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ESPÍRITO SANTO

Polícia está por trás das mortes no ES, diz investigação

Uma investigação em curso no Espírito Santo aponta que grupos de extermínio formados por policiais são responsáveis por grande parte das mais de 130 mortes que ocorreram no estado durante o motim policial. A maior parte das vítimas eram homens negros e moradores da periferia;

segunda-feira 13 de fevereiro de 2017| Edição do dia

A investigação vem sendo conduzida pela Polícia Federal, e uma das autoridades ligadas a ela afirmou, segundo reportagem da rádio CBN, que: "Há policiais aproveitando da manifestação que pede melhores condições de trabalho para cometer acerto de contas." Ainda de acordo com a reportagem da CBN, o governo federal já toma como certo o fato de que há policiais por trás das mortes.

As investigações também remetem à atuação de um grupo de extermínio que atua no Espírito Santo desde o início dos anos 2000 e que seria uma ramificação de grupo que atuava no Rio de Janeiro com participação de policiais e parlamentares. O lema do grupo era "bandido bom é bandido morto".

Não é a primeira vez que casos de motins policiais trazem à tona suspeitas da atuação dos policiais revoltosos em extermínios como forma de "pressionar" o governo por meio do terror à população. Em Salvador o mesmo ocorreu há pouco tempo. O perfil dos mais de 130 mortos corrobora fortemente a hipótese de extermínio praticado por policiais, pois têm o mesmo perfil dos que são assassinados pela polícia com seus "autos de resistência" quando essa está em serviço: é a juventude negra da periferia.

É evidente que do ponto de vista do governo federal a intenção da investigação é endurecer contra os policiais que tomaram parte do motim e disciplinar as tropas, dando um exemplo para que os motins policiais não se estendam a outros estados, como já vem sendo ameaçado no Rio de Janeiro.

Contudo, o que vem à tona é, mais uma vez, o caráter reacionário e assassino da instituição policial, seja em serviço ou em "greve" (motim). O extermínio da população negra como forma de disseminar o pânico e pressionar os governos pelo atendimento de suas reivindicações corporativas evidencia um abismo intransponível entre o que representa uma paralisação policial e qualquer forma de luta dos trabalhadores. O que a polícia quer é, justamente, melhores condições de trabalho para prosseguir o extermínio da juventude pobre e negra, e sua chantagem é fazer isso de forma "descontrolada" e não sob o comando direto do estado.




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