícia mente, distorce fatos e encobre cada uma das atrocidades que comete contra a população pobre e negra.

A família está assolada, Emily foi enterrada com o vestido que usaria na festa de aniversário. Uma prima das meninas conta que foram apenas alguns minutos em que a avó entrou em casa, e que justamente nesse momento a polícia resolveu fazer essa verdadeira execução a sangue frio.

Mal se velou o corpo de Nego Vila, Nego Beto e tantos outros negros vítimas da violência policial e mais dois corpos terão que ser velados. A violência racista da polícia encontra respaldo na política de extrema direita de Bolsonaro que sempre destilou ódio contra os negros, as mulheres e os LGBT’s, mas também de Witzel e agora Castro, o primeiro que disse que ia mandar a polícia “mirar na cabecinha” e chegou a passear em um helicóptero enquanto a polícia atirava em moradores de comunidades.

O estado educa cada um dos policiais para serem verdadeiros assassinos de farda, dispostos até mesmo a ceifar a vida de crianças dentro das próprias casas como foi com João Pedro, e agora com as meninas Emily e Rebeca.

Justamente por isso que cada um desses crimes seguem impunes. Há mais de dois anos se pergunta quem mandou matar Marielle Franco, os assassinos de Claudia Ferreira seguem em pleno exercício da função, os responsáveis da chacina do Paraisópolis que levou a vida de 9 jovens terminaram com uma sentença absurda de "legítima defesa”, não são casos isolados, é a regra com a qual a polícia conduz sua função criminosa.

Cada um dos representantes do estado são responsáveis, esse estado que tem como seu braço direito um instrumento de repressão e genocídio. É preciso se inspirar na luta do movimento Black Lives Matter nos EUA, que reúne negros, brancos e latinos exigindo o desfinanciamento, o desarmamento e o fim da polícia!

Chega a se perder de vista o número de casos, são pilhas e mais pilhas de corpos, vidas levadas pelo genocídio, pela COVID-19, pelas rotinas de trabalho exaustivas, pela negligência dos patrões, por tantos outros motivos nesse sistema que reconhece vidas negras e pobres como descartáveis. Justiça por Rebeca e Emily, vidas negras importam!




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